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terça-feira, dezembro 06, 2005

RESPEITO A PRIMEIRA VISTA



Respeito a Primeira Vista


Saí a passear comigo mesma. E, nessas ocasiões, se estou dirigindo, saiu sem rumo certo e vou indo, vou indo... Senão, sigo andando, ao encontro de mim mesma, sem nenhuma pressa. O sol forte esquentava a cabeça fria, zonza, lenta e desalinhada...
Em cada ponta do meu curto cabelo, um pingo de suor teimando em não querer cair.
De repente, bem na minha frente, Ela!
Respiro fundo, o coração pára, sinto o cheiro da minha terra. Aproximo-me bem de mansinho espiando, admirando sua beleza, sua perfeição...Seu porte é altivo, cheio de charme e graça. Sua roupa é de chita, sua bolsa de brilho fácil. Tudo nela fascina e encanta...


Aí olho para ela e olho para mim em completo abandono e sinto cansaço. Continuo parada a lhe admirar a beleza e descanso, e, desando a pensar: quem a fez tão bela? Quem a vestiu de tanta cor e luz? - Seu dono, a olhar-me ...
Daí penso como seria bom gritar para todos, aquilo que eu via nela. Sua força e leveza. Seu recato e sua ousadia. Sua coragem de ali estar, serena e tranquila a se oferecer, sem pudor, para quem quisesse pagar por ela.


Foi respeito a primeira vista!


Acheguei-me e encarei seu dono. – Quanto pede por ela?
Nossas limitações vão muito além da imaginação, contudo, às vezes, a imaginação supera as limitações e eu a via no tempo dela...

Mulher forte, no tronco... mulher faceira, sem eira e nem beira. Mulher bobeira, benzedeira e parideira... Mulher infeliz ou feliz? Mulher de raça negra... Mulher de brilho farto, mulher de fino trato... Mulher infeliz ou feliz? Mulher menina, mulher apenas... Mulher querida, mulher amada, mulher sentida, mulher infeliz ou feliz? Mulher de fato, mulher de aço, mulher com rasgo... Mulher infeliz, ou feliz?Parei, olhei e paguei por ela...

Ela agora é feliz !


Reina, em lugar sossegado de minha sala, absoluta lembrando minha terra, minha gente e o seu talento para homenagear coisa belas. Ganhou lugar de destaque, também, no meu coração.


Nunca mais será exposta, negociada, usada, sacrificada, criticada, avaliada...

Agora, é a minha Preta Bela, representante absoluta de força e da beleza.


Rendo-me à raça Negra!

2 comentários:

Anônimo disse...

Êta!!! Estoteante como ela!! Está o seu poema!!! Que escancara ,flui como uma cachoeira de água cristalinas abaixo e brilhantes como a sua inspiraçao... E que delícia e nos debruçarmos em"cima" de tamanha inspiração!!! Cada poema é melhor que outro.!!! Não , não sei , acho que vou ler tudo de novo!!!!

Bjos

Inara

Rodolfo Vasconcellos disse...

Oi, Ysolda.
Linda e merecidíssima homenagem.
Beijo no coração.