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quarta-feira, julho 26, 2006

POEMA COMUNICADO


POEMA COMUNICADO


Recebi um dia desses um comunicado dos mais atrativos, desafiantes e surpreendentes. Foi de uma linda amiga que chamo carinhosamente de “Olhos Azuis”. Dizia, através de belo poema, ter se demitido da “vida adulta”.

A princípio fiquei reflexiva, meio incrédula e achando ser impossível tal façanha e tal coragem... Minha amiga tinha pirado! Puxa, depois de tanta espera na fila do crescimento, amadurecimento, cursos de aperfeiçoamento, treinamentos explícitos; a maioria impostos e aceitos sem opções, ela iria abrir mão de tudo isto?! Se demitir assim do nada, sem nenhuma outra razão?!!!

Continuei a ler o “Poema Comunicado” e fui percebendo que ela, inteligente e sábia que é, havia tomado uma decisão em função de um objetivo muito mais lucrativo, atrativo, viável (porque não?) e que lhe daria, com toda certeza, uma realização pessoal completa. Tinha se demitido da vida de adulta, para entrar de volta na vida de criança...

- Ah! Olhos Azuis, sabe das coisas!!! Ela é a amiga mais esperta que tenho!!!

Imediatamente aderi a sua idéia e pedi demissão, sem titubear! E, nada, absolutamente nada, que me fosse proposto, me faria voltar atrás. A minha decisão era irrevogável.

Solta as amarras da impossibilidade, senti a sensação de liberdade e foi algo indescritível!

Olhei ao meu redor e vi o quanto havia por fazer, porém me ative num grande problema: por onde começar?

Respondendo ao comunicado, lhe coloquei a par da minha decisão e lhe fiz algumas propostas para começarmos a nova vida. Então: vamos nadar, correr, brincar...?

E, enquanto eu aguardava a resposta, conjeturava:

· Para nadar, teremos que primeiro aprender, alguém que nos ensine e vai levar tempo;
· Para correr, teremos que saber do quê: do “bicho”?
· Brincar de bonecas? E, cadê as bonecas, se não guardamos? E, se guardamos, estão, no mínimo, danificadas pelo tempo e não vão servir.
· Então, brincaremos de “bem-me-quer e mal-me-quer”... Precisaríamos de um jardim à nossa disposição e bem sei que não teríamos coragem de arruinar os seus canteiros.

Tudo bem! Então iremos brincar de roda, cantaremos a plenos pulmões: “Fui à Espanha, buscar o meu chapéu, azul e branco da cor daquele céu...” Também não iria dar certo! Uma “roda” de apenas duas, ficaríamos logo tontas e cairíamos no chão. – Quem nos ajudaria?

Neste ponto, Olhos Azuis, que ainda não havia me respondido o que queria fazer no primeiro dia da nossa nova vida de volta à vida da criança, o meu dilema continuava.

Depois de muita espera, compreendi que ela havia desistido de sua demissão. Talvez pelo mesmo dilema em que eu me encontrava, ou, talvez, por conta de um certo Príncipe, verdadeiramente “Encantado” e encantador, que estava deixando seu coração atrapalhado de tanta emoção.

E, assim, sem nenhuma outra comunicação, permaneceu na vida de adulta.

E eu? - Cá estou! Já tenho o meu “Príncipe”!


Um comentário:

Reno disse...

Lindo poema, como é gostoso retornarmos mesmo que imaginariamente à nossa infância, e nada há que nos impeça, senão um grande amor, ai, só nos resta amar como criança.
Seus poemas doces afagos a minha alma.