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quinta-feira, julho 23, 2009

NÃO SEI PORTUGUÊS - ME CORRIJA

ILUSTRAÇÃO: MERCIA VILA NOVA


NÃO SEI PORTUGUÊS - ME CORRIJA
De: Ysolda Cabral




Apesar de gostar de escrever, nunca me atrevi a afirmar que domino o português. Muito pelo contrário! Confesso que, escrevo com o dicionário junto de mim, pois recorrer aos da Internet é sempre muito demorado. E, como todos sabem, não sou muito paciente.

Pois muito bem, há pouco, recebi um e-mail de um escritor espetacular do Recanto das Letras, corrigindo um erro “gravíssimo” que ele encontrou em um dos meus textos - deve ter encontrado mais – fiquei emocionada e muito grata. Gosto que me corrijam e assim aprendo e procuro ter mais atenção na escrita.

Entretanto, há quem não goste... Tenho uma prima que, quando a corrijo ela só falta me fulminar. Meu pai, quando bem rapazinho, trabalhou para um empresário que, certa feita, lhe pediu que datilografasse uma carta que ele havia redigido. Papai, ao datilografar a respectiva, naturalmente, eliminou todos os erros de português. Ao entregar a carta para o “patrão” assinar, este, depois de ler, disse que papai era analfabeto. Papai concordando, pediu demissão e foi embora em busca de um emprego que lhe desse mais tempo para estudar. Contudo, antes de partir, datilografou outra vez a carta como esta havia sido redigida.

Interessante que, comigo um fato parecido também aconteceu. Não pedi demissão, porém o meu “patrão” se encarregou de me destinar à outra secretaria e no memorando, escreveu que "... conCiderando que eu tinha mania de “conCertar” o que ele escrevia..." – É mole?

Meu avô, que foi um “rábula” bastante respeitado pela inteligência, competência, honestidade, o qual não perdia facilmente uma causa para nenhum advogado, estava certa ocasião na Biblioteca Municipal de Caruaru quando ali chegou o famoso Adv. Nicanor Souto Maior. Este não viu meu avô e ficou olhando as prateleiras da Biblioteca um bom tempo.

Meu avô então lhe cumprimentando, perguntou:

- O quê o nobre advogado procura?
E este respondeu: o “Pai dos Burros” Firmino.
Então meu avô, com simplicidade e de maneira quase inaudível lhe informou: o senhor está falando com ele. O que quer saber?

E o advogado sentou junto do meu avô e foi tirar suas dúvidas com ele.

- Que coisa mais bonita!

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Abaixo um “Soneto do meu avô’’ de presente pra vocês.

Velho Mar
De: Firmino Cabral Filho

Até o mar tem dias de bonança,
de calmaria e de tranquilidade;
dias, porém de impetuosidade,
como um gigante, sobre tudo avança.

E ruge e brama, e de gemer não cansa
devora e mata em louca ansiedade,
jogando longe a espuma da saudade,
o velho mar explode de vingança.

Assim também é o coração da gente
quando a maldade humana nos comprime
e nos maltrata sem razão alguma;

Coração há pouco tão contente
como esse mar, arrosta o próprio crime,
e raivoso, também, sacode espuma!

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E ao escritor que me corrigiu, meu sincero agradecimento, inclusive, por esta crônica. Corrija -me mais, viu!


Publicado no Recanto das Letras em 23/07/2009
Código do texto: T1714998



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