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quarta-feira, março 29, 2006

TEMPO DE PÁSCOA


Tempo de Páscoa



É tempo de reflexão.
Pode até ser inútil e enfadonho,
Pois as coisas do jeito que estão,
Não têm mesmo solução!


Ressurreição do * “Túmulo Falcão”,
Os meninos terão não!
Um fulano disse:

(Em cadeia nacional)
Se eu conseguir salvar, pelo menos, um,
Me darei por satisfeito.


Um? Apenas Um?
Nem este um será inteiro.
Parido, partido, sofrido...
Medonho da vida...
Como terá satisfação?
Quietação?
Orientação?
Determinação?


Está tudo errado,
E fora de Lugar,
De padrão,
E de Patrão.


O porão está repleto,
De gente sem coração,
Sem imaginação,
Pegando carona no deserto,
Numa escalada sem perdão.


A correria é grande...
Quem faria, um senão?
Um doido qualquer,
Sem juízo e sem noção.


Se Jesus Cristo voltasse,
Agora para esta terra,
Não havia,
nem seria,
Salvação.


Vamos, então, comemorar,
Comemorar a ressurreição.
Com chocolate, pão,

Peixe e vinho...
Mas sem nenhuma ação?


* Vítimas do tráfego de drogas.

quarta-feira, março 22, 2006

ENQUANTO HOUVER LUA E SOL


Enquanto Houver Lua e Sol
(Publicado no Jornal Vanguarda em 21 de outubro de 1984)

A gente nasce, cresce no tamanho e estaciona. Por dentro, a cada dia, observamos que continuamos a crescer. Passamos da infância para a adolescência e desta para maturidade e, quando chegamos à maturidade percebemos que somos tremendamente infantis, adotando, às vezes, comportamentos tão bobos, que nem na infância ou adolescência chegamos a assumi-los.

De repente, nos vemos velhos por fora e por dentro estamos apenas engatinhando. É UM CHOQUE! – Muitos começam a freqüentar academias de ginásticas, pintar os cabelos, tirar as rugas daqui e dali juntar-se a rodinhas de boy´s e cocotas. Andar de bicicletas, motos e nos pisantes, um tênis. Na cabeça de ralos cabelos, OS SONHOS. No estômago porções para rejuvenescimento, afrodisíacos, iogurtes e má digestão. Nos gestos, a esperança vã dos dias voltarem.

Já para outros, este estágio serve, para aprimoramento do seu EU mais profundo. È um despertar consciente e adulto da necessidade de se colocar a vida no lugar e isto, se o tempo for suficiente e favorável...

Bom mesmo é quando este despertar ocorre cedo. As probabilidades de chances para um crescimento espiritual, capaz de lhe colocar acima dos píncaros do mundo, são maiores. É quando você pensa em DEUS e sente o quanto sua bagagem é pobre para a “viagem” que você tem que fazer, e lamenta as oportunidades perdidas. Procurar Padre? Pastor? Espíritas? Analistas? NÃO. Procurar você mesmo e tentar se encontrar.

Garanto que não é nada fácil; é mais difícil do que se pensa e o pior é que às vezes vem o desespero, a agonia e o medo de que sua bagagem não tenha absolutamente nada para oferecer em retribuição a Quem lhe deu o maior presente: A VIDA.

sexta-feira, março 10, 2006

CAMINHADA A BEIRA MAR









CAMINHADA A BEIRA MAR




No último dia 08, “Dia Internacional da Mulher” foi muito comemorado, divulgado até com certo exagero, estardalhaço mesmo! Seria alguma forma de reivindicação para um resgate de algo que parece estar desaparecendo?



Comecei o dia com uma boa caminhada a beira mar. O dia estava lindo e o mar quase cheio, às sete da manhã, convidava para o banho. Sentindo as ondas acariciarem meus pés, caminhava lentamente apreciando toda sua beleza. A beleza do dia, das pessoas que passavam... Umas vindo e outras voltando, nas mais variadas “formas de gente”. Comecei a imaginar a vida de cada uma delas. Algumas:



Bem iguais.
Outras, bem distintas.
Únicas mesmo!
A maioria era de:
Gente bonita, de vida difícil,
Gente feia, de vida fácil.
Gente bonita, de vida fácil.
Gente feia, de vida feia.



Imaginei se fosse diferente... Qual seria a beleza e a graça?



Olhei então para mim e o que vi foi uma sombra enorme na horizontal, refletida na areia que me acompanhava fiel e em perfeita harmonia com o céu, a terra e o mar... 1,2,3, 4 respiro... 1, 2, 3,4 respiro... E sem perder o fôlego, lá ia eu na beira do mar... 1,2,3,4...



De repente, algo de inusitado me chamou a atenção: era um homem, de meia idade, em plena forma, que corria com um lindo buquê de rosas vermelhas na mão. Sorri escancarado e feliz por homens assim ainda existirem e, por perceber a cara de espanto dos rapazes que faziam uma espécie de surf, ali na beirinha do mar, com um esquisito objeto de madeira redondo.



E, exatamente como eu, que nunca tinha visto aquele esporte, eles também nunca tinham visto um homem correndo, com um buquê nas mãos. Por pouco, não levaram um tremendo tombo.



Continuei... 1, 2, 3,4... E conjeturando: o que aconteceu de tão grave para a maioria dos homens esquecerem o valor de declarar o seu amor à mulher amada, através de um buquê de rosas vermelhas ou, simplesmente, uma rosa, símbolo de tão belo sentimento?



O que aconteceu com o cavalheirismo? Com a conquista, através dos belos gestos e toda a grandeza do sentimento puro, nobre e simples?



A mulher feminina, elegante, educada, frágil desapareceu? Claro que não! Por mais moderna que ela seja, existe e existirá sempre. Pode até ficar bem escondidinha esperando apenas ser encontrada pelo príncipe encantado. Leia-se um cavalheiro, romântico e bem educado. Daí então:



Ela saberá amar como nenhum outro ser.
Deixa-se cuidar...
Proteger...
Sendo, ela quem cuida e protege.
MAS, ELE NÃO PRECISA SABER!



Por mais que nós mulheres tenhamos contribuído para uma catástrofe tão grande acontecer, ainda existe o desejo de sermos tratadas com delicadeza e romantismo. Precisamos deixar visível nossa fragilidade, delicadeza, mesmo que ela seja só aparente. Quem sabe assim, consigamos resgatar tanta coisa linda e significativa para nós e que nos faça, cada vez mais, florescer, perfumar e continuar mulheres plenas e belas.


Vamos dar um basta para o pensamento de que os direitos são iguais e tal. Pois eles não são!



TEMOS MUITO MAIS DIREITOS, SOMOS MULHERES!



PARE! DEIXE-ME PASSAR!



...1, 2, 3,4... RESPIRO... 1, 2, 3, 4



PS- MEU LINDO E CAVALHEIRO DÃOZINHO NÃO ME DEU ROSAS, NESSE DIA MAS, ME DEU O COLAR DA FOTO QUE ME DEIXOU MAIS BELA. Hahahahaha








sábado, março 04, 2006

REALIDADE DO SONHO


REALIDADE DO SONHO


É APENAS LEMBRANÇA
ÀS VEZES PEQUENA
QUE ÀS VEZES ENGANA
E NEM SEMPRE SE LANÇA
NO UNIVERSO DA ALMA

SE SENTIMOS VIVER
NO SONHO DORMINDO
QUANDO ACORDADOS
PARECEMOS MORRER

É DESENCONTRO NA VIDA
É DESENCONTRO DE SER
E SENDO SEM QUERER
NÃO TEM SENTIDO PRA SER

SONHAR ACORDADO
NÃO VALE ACORDAR
POIS ACORDO NÃO HÁ
NA VIDA DO SONHO
DO SONHO SONHADO
QUERIDO, AMADO
SOFRIDO, MOÍDO
TOMADO, TORNADO POSSÍVEL
POSSÍVEL IMPROVÁVEL


SENTIMENTO SE TEM
PARA VOLTAR , ESTAR E SEGUIR
SEGUIR NO DISTINTO
SENTINDO NO TINO
DO TINO QUE É CERTO
DO INCERTO TEMPO
QUE HÁ DE VIR

domingo, fevereiro 26, 2006

SÁBADO DE ZÉ PEREIRA


SÁBADO DE ZÉ PEREIRA
São exatamente 23:h00 de um sábado. Não de um sábado qualquer.


É sábado de “ Zé Pereira”. (ZÉ-PEREIRA. No sábado de carnaval, sai o zé-pereira, tendo como máscara uma cabeça maior do que o tamanho normal, seguido de foliões que, com muita alegria, cantam: - "Viva o zé-pereira! / Que a ninguém faz mal! / Viva o zé-pereira! / No dia do carnaval!". O zé-pereira é de origem portuguesa e, em Portugal, ele aparece não somente no carnaval como também nas festas locais e romarias. No Brasil, o zé-pereira só aparece no Sábado de carnaval e a letra da música é brasileira. Origens brasileiras: Zé Pereira é apelido dado ao português José Nogueira de Azevedo Paredes, sapateiro no Rio de Janeiro. Na segunda-feira do carnaval de 1846, José Nogueira juntou os amigos e realizou uma barulhenta passeata pela Rua São José. Acontece que os participantes trocaram o nome do português José Nogueira por José Pereira, daí a denominação Zé Pereira. Fonte: Dicionário do Folclore para Estudantes)


E eu aqui em frente deste monitor pensando na alegria do carnaval que toma conta das pessoas pelas ruas das cidades.

Alegria verdadeira? Não sei... Talvez para alguns poucos privilegiados.



Creio que a maioria dos foliões se entrega de corpo, alma e coração ao carnaval como forma de dar trégua a dor, a tristeza, o desanimo e a solidão. Na quarta-feira tudo volta ao normal. A mágica acaba... Fica apenas o cansaço da volta à realidade.



Alguma coisa muda, é verdade. Algumas, irremediavelmente. As fantasias são guardadas no baú do coração. A lembrança se faz presente, por vezes, numa foto qualquer jogada ao acaso dentro de uma gaveta de um armário, também, qualquer. Com o tempo; amarela, enverga se deteriora e a imagem desfocada nem na lembrança se fará mais visível.



Ontem estive entre eles, os foliões. Pensei: quero ser um deles e não fui. Olhei, apreciei alguma coisa engraçada. A decoração bonita. Tudo muito colorido e iluminado. As pessoas se exibiam conforme suas crenças, gostos e entendimentos.



Um folião me chamou a atenção: era pequenino, talvez de uns 10 anos, pés no chão, roupas maltrapilhas e uma caixa nas costas, pendurada por uma alça de um cinturão velho. Não era um folião fantasiado de engraxate era um menino engraxate, fantasiado de esperança em encontrar um par de sapatos. Não para calçar... Para ganhar alguns trocados. Talvez, para comprar o pão e levar para casa?


Fiquei a imaginar se conseguiria e senão; como se sentiria, no meio de toda aquela suposta alegria, com a caixa nas costas, de mãos e barriga vazia? O que teria levado aquele pequeno menino a achar que ali, poderia encontrar algum sapato para engraxar? Desespero somado a ilusão de que no carnaval a magia aconteceria para ele? Que sentimento se faria presente naquele pequenino coração, no meio daquela multidão, quando percebesse que nada conseguiria? Me pareceu tão só e tão indefeso ...


De repente sumiu na multidão, deixando um vazio enorme ...

Assim terminou o meu carnaval de 2006.





terça-feira, fevereiro 21, 2006

COMO ADOLESCENTE


Como se ainda adolescente fosse


E se fosse proibido pensar, sentir, sonhar, respirar?

Realmente as coisas estão ficando cada vez mais difíceis de entender... Complicadas mesmo!

O segredo é nunca desistir? Não sei não...

Sinto que algo dentro de mim está a ponto de explodir. É uma revolta contida contra tudo àquilo que é injusto, que não é certo. Estou cansando de ter compreensão e paciência a todo instante, até porquê, não tenho estas qualidades. Apenas, faço de conta e isto me custa um bocado. Ou não?

Vou me deixar ser impaciente, incompreensiva, indisciplinada, debochada, valente, ou, medrosa. Assim, tudo se tornará mais fácil e mais lógico.

Meu imaginário, é amplo... Se espalha por todo o universo e me leva na velocidade que eu quero ou na sua própria velocidade. Ele me conduz para um lugar onde todos são iguais. Ninguém é melhor que ninguém, a justiça é válida para todos. Não existe intransigência, poder, ganância... Ninguém manda em ninguém e todos são verdadeiramente por si e por todos. O mal, a inveja, a intriga, a mentira, a falsidade, também não há.

Qualquer atropelo é exterminado, banido, desaparecido da existência humana. Os pássaros não têm receio de voar... As crianças podem brincar.. Todos têm o direito de ir e vir, de ser e de estar...

Percebo que não cresci muito desde que era criança... Continuo a mesma de sempre, desabafando de forma que não entendo e como se ainda adolescente fosse.

Não é mesmo uma maravilha?

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

TEMPO SEM JEITO



TEMPO SEM JEITO

É CONTRÁRIO DO MEDO
QUE CAUSA MUDANÇA DE TEMPO
DE ESPAÇO E NO ESPAÇO SE LANÇA
SE LANÇA COM JEITO, DO JEITO DE AÇO
DO AÇO SEM JEITO.

MUDANÇA DE TERMO
SEM CONSERTO, ARREMESSO AO ERMO
SEM VERMOS...
SENTIR O CONTRÁRIO, O CONTRÁRIO DO MEDO
NO FUNDO DO AVESSO

ENCONTRAR O PERFEITO
PERDENDO O CONTEXTO, DO TEXTO
DO VERBO, SEM NEXO
SEM ELO, COM ZELO .

COMO O VERSO DO REVERSO
REVERSO QUE É AVESSO
DO AVESSO CRIADO,
CRIADO AO ACASO
ACASO DO NADA E DO NADA
ENTONTEÇO!

POR ALGO PERDIDO
NO CAMINHO TOMADO
TORNADO POSSÍVEL
POSSÍVEL IMPROVÁVEL
PROVÁVEL SEGREDO,
ENREDO, ENLEVO, SOBERBO
MORRE A ESPERANÇA
FICA A LEMBRANÇA
DO QUE FOI, DO QUE SERIA
E SE PODIA, DO QUERER
QUE É INCERTO

EU APENAS DIRIA
SENTIA, SABIA
PODIA, VIVIA
OU MORRIA
MORRIA DE MEDO
DO MEDO DO AVESSO
AVESSO DO TEMPO
DO TEMPO SEM JEITO
DO JEITO DE SER, DO SER QUE EU SEI
QUE AINDA NÃO SOU
MAS QUE UM DIA SEREI

domingo, fevereiro 05, 2006

LÁ SE FOI MARIA



*Artigo publicado no Jornal Vanguarda de Caruaru, em 24 de setembro de 1973. Segundo meu pai, e meu avô, este é o meu melhor artigo.


- Lá se foi Maria –


Dona Maria morreu. Ninguém se conformou. Pessoa boa, não resta dúvida. Mas que adiantou ser boa? Viveu é certo, porém, para que, ninguém sabe. Não queria ir, mas foi. Não queria sofrer, mas sofreu. Não queria viver, mas viveu. Tudo isto é gozado. Pessoa alguma quer, mas tem que aceitar. Por quê?

Lembro bem que um dia ela olhou para mim, com sua maneira gozada de dizer as coisas, e falou: “ apesar de tudo fui feliz”. Vida boa ela teve? Não acredito. Trabalhava, lavava, passava... Mas chorava. Outra coisa, porém, ninguém via, pois ria, cantava, dançava...

Morreu Dona Maria. Ninguém ria nem dizia: Ela era Luzia... Era simplesmente Maria.

E agora?...

Que faremos sem Maria ou Luzia? Nada. Antes era ela alguma coisa? Não. Era simplesmente um ser que algum dia produzira mais um ser ou, talvez, diversos; era quem dava alguma coisa de si a outrem sem nada exigir; era quem muitas vezes passava a noite sem dormir, dando mama a uma criança recém nascida. Perguntar-se-ia; seria dela? Isto é que não!

Não fui prestar minha última homenagem a Maria... De que adiantaria?

Sinto uma revolta dentro de mim... Ela era tão boa... Tão de todos, e morreu... Por que? POR QUE VIVEU. Ela não pediu para viver, mas viveu; ela não pediu para sofrer, e sofreu. Ela pediu para morrer? Não acredito! Pediu sim para não morrer, mas morreu...

Um dia falaram-me: “ as pessoas boas sofrem aqui, como todas, porém, quando morrem, vão para um lugar que os injustos, canalhas, prepotentes, orgulhosos, enfim nunca irão lá."

Pelo que deduzo, nunca mais vou te encontrar Maria ou, talvez, quem sabe... Se esse dia chegar, eu te direi: sabe, eu gostaria de te ver novamente; apertando o seio que um dia, fresco, belo, enérgico e que partira sem aquele viço de outrora, a falar-me: Ysolda, volto para a humanidade sendo sempre aquilo que um dia quis ser: MARIA.


(Dona Maria, era nossa vizinha. Tratava-se de uma senhora linda, cheirosa e adorável que todos amavam por sua alegria de viver)

domingo, janeiro 22, 2006

TAMBOR DO ENCANTADO



TAMBOR DO ENCANTADO

O SONHO É IRREAL
O PESADELO É REAL
O SENTIMENTO É DE SOLIDÃO
E SOLIDÃO É SEDIMENTAÇÃO
O PENSAMENTO NÃO SE EXPANDE
E NO ESPAÇO SE LANÇA
E NADA, ABSOLUTAMENTE NADA,
ALCANÇA

QUISERA SER SEMPRE
PRIMAVERA EM COR
COM RAIOS DE CALOR
AROMA SÓ DE AMOR
FUGIR DO VENDAVAL
SEM TER UM IDEAL
DE SER OU DE NÃO SER
APENAS DE ESTAR
PRIMAVERA EM COR

FICAR SEM CONFUSÃO
SABENDO A ORAÇÃO
PARA O IR E SE VOLTAR
SABER O RETORNAR
COM CONSCIÊNCIA DA DOR
SEM SER UM SOFREDOR
NA BUSCA DO PORVIR
QUE DE TANTO PROCURAR
DEIXA DE SERVIR

SERVIR SEM RESTRIÇÃO
TODAS AS ILUSÕES SENTIR
SABER QUE A EXISTÊNCIA
QUANDO SEM CARÊNCIA
NÃO HÁ NECESSIDADE
DO SORRIR

SORRIR ESCANCARADO
DE CORAÇÃO ATRAPALHADO
DE RITMO COMPASSADO
TOCANDO ALEGREMENTE
NO TAMBOR DO ENCANTADO
RETUMBANDO SÓ AMOR

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Y A U A N N A


YAUANNA

É SONHO ENCANTADO
É REALIDADE PALPAVEL
FEITA
DE FLOR, AROMA E FRESCOR


ELA É TUDO DE MELHOR
DE MIM
PUREZA, LEVEZA
UMA BRISA COM CERTEZA
QUE SOPRA DA ALMA PARA FORA
E DE FORA VEM PARA DENTRO
E FICA E VINGA SÓ AMOR

É PLANTA FORTE E BELA
REGADA NA MEDIDA EXATA
PARA SER ELA
ETERNA CRIANÇA EM MIM

O QUE DIZER MAIS
DESTA FILHA LINDA
AMIGA, QUERIDA
SAPECA, ETERNA MENINA?

QUE É UMA ESTRELA DO CÉU
NO FIRMAMENTO DE MIM?!

sábado, dezembro 24, 2005

ADORO SER DONA DE CASA


Adoro Ser Dona de Casa

Tem coisa pior que lavar meias?E quando brancas, saídas de pés suados e com marca de graxa de sapato preto?

Tem coisa pior que abaixar e levantar varal? E, quando as cordinhas escorregam das mãos molhadas e levamos uma bruta lapada na cabeça? Mesmo assim, temos que aguentar a dor e continuar o ritual de estender as benditas roupas!

Ah! Mais tem coisa bem pior... Depois de tudo faxinado, arrumado, aprumado, melhorado, organizado, você vai abrir a geladeira para tomar água ou refrigerante, constata, às duras penas, que quem ali esteve antes de você, não tampou direito aquilo que abriu. Se for a garrafa d’agua, menos mal. Se for o refrigerante, que logo se espalha por dentro da geladeira, tomando conta de tudo e depois desce de porta a baixo se espalhando pelo chão ? Aí começa a sessão extraordinária de limpeza... Adeus descanso!

No forno está o bolo, quase assado. Ao tirá-lo, surpresa: está solado... É mesmo o fim da picada! O arroz grudou, o feijão não cozinhou direito, a panela de pressão quase explodiu, o botijão de gás acabou e você não sabe trocar. O que fazer? Depois de muito pelejar, você consegue por o almoço na mesa. Aí um pergunta: não tem macarronada não?! Você bem prevenida que é, logo responde: tem sim! É só colocar no microondas... Vai falando e vai executando a nova tarefa. Eis que, ao abrir mais uma vez a geladeira, para pegar o ketchup, com tampa mal fechada, o vidro caí de sua mão, quebra e a exasperação se manifesta... De forma branda, quieta... Você respira fundo, conta até dez e começa a limpar tudo de novo.Controle em pleno funcionamento... Você vai tirando tudo de letra, entre uma limpada e outra.

E o danado do telefone que não pára de tocar? Alguém querendo vender alguma coisa que não lhe interessa... Haja atrapalho!

Você está de cozinheira, arrumadeira, faxineira, lavadeira, lutando contra o tempo. Até por que, você também trabalha fora e precisa sair o quanto antes, para não se atrasar. O telefone toca mais uma vez. Alguém, do outro lado da linha, lhe oferece um lote no cemitério, seguro ataúde e lhe diz tratar-se de excelente negócio. “O preço promocional é uma verdadeira pechincha, um presente de Natal...”
É mole?!

Controle jogado às favas, o verbo apruma na ponta da língua e a voz não sai. A raiva é tanta que você cega, entorta, desanda e se lança a chorar feito criança. Ser dona de casa cansa. Só em lembrar me dá ânsia...

Mas não! Tudo agora é deprê e não sei mais o quê... E você se convence que é mesmo doença séria e corre para o médico.O “doutor”, que não cura as dores, também está de deprê e não sei mais o quê... Fala: seu problema é “olho gordo” ! O meu também, sabia?!

-Tem um fulano que se duvidar, botou meu nome na boca do sapo, amarrou e enterrou, tudo por pura inveja, pra acabar comigo, conta ele...Nada que um bom banho de mar, ao raiar do dia, não cure, não mude... Recomenda!

É isto aí seu Doutor, a receita prescrita foi aceita, está perfeita!Mas, tem que ser mesmo ao raiar do dia?!Dona de casa sofre!!!!

Que em 2006 as Televendas não nos atrapalhem tanto e nem queiram acelerar nossa partida!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

SEM NADA PRA FALAR



Sem Nada Pra Falar

Nunca falei das flores
Nunca falei das cores
Nunca falei das dores

Nunca falei do amor
Nunca falei do rancor
Nunca falei do sabor

Nunca falei da saudade
Nunca falei da cidade
Nunca falei da verdade

Nunca falei da tristeza
Nunca falei da beleza
Nunca falei da leveza
Mas...

Ganhei
E mais flores dei
Das mais variadas espécies
Rosas, margaridas,
Girassóis, bem-me-queres e orquídeas
Algumas para festejar
Outras para enxugar lágrimas
Sentidas e doídas

Senti os louvores
Aprimorei as escolhas
E grandes emoções não vivi

Senti saudades
Passando por ruas, vilas e cidades
Olhando apenas a beleza
Sentindo as dores com leveza
De um infinito, único
E insubstituível AMOR

AMOR PELA VIDA !!!


FELIZ NATAL PARA TODOS VOCÊS E
UM ANO NOVO CHEIO DE ENCANTO E MAGIA

segunda-feira, dezembro 12, 2005

ENTÃO É NATAL






ENTÃO É NATAL!


Entrei no clima... Eita... É festa!!!
Estou muito, muito contente mesmo. Comemorando tudo que posso... Vejam a minha cara de felicidade. L

Convoco todo mundo para entrar neste clima de comemoração. Afinal, este ano foi mesmo uma maravilha para todos os que vivem neste planeta azul arrochado que resiste em não se acabar.

Vivaaaa!!! O ano foi massa, não é assim que fala a gurizada? Vamos comemorar ?!!! Vamos, vamos, vamos....

Muitos corruptos descobertos, muita mutreta feita e sacramentada. Todo mundo punido e no seu devido mesmo lugar ( uns até que não). Hahahahaha...

Os salários lá em cima... Não faltou emprego para ninguém...

O problema de saúde pública diminuiu; morreu gente pra danar!

A educação também... Como melhorou!!! Está muita facilitada a todos... Ninguém mais precisa dar bom dia, pedir licença, agradecer... Até comer, ficou bem mais fácil. Todos os preços em conta...Tudo barato e mastigar de boca aberta, é coisa chic...

Nas escolas, faculdades? Mensalidades lá em cima. Coisas lá embaixo são coisas caídas, em desuso... “ sem bolado”... Precisamos ficar longe disto tudo!

Cavalheirismo, é viadagem! Ser feminina ainda é ser submissa... Hahahaha ... Que evolução!!!!!!

Gostar de um amigo ou amiga e declarar isto, é coisa muito suspeita e passiva de investigação. Chamar o SNI? Impossível, nem existe mais ! O AI-5 ? Acabou!

Não temos do que reclamar! Temos tudo que merecemos... Vamos então comemorar!.

Vivaaaaa, é festa !!!

Esqueçamos as mágoas, as tiranias, as imposições, o stress, o egoísmo, a competição, os sentimentos mesquinhos são perversos.

Façamos uma corrente de oração e vamos agradecer. Afinal, estamos no centro de tudo isto e somos cada vez melhores. Se é complicado se fazer uma declaração de amor, vinda do coração.... Então, escrevo e assino, porém em forma de segredo para não complicar:

Amo minha família e amo meus velhos e novos amigos...

Agora, vou fazer uma carta ao Papai Noel e vou pedir:

Mais amigos,
Mais dias de verão, de inverno, de primavera e de outono... Se assim houver;
Menos velhos doentes e solitários;
Menos, ou nenhuma, criança na rua, com fome, com frio, cheirando cola, roubando ou matando por um par de tênis ou um aparelho celular;

Hum... Vou pedir também ao Papai Noel:

Mais paciência, calma e inteligência para melhor entender a vida sem me exasperar tanto.

E, que o amor que sempre senti, sinto e sentirei pelo ser humano, independente de qualquer coisa, se espalhe pelos quatro cantos do mundo.

Não estou querendo muito, estou?

Que tenham todos um Feliz Natal !





terça-feira, dezembro 06, 2005

RESPEITO A PRIMEIRA VISTA



Respeito a Primeira Vista


Saí a passear comigo mesma. E, nessas ocasiões, se estou dirigindo, saiu sem rumo certo e vou indo, vou indo... Senão, sigo andando, ao encontro de mim mesma, sem nenhuma pressa. O sol forte esquentava a cabeça fria, zonza, lenta e desalinhada...
Em cada ponta do meu curto cabelo, um pingo de suor teimando em não querer cair.
De repente, bem na minha frente, Ela!
Respiro fundo, o coração pára, sinto o cheiro da minha terra. Aproximo-me bem de mansinho espiando, admirando sua beleza, sua perfeição...Seu porte é altivo, cheio de charme e graça. Sua roupa é de chita, sua bolsa de brilho fácil. Tudo nela fascina e encanta...


Aí olho para ela e olho para mim em completo abandono e sinto cansaço. Continuo parada a lhe admirar a beleza e descanso, e, desando a pensar: quem a fez tão bela? Quem a vestiu de tanta cor e luz? - Seu dono, a olhar-me ...
Daí penso como seria bom gritar para todos, aquilo que eu via nela. Sua força e leveza. Seu recato e sua ousadia. Sua coragem de ali estar, serena e tranquila a se oferecer, sem pudor, para quem quisesse pagar por ela.


Foi respeito a primeira vista!


Acheguei-me e encarei seu dono. – Quanto pede por ela?
Nossas limitações vão muito além da imaginação, contudo, às vezes, a imaginação supera as limitações e eu a via no tempo dela...

Mulher forte, no tronco... mulher faceira, sem eira e nem beira. Mulher bobeira, benzedeira e parideira... Mulher infeliz ou feliz? Mulher de raça negra... Mulher de brilho farto, mulher de fino trato... Mulher infeliz ou feliz? Mulher menina, mulher apenas... Mulher querida, mulher amada, mulher sentida, mulher infeliz ou feliz? Mulher de fato, mulher de aço, mulher com rasgo... Mulher infeliz, ou feliz?Parei, olhei e paguei por ela...

Ela agora é feliz !


Reina, em lugar sossegado de minha sala, absoluta lembrando minha terra, minha gente e o seu talento para homenagear coisa belas. Ganhou lugar de destaque, também, no meu coração.


Nunca mais será exposta, negociada, usada, sacrificada, criticada, avaliada...

Agora, é a minha Preta Bela, representante absoluta de força e da beleza.


Rendo-me à raça Negra!

sexta-feira, novembro 25, 2005

ELA É PODEROSA


Ela é Poderosa


Começo a arrefecer, mas bem devagar, de mansinho para eu mesma não perceber que a minha impotência relativa à sua força e à sua vontade é infinita. Que boba sou em pensar que poderia de alguma forma lhe enganar ou passar-lhe uma rasteira... Então, estendo-lhe às mãos e ela, impiedosa que é me ignora, me esnoba, me maltrata, me transforma, me transtorna, pois sabe que faz de mim o que bem quer. Diante de minha completa rendição, sou subjugada sem dó e sem perdão.

Aí fala mais alto o meu amor e sou facilmente vencida, refém de sua perfeição, beleza, força e sabedoria. Fico até agradecida pelas pancadas tomadas e peço-lhe desculpas pelas lágrimas escorridas, sofridas, danadas de doídas... !

Aí me lavo de todas as dores e dúvidas. Me perfumo, me arrumo, me aprumo, me ponho bonita e rumo ao seu encontro aberta, serena e coquete. Ela faz que nem percebe e que tanto faz. Entretanto, me faz ver o dia lindo de sol intenso, me empurra para o mar. Faz-me nadar, andar e apreciar, sem inveja, a linda jovem grávida que passa barriga para lá e barriga para cá, bem devagar, exibindo todo o seu mistério.

É, arrefecida estou. Doída, um pouco ainda! Mas, irremediavelmente apaixonada por Ela, a impiedosa VIDA.


terça-feira, novembro 22, 2005

DANADA DA VIDA


DANADA DA VIDA

Hoje estou danada da vida! E quando estou assim é melhor não chegar perto! Que droga é essa de vida que achamos que levamos, quando é ela que nos leva para onde bem quer e entende? Hoje não tenho ilusões, nem sonhos e nem objetivos de que adiantaria?

De que serve todas as experiências, ciências, querências, reticências, eloqüências?

Tudo continua de qualquer jeito do mesmo jeito, sem direção e sem rumo! Resolvi que vou encará-la da forma que ela, a poderosa vida, literalmente espera: NÃO FAZENDO MAIS NADA, SÓ PARA CONTRARIÁ-LA. Vou deixar correr e ver o que acontece.

É que hoje estou danada da vida!

Estou sim! Posso sentir com todas as forças!

E se eu estivesse em pé de igualdade com ela, cara a cara, olho no olho, poderosa, solta, plena e absoluta, daí eu diria: Vai encarar?
Pois que venha!

Venha! Estou pronta para lhe dizer que não adianta querer me levar por ali, pois só vou por onde eu quiser ir. Não adianta me dizer o que é certo ou errado. Tudo é questão de interpretação, de situação, de liberação, de evolução, de constatação e de eliminação. Isto me serve e isto não! Isto é questão de:
E S C O L H A!

E, quando ela quisesse impor a sua vontade, eu diria; NÃO!

Não vou sofrer agora,
Não vou chorar agora,
Não vou deitar agora,
Não vou caminhar agora,
Não vou falar agora,
Não vou morrer agora,
Agora não é hora!

A hora quem vai regular sou eu!
Eu, Senhora do meu destino.
De todos os relógios, biológicos, óticos e óbvios,
Senhora do meu caminho,
Senhora do meu coração,
Senhora da minha querência.

É que hoje estou danada da vida!

Então posso tudo:

Posso não fazer nada,
Posso não falar nada,
Posso não querer nada,
Ou
Posso querer tudo...
Dançar um iê iê iê... Uma valsa... Um Tango...
Pagode, não! É muita ação e hoje estou sem noção.
É questão de ritmo e não de discriminação

Sou mais que canção... Sou Ação!

Posso até voar, se eu quiser. Ou não!

É que hoje, especialmente hoje:

ESTOU, APENAS, DANADA DA VIDA!

quinta-feira, novembro 10, 2005

APENAS AVOANTE



APENAS AVOANTE...

AS IMAGENS FICAM DÚBIAS
O RACIOCÍNIO NÃO EXISTE
O CORAÇÃO DISPARA...
TUM ... TUM ... TUM ...TUM ....

A MENTE ATRAIÇOA
SOA, OUSA...

A VONTADE NÃO PERSISTE
A LUCIDEZ ESCOA
O PESO É POUCO
O CORPO É OUTRO ....
TUM... TUM... TUM...TUM

A VOZ SOME
O SOM NÃO ECOA
A PERCEPÇÃO ENTOA
E A IMAGINAÇÃO SE DOA
TUM... TUM ... TUM ...TUM...

NÃO HÁ O QUE FAZER
NÃO HÁ O QUE SE DAR
NÃO HÁ DE NADA HAVER
NEM SE AVOANTE FOSSE
COM QUERER, SEM QUERER
SEM DIZER, SEM SENTIR
PRA QUE SER ?
TUM... TUM... TUM...TUM...

QUE BOM SERIA SEREIA SER
PRA NO MAR PODER CRESCER,
VIVER, MORRER E NADA TER...

CANTAR SÓ OS SENTIDOS,
TOMAR OS SEUS OUVIDOS,
SEM NADA A LHE DIZER .

CHORAR SEM EMOÇÃO,
SEM SENTIR O CORAÇÃO.
A LÁGRIMA SEM UNIR ,
NAS ÁGUAS DA CANÇÃO,
PARA QUE A EMOÇÃO,
NÃO SE FAÇA DE ILUSÃO,
NAS COISAS DA RAZÃO.

APENAS ASSIM SOAR
NA SOLIDÃO,
UM CORAÇÃO SEM AÇÃO,
SEM NOÇÃO,
SEM CANÇÃO E SEM VISÃO...
TUM... TUM... TUM... TUM... TUM...TUM

segunda-feira, outubro 24, 2005

APENAS SAUDADE



APENAS SAUDADES  




Apenas Saudades, mas não deste aspecto e nem desta época! Saudades de tudo que sonhei, quis e consegui. Ou, não! Realmente as características são bem diferentes de tudo que se pensa. A vida é por demais perfeita e chega até ser mais engraçada do que dramática. É bonita, não resta dúvida! Hoje, já não sei bem o que quero dizer e nem o que realmente quero ou posso... Creio que nunca soube! Em minha opinião a consciência de assumir que nada sabemos já é uma prova de crescimento para a compreensão de nós mesmos... Será que já estou filosofando? Hahahaha... Que coisa mais chata, né mesmo?Mas voltando ao título, a foto, à época... Não, não sinto saudades! Talvez um pouco de tristeza pelas decepções sofridas e causadas... Próprias da idade, da cidade, da liberdade nunca obtida, das falsas ilusões que logo passam e se perdem no tempo, tão presente ainda na recordação. ''Apenas Ysolda'' começa assim.