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domingo, novembro 30, 2008

"DIA DE DOMINGO"




“DIA DE DOMINGO”
De: Ysolda Cabral


Não gosto do dia de domingo
Por mais bonito que amanheça
Fico preguiçosa e isso é muito feio

Não quero fazer nada
Só colocar os pés pra cima
Pegar um bom livro
E esquecer que é domingo

Ir à praia, nem pensar!
Morro de tristeza de ver
Um monte de banhistas
Maltratarem o Mar

Ô dia chato!
Se, resolvo assistir um filme no cinema
- de DVD já estou cheia -
Tenho que enfrentar uma fila imensa
Não tenho paciência
E resolvo mesmo é ficar em casa

Ah, acho que estou ficando insuportável
Isso também é direito adquirido
Então, vou ficar no “Recanto”, ao relento
Lendo e relendo belos textos
E com carinho os guardando comigo.

E você, vai fazer o que?
*********
Publicado no Recanto das Letras

sábado, novembro 29, 2008

DOCE ILUSÃO




DOCE ILUSÃO
De: Ysolda Cabral

A sensação é de partida
O aperto no peito
A dor na barriga
As mãos estão frias
E dedilham um teclado
Molhado de lágrimas

A música suave
Foi especialmente gravada
Para ser escutada
Nas horas mais inusitadas

O pensamento vaga
Arrastando a alegria pra longe
Como uma onda
Trazendo a tristeza de volta
Sem dó e nem piedade

A noite será longa
A saudade invade a alma
Sofrida pelo abandono do nada

Tentando continuar salva e alva
Perambula por dentro de sua casa
Trôpega, presa e desorientada

Convoca o pensamento e o coração
Para juntos se unirem em oração
Num templo destroçado
Por uma doce ilusão.

sexta-feira, novembro 28, 2008

SOU NORMAL






SOU NORMAL
De: Ysolda Cabral


Não tem jeito vou morrer boba
Tudo me encanta, sensibiliza
E também revolta
Não paro quieta nesta selva

Procuro coisas belas em tudo que vejo
Do amanhecer ao anoitecer
Muitas encontro
E me fazem arrefecer... Enternecer

O menino no semáforo
Limpa o vidro do carro
Recebe um trocado
E agradece escondido
É tão bonito

Minha hortelã que sobrevive
Mesmo eu me esquecendo dela
Sou ela

O mar tão agredido
Sofrendo, suplicando um alívio
E mesmo assim tão lindo

O sorriso de minha filha,
A cada manhã, meigo e belo,
Sou dela

As minhas mãos
Cansadas que não param
E os meus cabelos brancos coloridos
Acho o máximo

A minha cara... O meu sorriso...
Eu gosto, acho sensacional
Por vezes não, isto é natural

Será que sou normal?

**********

Na foto Yauanna ( minha filha )

quinta-feira, novembro 27, 2008

EM OUTRA DIMENSÃO


EM OUTRA DIMENSÃO
De: Ysolda Cabral




Escrever para mim sempre foi uma coisa corriqueira e natural.
Não queria saber se estava claro o meu pensamento,
Se o português estava correto e legal.
Eu queria apenas escrever tudo que minha alma ditava, sem restrição.
Então escrevia e ainda escrevo sob forte emoção.

Isso me levou hoje, novamente, ao hospital.
É que a emoção anda tão a flor da pele
Que a pressão subiu e por pouco não explodiu,
Levando-me de vez para outra dimensão.
Ou não...

Enquanto lá me encontrava a espera do desfecho,
No reservado da urgência, só comigo e Deus,
Fiz uma retrospectiva na minha vida e constatei,
O quanto até agora ela valeu.

Queria sair rápido dali e de qualquer maneira.
As lágrimas, pelos cantos dos olhos, molhavam o travesseiro
E senti-las escorregarem pelo meu rosto,
Aliviou a solidão e o cansaço.
E, toda a força da vida em mim prevaleceu.

Levantei-me e me dei alta.
Peguei o carro e vim pra casa.
Cá estou com o Tum... Tum... Apaziguado,
A pressão sob controle
E a emoção em disparada.

**********

Publicada também no Recanto das Letras

DESISTIR DO BEIJO?





DESISTIR DO BEIJO?
De: Ysolda Cabral


Vou desaparecer no ar
Como bola de sabão
Ficarei invisível
E não chamarei atenção

Daí vou até você
Só para baixinho lhe dizer
O quanto amo você

Sei que ficará assustado
Pensará que está alucinado
Eu vou morrer de rir e repetir
Amo você adoidado

Mesmo estando invisível
Minha voz estará no ar
É capaz de alguém escutar

Então não há solução
Vou ter que lhe dizer
Com um longo e profundo beijo
Não existe outro jeito

Porém se assim agir
Correrei o risco de lhe perder
Pois do susto poderá morrer
Ai, meu Deus!
O que vou fazer?


**********


Publicada também no Recanto das Letras

quarta-feira, novembro 26, 2008

RAIO DE FILHA





RAIO DE FILHA
De: Ysolda Cabral



Finalmente descobri que de todas as filhas Dele
Sou a mais trabalhosa e complicada.
Será que sou uma “obra” inacabada?

Todo santo dia me prometo:
Ysolda, hoje vai ser tudo diferente
E cometo os mesmos e imperdoáveis erros.

Com esse meu jeito
De querer tudo arrumado, bonito, certo
E todo mundo feliz da vida;
Meto os pés pelas mãos,
Correndo o risco de ser odiada de todo coração.

Sofro por tudo e por todos,
Junto com o meu próprio sofrimento,
Faço uma salada danada,
E termino afundando no nada.

Belisco-me e digo: acorda!
Tu vives dormindo!
Isso é pesadelo.
Manda embora
E vai ser feliz agora.

Agora é a hora!
E lá de cima Ele me olha
Com calma, paciência
E se pergunta:
Afinal, que raio de filha é essa?

PS. Hoje estou muito feliz.

**********



Publicada tb no RL

terça-feira, novembro 25, 2008

CATÁSTROFE EM SANTA CATARINA


CATÁSTROFE EM SANTA CATARINA



O que está acontecendo em Santa Catarina é terrível e muito triste. Nós, pernambucanos podemos bem imaginar o pesadelo de uma coisa assim, pois todos os anos sofremos algo parecido, não na mesma proporção, evidentemente, mas também muito séria. Muita gente morre, fica sem moradia e os estragos são bem grandes.

Entretanto, a mobilização de ajuda às vítimas, por parte de vários estados, nos deixa orgulhosos e com esperança de que o Brasil ainda tenha jeito. Foi emocionante assistir pela TV a referida mobilização. Paulistas, cariocas, gaúchos, paranaenses... Juntos, unidos, reunindo tudo o que podia servir de alguma forma aos desabrigados.

Foram esquecidos todos os problemas. Da violência, da fome, da pouca vergonha, humanidade e honestidade da maioria dos nossos políticos, enfim...

- Que coisa bonita é o povo brasileiro!!

E, por aqui estamos todos solidários e em oração para que tudo se normalize na vida dos nossos irmãos catarinenses.

Lu Genovez e tantos outros amigos estamos com vocês.


Ysolda Cabral



SOS NO CÉU




SOS NO CÉU
De: Ysolda Cabral


O brilho das estrelas não vem delas
Pelo menos nesta época Natalina
São lágrimas do Universo
Que não está em sintonia

Lavam as estrelas
As fazem reluzir de tão limpas
E derramam sobre a terra
Pequenos sinais de alerta

Algumas delas parecem cometas
Que fazem um “SOS” no céu
Muitos fecham os olhos
Fazendo logo um pedido
Com ou sem escarcéu

Quando menina eu pedia
Traz a felicidade um dia
E ela nunca vinha
É que eu a tinha e não sabia

Passou o tempo e eu cresci
Ficando cada dia menor
Ainda olho pro Céu
Pedindo para me tornar
Uma pessoa certinha
Equilibrada e melhor.

**********

Publicada também no Recanto das Letras.

segunda-feira, novembro 24, 2008

ADEUS





ADEUS
De: Ysolda Cabral


Amo você de maneira intensa
Amo você de maneira pura e bela
Amo você de maneira concreta
Amo você sem nem saber por quê
E parece que isso não lhe interessa

Então, está tudo resolvido
E, com muita clareza lhe digo:
Não precisa fugir
Não precisa temer
Não quero mais saber de você

Vou lhe tirar do meu coração
Da minha alma não consigo não
E nesta vida prefiro morrer
A ter que um dia lhe rever

O beijo que me deu
Roubado por mim
Vou esquecer
Afinal, você não queria não
E ainda teve coragem de dizer

Suas cartas, fotos, flores,
Trevos da sorte
Vou queimar num fogo alto
Com cuidado
Para nem cinza deles sobrar

E as últimas cartas que lhe enviei
Que você prometeu, mas não respondeu
Não as leia, as queime também
Apesar de terem sido escritas com amor
Agora não têm mais nenhum valor

Portanto, adeus
E seja feliz do jeito que for...

domingo, novembro 23, 2008

QUEBRA-CABEÇA





QUEBRA-CABEÇA
De: Ysolda Cabral


Fui juntar os meus pedaços
E foi bastante complicado.
Alguns, eu não achei
E os que encontrei,
Juntei errado.

Fiquei meio esquisita,
Aqui e ali faltando um pedaço.
Parecendo um quebra-cabeça,
Todo mal acabado.

Pensei comprar na loja,
Algo para substituir o que faltava.
Até em ferro velho procurei,
Todavia nada que servisse encontrei.

Assim fiquei num impasse
E na dúvida do que sou agora,
Se gente ou algo não identificado,
Não me interessa mais saber,
Nem quero receber comunicado.

Vou tentar assim viver,
Sem nunca mais me enganar.
Pois se sofri ou se chorei,
Ou se ainda vou sofrer e vou chorar,
Quem irá se importar?

EM PEDAÇOS




EM PEDAÇOS
DE: Ysolda Cabral



Na realidade eu só me permitia
Ser invadida pela música.
Até por que ela entrava sem pedir licença
E fazia de mim o que queria.

Com ela viajava pelos quatro cantos do mundo,
Terminava no espaço flutuando,
E,como gravidade por lá não há,
Flutuava bem devagar.

Olhando as estrelas,
Os cometas,
Os objetos não identificados,
Duvidando até de estar lá...

O nada absurdo que sou,
Ficou claro como a luz,
Levando-me de volta ao Planeta Terra,
Sem preparação ou reserva.

Quando aterrissei,
Logo senti os estragos.
Estava em mil pedaços e espalhados.
Entretanto, me prometo e me garanto:
Serão novamente juntados.
Ah! Se serão...

sábado, novembro 22, 2008

CAMISA DE FORÇA




CAMISA DE FORÇA
De: Ysolda Cabral



Já me chamaram de estrela
Já me chamaram de alegria
Já me chamaram de poesia
E era tudo ironia...

Eu sou é bobeira
Eu sou é chorona
Eu sou uma insana
Eu sou muito pretensa

Pretensa por achar que ainda tenho “cabeça”
Pretensa em pensar ser qualquer coisa
Que não seja poeira deixada pela vida
Sem sorte e sem sina
Em alguma prateleira
Triste e feia

Será que estou sendo muito severa comigo?
Creio que não, é que amadureci em carbureto
Dai fiquei assim, sem nenhum jeito

Rodopiei a manhã inteira
Cai de cansaço na esteira
Fiquei totalmente sem fôlego
E quase precisei de socorro.

No meu Orkut dizia: “a pessoa que lê o seu destino
Foi demitida, casou e morreu...
Enquanto não arrumamos um substituto
Faça algum depoimento para um amigo, bem bonito “...

Sem acreditar no que estava lendo e sem saber
Se era para escrever um depoimento bonito
Ou se era para escrever para um bonito amigo
Entendi o que o Orkut não queria me dizer:

“Uma camisa de força está a caminho pra você.”


Publicado no Recanto das Letras em 21/11/2008Código do texto: T1296231

sexta-feira, novembro 21, 2008

"MOMENTO PARA MIM"

"MOMENTO PARA MIM"
De: Ysolda Cabral


Aumenta o volume do som!!
Quero ouvir a música tão alta, mais tão alta,
Que não ouça mais nada.
Que ela me invada de tal forma,
Que não só espatife meus tímpanos,
Mas também a minha alma...

Que ela me deixe tão louca, mais tão louca,
Que eu perca totalmente a inércia e a aparente calma.
E, já que hoje estou verdadeiramente disposta,
Vou me fazer uma proposta:

Que tal sair por aí?!
Mesmo que esse por aí,
Seja só dentro de minha “casa”,
De onde ainda gosto,
Aprendo, noto, anoto e ainda posso?

Ah, hoje estou mesmo decidida!
Não quero sentir tristeza, raiva, nem pena...
Quero viver plena e serena,
Mesmo que seja por um segundo apenas...

Aumenta o som!!!
Vou rodopiar até cair
E daí?

Se me machucar,
Tenho mercúrio cromo,
Atadura, bolsa de gelo e minha cama...

Ah!
É hoje que vou me esbaldar
E sem sair de mim!
Quem vai me impedir?

*****

Obs. Nome do poema sugerido pelo nobre Falcão Dourado do Recanto das Letras.

quinta-feira, novembro 20, 2008

SOU MATUTA NATA





SOU MATUTA NATA
De: Ysolda Cabral


Estou agora só...
Triste, insegura e com medo.
Coisa danada de esquisita...
Dominada por um sentimento que abomino!

Há muito para fazer...
Não me importo e me deixo vencer.
Pergunto-me por que,
E, eu mesma respondo:
Quem vai saber!

Se eu nem sou eu, neste momento,
Então o medo está perdendo seu tempo
E eu jogando fora o meu lamento.

Ah! Como queria estar longe daqui...
Nalgum lugar a beira de um lago, ou na mata
Afinal nasci no interior e com orgulho assumo:
Sou matuta nata.

Aqui nesta cidade,
Só escuto o canto dos pássaros de madrugada.
O galo não canta avisando que a aurora é chegada.
Chove e não sinto o cheiro da terra molhada.
Afinal, o que faço nesta terra ingrata?
**********
Foto de Caruaru/PE ( minha cidade natal )

quarta-feira, novembro 19, 2008

NÃO DESISTO




NÃO DESISTO
De: Ysolda Cabral


Pisando na areia molhada,
Recolhendo conchas e estrelas do mar
Sem sonho e sem objetivo
Sigo a caminhar

Assim venço toda tristeza
Que a vida faz questão de dar
E sem pensar em nada
Sigo a caminhar

Sentindo o vento no rosto
O sol aquecendo o meu corpo
Que a água, através dos meus pés, tenta esfriar
Sigo a caminhar

O dia iluminado pára
A bela garça por sobre a minha cabeça passa
E escutando as ondas do mar
Sigo a caminhar

De repente fico alerta
Com todos os sentidos aguçados e definidos
Do peito vem a dor e vem o grito
Sem que eu possa impedir ou parar

Mesmo assim... Sigo a caminhar.

terça-feira, novembro 18, 2008

APENAS UM BEIJO


APENAS UM BEIJO
De: Ysolda Cabral

Pela primeira vez na vida
O medo de nunca mais o encontrar
Anulou o seu raciocínio e o seu bom censo
E sem pensar em nada ela lhe roubou um beijo

Sem luar...

Ele pego de surpresa, reagiu
Invadindo-a por completo
Com suavidade, amor e carinho
A fez sua novamente
Apenas com um simples beijo

Sem receio...

Levou-a de volta no tempo
De quando se conheceram
Ou se reconheceram
Quem vai saber a verdadeira trama

O enredo...

Por ela teria permanecido lá
Mas ele não deixou
Trouxe-a de volta para cá

Com zelo...

Ao retornar, aparentemente calma e controlada
Ela partiu triste, desnorteada e sem jeito
Levando no peito um enorme aperto
Pelo medo de nunca mais revê-lo

Que enlevo...

*********************

* Tema sugerido

Publicado no Recanto das Letras
Em 18/11/2008 - Código do texto: T1290201

segunda-feira, novembro 17, 2008

QUE SENTIMENTO É ESSE?



QUE SENTIMENTO É ESSE?
De: Ysolda Cabral


Alegria, tristeza, saudade,
Raiva, desejo e medo.

Ah! Que sentimento é esse...

Que tira o tino,
Que isola,
Que deprime,
Que maltrata,
Que consola,
Que conforta,
Que faz do sonho, pesadelo?

Alegria, tristeza, saudade
Raiva, desejo e medo...

Ah! Que sentimento é esse...

Que amanhece,
Que anoitece,
Que faz feliz,
Que faz infeliz,
Que abandona,
Que encontra e reencontra
Que descobre o coração da gente?

Alegria, tristeza, saudade
Raiva, desejo e medo...

Que sentimento é esse?

domingo, novembro 16, 2008

REENCONTRO



REENCONTRO
De: Ysolda Cabral



Estou vazia e tão repleta de amor...
Como pode uma coisa assim acontecer?
Estou chegando à conclusão
Que sou minha própria ilusão.

E nessa ilusão de ser
Vou a lugares que nunca fui.
Isto é muito assustador...
Será que aqui ainda estou?

Para que serve tanto amor,
Se a vida é tão cheia de desencontro,
Desencanto e causa dor?

De alma partida,
Por tanta vida perdida,
Sofro por não saber
Se reencontrarei a minha vida.

***********

PS. Tema solicitado pela amiga Loirinha

sexta-feira, novembro 14, 2008

NO CÉU DO MEU QUARTO


NO CÉU DO MEU QUARTO
De: Ysolda Cabral


Sem sono me deitei
Procurei imediatamente relaxar
Deixando o sono chegar sem pressa
E bem de mansinho

No meu tempo de criança
Quando isso acontecia
Mamãe dizia conte carneirinho
Que logo o sono vai chegar

Comecei então a os imaginar
No teto do meu quarto
O qual naquele instante
Não era pasto e sim Céu
Azul de encantar

Os carneirinhos de brancas nuvens
Tantos que seria impossível contar
Mesmo que pastora eu fosse
E estivesse também lá

Comecei a me agoniar
Pois se um caísse sobre mim
Como iria lhe cuidar?

Então resolvi pensar em outra coisa
E no Céu do meu quarto apareceu um lindo rosto
Adormeci chorando e com desgosto
Pelo beijo que não quis ou não pode me dá


************

Publicado no Recanto das Letras em 14/11/2008Código do texto: T1283296

quinta-feira, novembro 13, 2008

PINGOS DE CHUVA




PINGOS DE CHUVA
De: Ysolda Cabral



Isso não se faz
Não é coisa normal
Não é uma coisa racional
Não é mesmo nada que apraz
É um sofrimento medonho
Que vem de dentro da alma
Através das lágrimas que caem
Sentidas, doloridas, machucadas
E perdidas que não servem para nada
Nem para molhar a planta que na jardineira
De tão sozinha já não mais encanta
Sobrevive por culpa de alguns pingos de chuva
Que vez ou outra por pena ou pirraça o vento trás
A solidão é tanta e mais que tanta
Que machuca e cai por falta de esperança
Sem firmeza, sem apoio e em abundância
Termina se perdendo num espaço vazio
Onde nem o eco atende ou responde
A vida não é nada santa
Maltrata, tripudia e poucas vezes acalanta
Continuo sem entender
Porque me faço tanto sofrer
Só sendo por querer.
Acho que sou burra
Não por um dia, como a minha linda amiga e poetisa Lu Genovez,
Mas por todas as vidas e não só uma vez.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 12/11/2008Código do texto: T1278859