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segunda-feira, junho 12, 2006

LUZ DE LAMPIÃO


LUZ DE LAMPIÃO


HOJE É DIA DE...
FLORES, JANTAR A LUZ DE VELAS...
AÍ É QUE SÃO ELAS!

DECLARAÇÃO DE AMOR...
É ROMANCE, QUE EMPOLGA, ENCANTA,
ATÉ A ALMA DOS INCRÉDULOS...
MAS ENGANA...
POIS O AMOR VERDADEIRO, PURO E BELO,
QUASE NUNCA ACONTECE...
MAS, QUANDO ACONTECE,
TORNA-SE NATURALMENTE UM ELO,
QUE CONVENCE E ENTERNECE.

ROMEU E JULIETA,
QUE NO MEU ENTENDER DEVERIA SER,
JULIETA E ROMEU...
ASSIM COMO TRISTÃO E ISOLDA,
DEVERIA SER:
ISOLDA E TRISTÃO,
POR QUESTÃO DE CAVALHEIRISMO E EDUCAÇÃO,
TODOS SABEM DA HISTÓRIA,
E NÃO FOI DE GLÓRIA, NÃO!

AMOR NÃO TEM QUE SER...
TRÁGICO, TRISTE,
E, SIM, MÁGICO E AMIGO.
COM PÉ NO CHÃO...

SE NÃO HÁ VELAS,
ACENDA UM LAMPIÃO...
E FAÇA UMA FESTA.
CANTE E DANCE ,
POIS VOCÊ FAZ A CANÇÃO.

O AMOR NÃO É SOFRIMENTO,
NÃO DEVE SER CIUMENTO,
NÃO DEVE SER ILUSÃO.
DEVE SER, NO SEU TODO,
COMPLETO E DISPOSTO,
A COMPLETAR UM AO OUTRO,
PARA NÃO SE TORNAR FICÇÃO...

MEU AMOR É ASSIM:
UM ELO FECHADO E SÓLIDO,
E ASSIM FAÇO A FESTA, SEM PRECISAR
DE FLORES, LUZ DE VELA OU LAMPIÃO.

sábado, junho 03, 2006

SEM RETORNO




SEM RETORNO


SE VOCÊ QUER FECHAR A PORTA,
NÃO ABRA.
SE VOCÊ QUER ABRIR,
NÃO FECHE.



SE VOCÊ QUER FALAR,
NÃO CALE.
E, SE VOCÊ QUER CALAR,
NÃO FALE.



SE VOCÊ QUER SORRIR,
NÃO CHORE.
SE VOCÊ QUER CHORAR,
NÃO SORRIA.



SE VOCÊ QUER SER VERDADEIRO,
NÃO ENGANE.
SE VOCÊ QUER ENGANAR,
VOCÊ SE SUBESTIMA.
QUE SINA... MENINA!!!



E ASSIM VOCÊ VAI,
SEM SABER AONDE,
E AONDE É UM LUGAR,
QUE VOCÊ CHEGA,
E NÃO SABE COMO.


E, QUANDO LÁ VOCÊ CHEGAR,
NÃO PENSE NUNCA EM VOLTAR,
POIS O CAMINHO PERCORRIDO,
FOI VARRIDO, ESQUECIDO,
NEM A POEIRA SOBROU.


E, SE SOBROU,
O VENTO SOPROU,
ESPALHOU,
JOGOU POR TODOS OS CANTOS...


TANTOS CANTOS...
QUE POR MAIS QUE VOCÊ SEJA TANTOS,
NÃO RETORNARÁ,
NEM POR TODOS OS SANTOS
AH! QUANTAS ILUSÕES DEIXAMOS,
NOS CAMINHOS PERCORRIDOS...




segunda-feira, maio 22, 2006

PARAR NO AR



PARAR NO AR



QUERIA HOJE
PARAR NO AR,
PARAR A VIDA,
IGUAL AO BEIJA-FLOR,
QUANDO COLHE O NÉCTAR DA FLOR.

QUERIA HOJE SENTIR A VIDA,
DE FORMA MAIS INTENSA QUE O NORMAL...
NORMAL NÃO PARECE COM VIDA,
PARECE MAIS COM COISA IGUAL.

QUERIA HOJE SENTIR O CHEIRO
DE TERRA MOLHADA,
OUVIR A CHUVA CAIR NO TELHADO,
E NÃO, NO ASFALTO!
SENTIR O FRIO DE INVERNO,
AGASALHADA POR UM MACIO COBERTOR.
AMANHECER OUVINDO O GALO CANTAR...

QUERIA HOJE FICAR EM CASA,
ME SENTIR ACONCHEGADA,
NUM VELHO E FOFO SOFÁ.
UM BOM LIVRO PARA LER,
UMA HISTÓRIA PRA CONTAR,
ALGUÉM QUE QUISESSE OUVIR,
SEM PROCURAR PERSCRUTAR...

QUERIA HOJE MUITA COISA,
OU QUASE NADA.
É QUE HOJE ESTOU,
COMO UMA GOTA DE ORVALHO,
NUMA PÉTALA DE FLOR...


quinta-feira, maio 11, 2006

MEU AMOR POR VOCÊ É ASSIM


MEU AMOR POR VOCÊ É ASSIM
(DEDICADO A MINHA FILHA)

Se você fica triste,
Eu também fico.
Se sinto que algo a preocupa,
Não durmo de tanta preocupação.

Se algo lhe falta, lhe cala...
Qualquer coisa mesmo,
Perco o rumo…Tiro o pé do caminho...
E grito... E xingo... E assim,
Perco o tino.
Se você sofre alguma injustiça,
Morro por me sentir impotente,
Diante do fato.
E se um dia você for magoada,
Usurpada de algum direito legítimo,
Não ficaremos aniquiladas.
Juntas lutaremos,
Removeremos montanhas...
Se preciso for.

Eu sou assim...
Não sei ser eu, sem você em mim.
Feliz, leve e solta...
E só em mim, sinto você,
Como você é:
Inteira, completa,
Segura de ser, segura de si,
E segura de mim.

Sendo você parte de mim,
Me protejo, lhe protejo,
Me envolvo, lhe envolvo,
Lhe abençôo,
E assim...
Abençoada sou!

Você é tudo para mim,
É tudo em mim,
É o melhor que existe em mim.
Se você for sempre feliz, também serei.
E se não, a farei entender,
Que a vida é assim,
Para percebermos
Os seus verdadeiros sentimentos
E seus reais valores.

sábado, maio 06, 2006

FUGINDO DO CONTEXTO







FUGINDO DO CONTEXTO


SEI QUE NADA SEI
SEI QUE NADA SOU
SEI QUE NÃO ESTOU

EM MIM
AMANHÃ TALVEZ


MUITO GRANDE, ÀS VEZES, É A DOR
O ENTENDIMENTO NÃO ACONTECE
O SOFRIMENTO RASGA O PEITO
PARALIZANDO A GENTE
QUE SENTE E VIVE AMOR

O DESENCANTO ACONTECE
A ILUSÃO DESAPARECE
O SENTIMENTO ENLOUQUECE
E VAMOS PERDENDO A RAZÃO
E FICAR ASSIM
NÃO SEI NÃO

NÃO ADIANTA CHORAR
NÃO ADIANTA PENAR
NÃO ADIANTA PERDOAR
O QUE ESTÁ FEITO
ESTÁ FEITO

SE ASSIM FOR
NÃO TEM FEITO
AQUILO QUE NÃO TEM CONSERTO
NO SONHO ESTÁ DESFEITO
ACORDAR RÁPIDO É O JEITO
PARA NÃO SOFRER MAIS DOR

E MESMO SEM CONSERTO
FUGINDO MUITAS VEZES
DO CONTEXTO, INSISTO E VOU

E ASSIM, COM A DOR DIMINUÍDA
OU CONTROLADA NO PEITO
SIGO À PROCURA
DE UM SUAVE DESFECHO
PARA QUE ELE SEJA SÓ DE AMOR
.

terça-feira, abril 25, 2006

UM EQUIVOCADO DESFECHO



UM EQUIVOCADO DESFECHO


ANJO DE GUARDA SOU,
SEM GRANDE SERVENTIA...
ANJO DE GUARDA TENHO.
COITADO...
VIVE EM AGONIA!

ANJO DE GUARDA,
EU VIA, SENTIA, QUERIA.
E COMO NADA RESOLVIA,
POIS VIA QUE NADA HAVIA,
PARA GUARDAR UM DIA,
RESOLVI QUERER MAIS NÃO.
E QUERIA!
APENAS NÃO SABIA...

JÁ QUE NADA TINHA,
SOFRIA NA INCERTEZA,
DA NOITE GUARDANDO O DIA.
E ELA RIA SEM PIEDADE,
NO ESCURO DO IMAGINÁRIO...
AH! QUÃO TOLA EU SERIA,
EM CONFIAR-LHE MEUS DIAS,
QUANDO NÃO MUITO ILUMINADOS.

HAVIA DE TER LUZ
NA NOITE DO MEU DIA.
HAVIA DE TER, EU QUERIA!

E VIA QUE, SE NADA HAVIA,
NA NOITE DO MEU DIA,
TAMBÉM NÃO HAVIA,
NEM MEDO E NEM SOLIDÃO.
EU SABIA, SENTIA, QUERIA...

QUERIA UM ANJO DE GUARDA,
PARA ME GUARDAR,
DAQUILO QUE DESCONHEÇO,
MAS QUE PREVEJO,
UM EQUIVOCADO DESFECHO.




terça-feira, abril 18, 2006

SE HOJE FOSSE O MEU ANIVERSÁRIO



SE HOJE FOSSE MEU ANIVERSÁRIO

EU DIRIA:


HOJE NÃO QUERO ANIVERSÁRIO,
NÃO QUERO FESTA,
NÃO QUERO BOLO
E NEM BRIGADEIRO.

HOJE NÃO QUERO FOLIA,
SOU TODA AGONIA,
NA NOITE DO MEU DIA,
QUE É DE TRISTEZA,
E NÃO, DE ALEGRIA.

HOJE, NÃO QUERO CONVERSA,
NÃO QUERO OUSADIA,
NÃO QUERO EUFORIA ,
SÓ QUERO FICAR QUIETA.
SERÁ QUE ALGUM CANTO ME RESTA?

NÃO ME LEVE A MAL,
NÃO É NADA PESSOAL,
ISTO PASSA...
SEI QUE PASSA,
POIS NEM TUDO É REAL.

OLHO PARA O ESPELHO,
ELE NÃO ME REFLETE.
NO MÍNIMO, ME ENLOUQUECE,
MAIS ISTO NÃO ACONTECE.

E ASSIM MEIO TORTA,
TRONXA MESMO,
NUNCA QUIETA,
RESOLVO O CONTRÁRIO.
E FAÇO EM MIM
UMA GRANDIOSA FESTA

sexta-feira, abril 14, 2006

DESEJO DE MULHER GRÁVIDA




DESEJO DE MULHER GRÁVIDA


Quando estava com Yauanna na barriga, pensava como seria ela quando moça. Não conseguia imaginar por mais que me esforçasse e isto me deixava assustada. Na minha cabeça maluca achava que isto não era bom sinal. Eu pensava: será que vou ter mesmo minha filha? E dava uma dor danada no coração, um frio na barriga e corria para debaixo do chuveiro para me acalmar. Deixava a água escorrer pelo meu corpo e sentia que ela dava pulos de alegria. Aquilo me acalmava de forma inexplicável.

Não foi fácil minha gravidez por conta do medo de não conseguir tê-la e tudo me alarmava de forma intensa. Entretanto, eu estava radiante, pois supunha ter feito uma grande descoberta: desejo na gravidez não existia. Era pura frescura de algumas mulheres para chamar a atenção dos maridos... Aquelas conversas que me contavam alguma amigas de terem tido desejo de comer fruta verde, fora de época e não sei mais o quê... Eu ouvia e intimamente mangava delas descaradamente e maldosamente.

Muito bem. Minha barriga crescia a olhos vistos e eu já não cabia em nenhuma roupa. Resolvi desenhar algumas bem bonitas e bem folgadas. Comprei uns tecidos floridos, leves e minha tia, Maria José, me levou no ateliê de uma famosa e habilidosa modista que costurava exclusivamente para as mais chiques lojas do Recife para que ela executasse as minhas “criações”. Lá chegando, observei que seu ateliê ficava no térreo de sua linda e enorme casa. Entrei meio constrangida e dei de cara com um ambiente simples, muito bonito e agradável. Ela, a modista, simpática e gentil, me levou até uma enorme mesa, abriu o pacote dos tecidos e os meus desenhos.

Começou a me perguntar uma série de coisas e pasmem: EU NÃO CONSEGUIA OUVIR ABSOLUTAMENTE NADA. APENAS, PERCEBIA O MOVIMENTO DE SEUS LÁBIOS.

Minha tia percebeu e se assustou. Chegou até a mim e me sacudiu. Foi quando eu me ouvi perguntar à gentil modista: O CUSCUS VAI DEMORAR A SAIR DO FOGO?

Eu babava, literalmente! Que vergonha!!!

quinta-feira, abril 13, 2006

SEM ESPAÇO NA ALMA



SEM ESPAÇO NA ALMA
QUANDO A TRISTEZA É PROFUNDA,
O SORRISO DESAPARECE, EMUDECE...
A VONTADE DE DESISTIR INSISTE,
PERSISTE E RESISTE...
SEM PEDIR LICENÇA,
FECUNDA,INUNDA,TRANSBORDA,
ASSOLA E SE LANÇA SEM ESPAÇO NA ALMA.


CONFIANÇA, SE NÃO EXISTE,
DESISTA!
E SABER O QUE MAIS DÓI,
É BESTEIRA, TOLICE...

SEMPRE ESCREVI, ESCREVO E
AINDA VOU ESCREVER,
MESMO SEM CANTO E SEM POESIA,
AS COISAS QUE SINTO,
EM MOMENTOS DISTINTOS,
QUANDO ME DEIXO SEM SINTONIA...

NÃO COLOCO RIMA, POIS RIMAR NÃO SEI.
E, MESMO COM AMOR, SÓ SEI RIMAR AMOR COM DOR...
E NÃO SEI AMAR ASSIM...
DESTRUIRIA A LIRA E A RIMA,
E MINHA ALMA DE TÃO TONTA...
FICARIA PARTIDA, CAÍDA ...
SENTIDA...

NÃO SEI CALAR QUANDO GRITO,
NÃO SEI GRITAR QUANDO CALO...
SOU TODA O CONTRÁRIO...
ÀS VEZES NÃO SEI O QUE SINTO,
O QUE PENSO OU O QUE DIGO...

QUANDO SINTO DOR, DÓI PRA DANAR,
E DEMORA A PASSAR
E QUANDO PASSA,
A MARCA FICA E VINGA...
FICANDO COMO TATUAGEM NA ALMA,
DE FORMA DEFINITIVA...

ALEGRIA, TRISTEZA, CERTEZA,
DE QUE LOUCA SOU EM ACREDITAR,
QUE AINDA SOU...
QUANDO SEI QUE NADA SOU.

CRIANÇAS, FLORES, AMORES...
CANÇÃO, AÇÃO, SEI NÃO!
CANTAR, SOAR, MAIS NÃO...
SERIA EM VÃO E , SE É ASSIM,
QUERO NÃO!

DORES... HORRORES...
LOUVORES... QUEIMORES...
SOLIDÃO... ENTÃO?
MAIS NÃO!
CHORAR,SARAR, PARAR...
TEM COISA,
QUE NÃO TEM JEITO, NÃO!

sexta-feira, abril 07, 2006

MÁSCARA DOS ENGANOS





MÁSCARA DOS ENGANOS
(EM TEMPO DE PÁSCOA)


QUANDO O SOL SE PÕE, E A NOITE CAI

CAI A MÁSCARA DOS ENGANOS
E SEM ENGANO VOCÊ VAI.


SORRINDO COM TRISTEZA
NAS MÃOS SEM ESPERANÇA
TRAZ, NO MÍNIMO, UMA BERETA
OU ALGO MAIS...


E ASSIM
INSISTINDO NESSA AGONIA,
VIOLENTA, SANGRENTA
E SEM POESIA
VOCÊ VAI...

SABE QUE APENAS

DEIXAR-SE-Á MORRER
FORA DE HORA, EM QUALQUER DIA.
NÃO ADIANTA FICAR TRISTE
E NEM TENTAR JUSTIFICAR
TALVEZ ALGO O FAÇA DESPERTAR.

E ASSIM ENTENDERÁ

QUE A VIDA, ENFIM, VALIA
VALIA MUITO MAIS
DO QUE LHE PARECIA.





quarta-feira, março 29, 2006

TEMPO DE PÁSCOA


Tempo de Páscoa



É tempo de reflexão.
Pode até ser inútil e enfadonho,
Pois as coisas do jeito que estão,
Não têm mesmo solução!


Ressurreição do * “Túmulo Falcão”,
Os meninos terão não!
Um fulano disse:

(Em cadeia nacional)
Se eu conseguir salvar, pelo menos, um,
Me darei por satisfeito.


Um? Apenas Um?
Nem este um será inteiro.
Parido, partido, sofrido...
Medonho da vida...
Como terá satisfação?
Quietação?
Orientação?
Determinação?


Está tudo errado,
E fora de Lugar,
De padrão,
E de Patrão.


O porão está repleto,
De gente sem coração,
Sem imaginação,
Pegando carona no deserto,
Numa escalada sem perdão.


A correria é grande...
Quem faria, um senão?
Um doido qualquer,
Sem juízo e sem noção.


Se Jesus Cristo voltasse,
Agora para esta terra,
Não havia,
nem seria,
Salvação.


Vamos, então, comemorar,
Comemorar a ressurreição.
Com chocolate, pão,

Peixe e vinho...
Mas sem nenhuma ação?


* Vítimas do tráfego de drogas.

quarta-feira, março 22, 2006

ENQUANTO HOUVER LUA E SOL


Enquanto Houver Lua e Sol
(Publicado no Jornal Vanguarda em 21 de outubro de 1984)

A gente nasce, cresce no tamanho e estaciona. Por dentro, a cada dia, observamos que continuamos a crescer. Passamos da infância para a adolescência e desta para maturidade e, quando chegamos à maturidade percebemos que somos tremendamente infantis, adotando, às vezes, comportamentos tão bobos, que nem na infância ou adolescência chegamos a assumi-los.

De repente, nos vemos velhos por fora e por dentro estamos apenas engatinhando. É UM CHOQUE! – Muitos começam a freqüentar academias de ginásticas, pintar os cabelos, tirar as rugas daqui e dali juntar-se a rodinhas de boy´s e cocotas. Andar de bicicletas, motos e nos pisantes, um tênis. Na cabeça de ralos cabelos, OS SONHOS. No estômago porções para rejuvenescimento, afrodisíacos, iogurtes e má digestão. Nos gestos, a esperança vã dos dias voltarem.

Já para outros, este estágio serve, para aprimoramento do seu EU mais profundo. È um despertar consciente e adulto da necessidade de se colocar a vida no lugar e isto, se o tempo for suficiente e favorável...

Bom mesmo é quando este despertar ocorre cedo. As probabilidades de chances para um crescimento espiritual, capaz de lhe colocar acima dos píncaros do mundo, são maiores. É quando você pensa em DEUS e sente o quanto sua bagagem é pobre para a “viagem” que você tem que fazer, e lamenta as oportunidades perdidas. Procurar Padre? Pastor? Espíritas? Analistas? NÃO. Procurar você mesmo e tentar se encontrar.

Garanto que não é nada fácil; é mais difícil do que se pensa e o pior é que às vezes vem o desespero, a agonia e o medo de que sua bagagem não tenha absolutamente nada para oferecer em retribuição a Quem lhe deu o maior presente: A VIDA.

sexta-feira, março 10, 2006

CAMINHADA A BEIRA MAR









CAMINHADA A BEIRA MAR




No último dia 08, “Dia Internacional da Mulher” foi muito comemorado, divulgado até com certo exagero, estardalhaço mesmo! Seria alguma forma de reivindicação para um resgate de algo que parece estar desaparecendo?



Comecei o dia com uma boa caminhada a beira mar. O dia estava lindo e o mar quase cheio, às sete da manhã, convidava para o banho. Sentindo as ondas acariciarem meus pés, caminhava lentamente apreciando toda sua beleza. A beleza do dia, das pessoas que passavam... Umas vindo e outras voltando, nas mais variadas “formas de gente”. Comecei a imaginar a vida de cada uma delas. Algumas:



Bem iguais.
Outras, bem distintas.
Únicas mesmo!
A maioria era de:
Gente bonita, de vida difícil,
Gente feia, de vida fácil.
Gente bonita, de vida fácil.
Gente feia, de vida feia.



Imaginei se fosse diferente... Qual seria a beleza e a graça?



Olhei então para mim e o que vi foi uma sombra enorme na horizontal, refletida na areia que me acompanhava fiel e em perfeita harmonia com o céu, a terra e o mar... 1,2,3, 4 respiro... 1, 2, 3,4 respiro... E sem perder o fôlego, lá ia eu na beira do mar... 1,2,3,4...



De repente, algo de inusitado me chamou a atenção: era um homem, de meia idade, em plena forma, que corria com um lindo buquê de rosas vermelhas na mão. Sorri escancarado e feliz por homens assim ainda existirem e, por perceber a cara de espanto dos rapazes que faziam uma espécie de surf, ali na beirinha do mar, com um esquisito objeto de madeira redondo.



E, exatamente como eu, que nunca tinha visto aquele esporte, eles também nunca tinham visto um homem correndo, com um buquê nas mãos. Por pouco, não levaram um tremendo tombo.



Continuei... 1, 2, 3,4... E conjeturando: o que aconteceu de tão grave para a maioria dos homens esquecerem o valor de declarar o seu amor à mulher amada, através de um buquê de rosas vermelhas ou, simplesmente, uma rosa, símbolo de tão belo sentimento?



O que aconteceu com o cavalheirismo? Com a conquista, através dos belos gestos e toda a grandeza do sentimento puro, nobre e simples?



A mulher feminina, elegante, educada, frágil desapareceu? Claro que não! Por mais moderna que ela seja, existe e existirá sempre. Pode até ficar bem escondidinha esperando apenas ser encontrada pelo príncipe encantado. Leia-se um cavalheiro, romântico e bem educado. Daí então:



Ela saberá amar como nenhum outro ser.
Deixa-se cuidar...
Proteger...
Sendo, ela quem cuida e protege.
MAS, ELE NÃO PRECISA SABER!



Por mais que nós mulheres tenhamos contribuído para uma catástrofe tão grande acontecer, ainda existe o desejo de sermos tratadas com delicadeza e romantismo. Precisamos deixar visível nossa fragilidade, delicadeza, mesmo que ela seja só aparente. Quem sabe assim, consigamos resgatar tanta coisa linda e significativa para nós e que nos faça, cada vez mais, florescer, perfumar e continuar mulheres plenas e belas.


Vamos dar um basta para o pensamento de que os direitos são iguais e tal. Pois eles não são!



TEMOS MUITO MAIS DIREITOS, SOMOS MULHERES!



PARE! DEIXE-ME PASSAR!



...1, 2, 3,4... RESPIRO... 1, 2, 3, 4



PS- MEU LINDO E CAVALHEIRO DÃOZINHO NÃO ME DEU ROSAS, NESSE DIA MAS, ME DEU O COLAR DA FOTO QUE ME DEIXOU MAIS BELA. Hahahahaha








sábado, março 04, 2006

REALIDADE DO SONHO


REALIDADE DO SONHO


É APENAS LEMBRANÇA
ÀS VEZES PEQUENA
QUE ÀS VEZES ENGANA
E NEM SEMPRE SE LANÇA
NO UNIVERSO DA ALMA

SE SENTIMOS VIVER
NO SONHO DORMINDO
QUANDO ACORDADOS
PARECEMOS MORRER

É DESENCONTRO NA VIDA
É DESENCONTRO DE SER
E SENDO SEM QUERER
NÃO TEM SENTIDO PRA SER

SONHAR ACORDADO
NÃO VALE ACORDAR
POIS ACORDO NÃO HÁ
NA VIDA DO SONHO
DO SONHO SONHADO
QUERIDO, AMADO
SOFRIDO, MOÍDO
TOMADO, TORNADO POSSÍVEL
POSSÍVEL IMPROVÁVEL


SENTIMENTO SE TEM
PARA VOLTAR , ESTAR E SEGUIR
SEGUIR NO DISTINTO
SENTINDO NO TINO
DO TINO QUE É CERTO
DO INCERTO TEMPO
QUE HÁ DE VIR

domingo, fevereiro 26, 2006

SÁBADO DE ZÉ PEREIRA


SÁBADO DE ZÉ PEREIRA
São exatamente 23:h00 de um sábado. Não de um sábado qualquer.


É sábado de “ Zé Pereira”. (ZÉ-PEREIRA. No sábado de carnaval, sai o zé-pereira, tendo como máscara uma cabeça maior do que o tamanho normal, seguido de foliões que, com muita alegria, cantam: - "Viva o zé-pereira! / Que a ninguém faz mal! / Viva o zé-pereira! / No dia do carnaval!". O zé-pereira é de origem portuguesa e, em Portugal, ele aparece não somente no carnaval como também nas festas locais e romarias. No Brasil, o zé-pereira só aparece no Sábado de carnaval e a letra da música é brasileira. Origens brasileiras: Zé Pereira é apelido dado ao português José Nogueira de Azevedo Paredes, sapateiro no Rio de Janeiro. Na segunda-feira do carnaval de 1846, José Nogueira juntou os amigos e realizou uma barulhenta passeata pela Rua São José. Acontece que os participantes trocaram o nome do português José Nogueira por José Pereira, daí a denominação Zé Pereira. Fonte: Dicionário do Folclore para Estudantes)


E eu aqui em frente deste monitor pensando na alegria do carnaval que toma conta das pessoas pelas ruas das cidades.

Alegria verdadeira? Não sei... Talvez para alguns poucos privilegiados.



Creio que a maioria dos foliões se entrega de corpo, alma e coração ao carnaval como forma de dar trégua a dor, a tristeza, o desanimo e a solidão. Na quarta-feira tudo volta ao normal. A mágica acaba... Fica apenas o cansaço da volta à realidade.



Alguma coisa muda, é verdade. Algumas, irremediavelmente. As fantasias são guardadas no baú do coração. A lembrança se faz presente, por vezes, numa foto qualquer jogada ao acaso dentro de uma gaveta de um armário, também, qualquer. Com o tempo; amarela, enverga se deteriora e a imagem desfocada nem na lembrança se fará mais visível.



Ontem estive entre eles, os foliões. Pensei: quero ser um deles e não fui. Olhei, apreciei alguma coisa engraçada. A decoração bonita. Tudo muito colorido e iluminado. As pessoas se exibiam conforme suas crenças, gostos e entendimentos.



Um folião me chamou a atenção: era pequenino, talvez de uns 10 anos, pés no chão, roupas maltrapilhas e uma caixa nas costas, pendurada por uma alça de um cinturão velho. Não era um folião fantasiado de engraxate era um menino engraxate, fantasiado de esperança em encontrar um par de sapatos. Não para calçar... Para ganhar alguns trocados. Talvez, para comprar o pão e levar para casa?


Fiquei a imaginar se conseguiria e senão; como se sentiria, no meio de toda aquela suposta alegria, com a caixa nas costas, de mãos e barriga vazia? O que teria levado aquele pequeno menino a achar que ali, poderia encontrar algum sapato para engraxar? Desespero somado a ilusão de que no carnaval a magia aconteceria para ele? Que sentimento se faria presente naquele pequenino coração, no meio daquela multidão, quando percebesse que nada conseguiria? Me pareceu tão só e tão indefeso ...


De repente sumiu na multidão, deixando um vazio enorme ...

Assim terminou o meu carnaval de 2006.





terça-feira, fevereiro 21, 2006

COMO ADOLESCENTE


Como se ainda adolescente fosse


E se fosse proibido pensar, sentir, sonhar, respirar?

Realmente as coisas estão ficando cada vez mais difíceis de entender... Complicadas mesmo!

O segredo é nunca desistir? Não sei não...

Sinto que algo dentro de mim está a ponto de explodir. É uma revolta contida contra tudo àquilo que é injusto, que não é certo. Estou cansando de ter compreensão e paciência a todo instante, até porquê, não tenho estas qualidades. Apenas, faço de conta e isto me custa um bocado. Ou não?

Vou me deixar ser impaciente, incompreensiva, indisciplinada, debochada, valente, ou, medrosa. Assim, tudo se tornará mais fácil e mais lógico.

Meu imaginário, é amplo... Se espalha por todo o universo e me leva na velocidade que eu quero ou na sua própria velocidade. Ele me conduz para um lugar onde todos são iguais. Ninguém é melhor que ninguém, a justiça é válida para todos. Não existe intransigência, poder, ganância... Ninguém manda em ninguém e todos são verdadeiramente por si e por todos. O mal, a inveja, a intriga, a mentira, a falsidade, também não há.

Qualquer atropelo é exterminado, banido, desaparecido da existência humana. Os pássaros não têm receio de voar... As crianças podem brincar.. Todos têm o direito de ir e vir, de ser e de estar...

Percebo que não cresci muito desde que era criança... Continuo a mesma de sempre, desabafando de forma que não entendo e como se ainda adolescente fosse.

Não é mesmo uma maravilha?

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

TEMPO SEM JEITO



TEMPO SEM JEITO

É CONTRÁRIO DO MEDO
QUE CAUSA MUDANÇA DE TEMPO
DE ESPAÇO E NO ESPAÇO SE LANÇA
SE LANÇA COM JEITO, DO JEITO DE AÇO
DO AÇO SEM JEITO.

MUDANÇA DE TERMO
SEM CONSERTO, ARREMESSO AO ERMO
SEM VERMOS...
SENTIR O CONTRÁRIO, O CONTRÁRIO DO MEDO
NO FUNDO DO AVESSO

ENCONTRAR O PERFEITO
PERDENDO O CONTEXTO, DO TEXTO
DO VERBO, SEM NEXO
SEM ELO, COM ZELO .

COMO O VERSO DO REVERSO
REVERSO QUE É AVESSO
DO AVESSO CRIADO,
CRIADO AO ACASO
ACASO DO NADA E DO NADA
ENTONTEÇO!

POR ALGO PERDIDO
NO CAMINHO TOMADO
TORNADO POSSÍVEL
POSSÍVEL IMPROVÁVEL
PROVÁVEL SEGREDO,
ENREDO, ENLEVO, SOBERBO
MORRE A ESPERANÇA
FICA A LEMBRANÇA
DO QUE FOI, DO QUE SERIA
E SE PODIA, DO QUERER
QUE É INCERTO

EU APENAS DIRIA
SENTIA, SABIA
PODIA, VIVIA
OU MORRIA
MORRIA DE MEDO
DO MEDO DO AVESSO
AVESSO DO TEMPO
DO TEMPO SEM JEITO
DO JEITO DE SER, DO SER QUE EU SEI
QUE AINDA NÃO SOU
MAS QUE UM DIA SEREI

domingo, fevereiro 05, 2006

LÁ SE FOI MARIA



*Artigo publicado no Jornal Vanguarda de Caruaru, em 24 de setembro de 1973. Segundo meu pai, e meu avô, este é o meu melhor artigo.


- Lá se foi Maria –


Dona Maria morreu. Ninguém se conformou. Pessoa boa, não resta dúvida. Mas que adiantou ser boa? Viveu é certo, porém, para que, ninguém sabe. Não queria ir, mas foi. Não queria sofrer, mas sofreu. Não queria viver, mas viveu. Tudo isto é gozado. Pessoa alguma quer, mas tem que aceitar. Por quê?

Lembro bem que um dia ela olhou para mim, com sua maneira gozada de dizer as coisas, e falou: “ apesar de tudo fui feliz”. Vida boa ela teve? Não acredito. Trabalhava, lavava, passava... Mas chorava. Outra coisa, porém, ninguém via, pois ria, cantava, dançava...

Morreu Dona Maria. Ninguém ria nem dizia: Ela era Luzia... Era simplesmente Maria.

E agora?...

Que faremos sem Maria ou Luzia? Nada. Antes era ela alguma coisa? Não. Era simplesmente um ser que algum dia produzira mais um ser ou, talvez, diversos; era quem dava alguma coisa de si a outrem sem nada exigir; era quem muitas vezes passava a noite sem dormir, dando mama a uma criança recém nascida. Perguntar-se-ia; seria dela? Isto é que não!

Não fui prestar minha última homenagem a Maria... De que adiantaria?

Sinto uma revolta dentro de mim... Ela era tão boa... Tão de todos, e morreu... Por que? POR QUE VIVEU. Ela não pediu para viver, mas viveu; ela não pediu para sofrer, e sofreu. Ela pediu para morrer? Não acredito! Pediu sim para não morrer, mas morreu...

Um dia falaram-me: “ as pessoas boas sofrem aqui, como todas, porém, quando morrem, vão para um lugar que os injustos, canalhas, prepotentes, orgulhosos, enfim nunca irão lá."

Pelo que deduzo, nunca mais vou te encontrar Maria ou, talvez, quem sabe... Se esse dia chegar, eu te direi: sabe, eu gostaria de te ver novamente; apertando o seio que um dia, fresco, belo, enérgico e que partira sem aquele viço de outrora, a falar-me: Ysolda, volto para a humanidade sendo sempre aquilo que um dia quis ser: MARIA.


(Dona Maria, era nossa vizinha. Tratava-se de uma senhora linda, cheirosa e adorável que todos amavam por sua alegria de viver)

domingo, janeiro 22, 2006

TAMBOR DO ENCANTADO



TAMBOR DO ENCANTADO

O SONHO É IRREAL
O PESADELO É REAL
O SENTIMENTO É DE SOLIDÃO
E SOLIDÃO É SEDIMENTAÇÃO
O PENSAMENTO NÃO SE EXPANDE
E NO ESPAÇO SE LANÇA
E NADA, ABSOLUTAMENTE NADA,
ALCANÇA

QUISERA SER SEMPRE
PRIMAVERA EM COR
COM RAIOS DE CALOR
AROMA SÓ DE AMOR
FUGIR DO VENDAVAL
SEM TER UM IDEAL
DE SER OU DE NÃO SER
APENAS DE ESTAR
PRIMAVERA EM COR

FICAR SEM CONFUSÃO
SABENDO A ORAÇÃO
PARA O IR E SE VOLTAR
SABER O RETORNAR
COM CONSCIÊNCIA DA DOR
SEM SER UM SOFREDOR
NA BUSCA DO PORVIR
QUE DE TANTO PROCURAR
DEIXA DE SERVIR

SERVIR SEM RESTRIÇÃO
TODAS AS ILUSÕES SENTIR
SABER QUE A EXISTÊNCIA
QUANDO SEM CARÊNCIA
NÃO HÁ NECESSIDADE
DO SORRIR

SORRIR ESCANCARADO
DE CORAÇÃO ATRAPALHADO
DE RITMO COMPASSADO
TOCANDO ALEGREMENTE
NO TAMBOR DO ENCANTADO
RETUMBANDO SÓ AMOR

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Y A U A N N A


YAUANNA

É SONHO ENCANTADO
É REALIDADE PALPAVEL
FEITA
DE FLOR, AROMA E FRESCOR


ELA É TUDO DE MELHOR
DE MIM
PUREZA, LEVEZA
UMA BRISA COM CERTEZA
QUE SOPRA DA ALMA PARA FORA
E DE FORA VEM PARA DENTRO
E FICA E VINGA SÓ AMOR

É PLANTA FORTE E BELA
REGADA NA MEDIDA EXATA
PARA SER ELA
ETERNA CRIANÇA EM MIM

O QUE DIZER MAIS
DESTA FILHA LINDA
AMIGA, QUERIDA
SAPECA, ETERNA MENINA?

QUE É UMA ESTRELA DO CÉU
NO FIRMAMENTO DE MIM?!