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terça-feira, dezembro 09, 2008

EM PECADO MORTAL


EM PECADO MORTAL
De: Ysolda Cabral



Mamãe cozinhava divinamente e tinha sempre muito cuidado para que nossa alimentação fosse sempre bem balanceada. Entretanto, era difícil controlar a minha, uma vez que eu adorava bolo, doce e refrigerante. E, por mais que ela insistisse, não havia jeito de me fazer tomar leite, chá, café ou suco. Até mesmo água, eu detestava.

Nessa época meu negócio era prestar bem atenção na aula para não precisar estudar em casa, e, assim, ter mais tempo de brincar e andar de bicicleta.

Na rua que morávamos, em Caruaru, ficava a fábrica da coca-cola minha parada obrigatória depois da corrida de bicicleta que ganhava dos meus amigos (meninas e meninos) quase todas as tardes. O prêmio era uma ou mais de uma garrafa de coca-cola que eles pagavam para mim. Dependendo da dificuldade do percurso, o prêmio valia por toda a semana. Foi assim que me viciei nesse refrigerante e terminei viciando todos que conviveram e convivem comigo. Até mamãe, eu viciei. Ela dizia: “bota aí um tiquinho pra mim de remédio...” (Rsrs)

Contudo, o seu maior problema era me segurar nos doces e bolos. Então decidiu que só faria essas guloseimas para o lanche de final de semana. Mesmo assim, não tinha jeito. Eu comia escondido dela e isso resultava numa dor de consciência danada e eu corria para a Igreja me confessar.

Certa feita comi tanto bolo e tanto doce que adoeci e, para piorar a minha situação, menti pra mamãe dizendo que não havia comido nem um pedacinho do bolo e quando ela me perguntou quem tinha comido, eu na hora lhe garanti que tinha sido a filha preferida dela Yara (minha irmã mais velha). Mamãe nesse dia “cegou” de raiva e me deu umas boas palmadas.

Fiquei muito mal e resolvi que teria que me confessar o quanto antes, pois estava com a consciência tão pesada que tinha pesadelos terríveis.

O meu confessor, amigo e orientador era o maravilhoso Pe. Bosco Cabral, da Igreja N.S. da Conceição. Contudo, para minha total falta de sorte ele estava ausente de Caruaru naquele momento.

Então pedi à minha tia Olga do Rêgo Lira para me levar noutra Igreja e ela me levou para a Igreja da N.S. do Rosário, onde me confessei com o Pe. Severino Otoni. Eita, padre malvado! Deu-me de penitência um terço inteirinho, para rezar de joelhos, dizendo se tratar de um grande pecado mortal.

Tudo bem... Eu fiquei de joelhos, mas sem rezar xingando ele até não mais agüentar.

Minha tia estranhou eu me confessar, cumprir a penitência e não comungar. Não me perguntou nada – acho que ela compreendeu, era uma sábia mulher e uma tia fabulosa.

A partir daí fiquei atenta ao retorno do meu Pe. Bosco. Tão logo isso ocorreu, corri e “lhe entreguei de bandeja o Pe. Severino Otoni” e todos os pecados que ele me fez cometer.

E, ele em nome do Pai, me perdoou e me deu de penitência uma Ave-Maria e um Pai-Nosso apenas. Isto sim é que era e ainda é um padre!

A ele, minha eterna gratidão.

**********

Obs. Esclareço que, na realidade, o Pe. Bosco Cabral, era da Igreja da Matriz de N.S. das Dores, a qual, na ocasião dos fatos acima narrados, havia sido demolida e estava sendo erguida a atual igreja.

**********

Publicada também no Recanto das Letras

3 comentários:

ysoldacabral disse...

Abaixo, comentários deixados no Recanto das Letras:

10/12/2008 10h45 - elizangela cabral
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Ainnnn q travessura mais linda sua comilona,é tão bom ser criança travessa a gente passa por tanta coisa no momento nos assustamos,mais depois fica a lembrança linda q sentimos orgulho em falar...Eu fui muito travessa e manhosa acho q ainda só,e tive uma infancia de travessura minhas orelhas é quem sabe kkkkk. obs:amo de mais suas crônicas priminha me faz ri de montão... EU AMO TU BEM GRANDÃO,E JÁ TAVA COM SAUDADES DAS CRÔNICAS VIU... PARABÉNS MINHA BB ORGULHOSA DE VC MUITO...

10/12/2008 10h00 - Edvaldo Lima
Ysolda:São essa lembranças que vos alimenta e a inspiram em escrever tantas coisas belas...,vi em seu escrito um pedacinho de minha infâcia.Adorei exelente,portanto continue sempre assim nos presenteando com coisas advindas do coração...parabéns,abraço bye bye

10/12/2008 08h54 - Jacó Filho
Bom dia Ysolda, ficou ótimo seu texto... Adorei... Eu não tomo refrigerante já tem mais de trinta anos... Bolo então, nem pensar, ou seja, do seu pecado eu não morro... Parabéns! E que Deus nos abençoe... Sempre...

10/12/2008 00h48 - Zena Figueiredo
MAIS UMA VEZ AMIGA...PERFEITO!!!!!

10/12/2008 00h00 - Drica
Linda crônica Ysoldinha...Que gracinha esse Padre tão bonzinho rsrsrsrs Então vc é feito eu ...Uma formiguinha...Também sou louca por doces... Beijinhos no seu "doce" coração!

09/12/2008 23h26 - inara cabral
Aiiiiiiiii coitado do padre ... de tão benevolente com sua pupila que ajudou a passar a mao na cabeça .Pelo jeito, pela sua bondade. Mas em contra partida, conseguiu uma fiel seguidora!!!

09/12/2008 22h46 - Mario Roberto Guimarães
Maravilha de crônica, Ysolda, parabéns. Um abraço, Mario.

09/12/2008 19h19 - Paty Padilha
Show³!! Beijos amiga!

09/12/2008 19h02 - Helenna Dinniz
adorei sua cronica, perfeita linda sua história, me fez lembrar algo parecido que aconteceu com meu irmão... velhos tempos.. quantas saudades,, adoro guloseimas sei com é dificil resistir.. adorei ler vc amiga grata pelo carinho bjus poesia

09/12/2008 18h28 - cacaubahia
Rindo aqui de sua crônica. Nunca vi graça nessa coisa de confessar pecados aos padres. Devo ter feito isso duas vezes apenas, a primeira para fazer a primeira comunhão e a segunda para me casar, essa para lá de traumática. A Igreja lotada, festa da padroeira de uma cidade do interior de Sergipe. Um padre rezando a missa e outro no confessionário. Como não tinha prática nenhuma o padre me disse para confessar meus pecados e eu lhe perguntei o que era pecado exatamente, rss.Nossa, o homem virou uma arara e começou a berrar comigo a tal ponto que todos naquela Igreja se voltaram para me observar e o padre que rezava a missa fez uma pausa. Eu ali vermelho de vergonha e de raiva, detesto chamar a atenção, a ponto de voar no pescoço daquele louco e dizer que não gritasse comigo. O vexame seria ainda pior, respirei fundo procurando me acalmar e falei sei lá o que entre dentes, pausadamente e ele me mandou rezar uma Ave-Maria e um Pai-Nosso, me liberando daquele martírio. Rezei nada, saí logo dalí ou perderia a cabeça e dava uma porrada naquele infeliz. Por sorte, no casamento foi o outro padre que rezou a missa e nunca mais vi o louco. Soube que morreu logo depois, era alcoólatra e super estressado. E tinha namorada ainda. Posso garantir uma coisa, confissão a padres, nunca mais.

09/12/2008 17h58 - Lu Genovez
Rsss... genial!! Isso é que é padre!! Mas, menina, uma fábrica de coca-cola perto de casa, era tudo o que eu pediria a Deus!! rsrs. Não sabia que compartilhávamos o mesmo vício! Vai ver é por isso que te gosto tanto!! rsrs. Adorei a crônica, a narrativa sempre tua. Maravilhoso, minha doce Ysolda!! Mil beijoss.
*********

Obrigada!!!
Ysolda Cabral

Livinha disse...

Francamente!!!
O que vc deseja que eu faça,
que morra de dor de barriga,
de tanto, tanto dar risada?
Olhe, em se tratando da infancia,
não vou deixar de compreender,
porque toda arte de criança,
no fundo tem uma razão de ser.
Mas cá entre nós,
me refiro ao pecado irmanal,
como pôde ter coragem
de tamanho erro moral?
Cometer os teus deslizes,
até aí tudo bem,
mas jogar a culpa no outro
sinceramente, vc foi além.
Tudo bem que ainda se lembre,
e ria o quanto puder
mas aí sair a contar
Ysolda tu é doida porque quer.
Imagino que a cosciência,
tenha doído demais,
imagino tbém que esse erro,
não cometa nunca mais.
Agora me faça um grande favor:
pegue lá uma coca cola,
e beba bem geladinha,
brindando esse teu passado,
quando eras molequinha.
Enquanto que aqui, vou tomar
um pouco de coca também,
pedindo a todos os santos,
que te perdoem, Amém!!]

Ps: Lindo texto. Como sempre deixo minha total admiração e assino como fã nº 1 a sua desenvoltura de escritora... Parabéns!!

atitudes valem mais que palavras disse...

Minha linda e maravilhosa amiga e grande poetisa...
Parabens...
Amo d++++ seus contos de lindas recordacoes...
seus textos sao um bestseller com aventuras para contar,
licoes a aprender e contos de boas obras para se lembrar
Acabei de rever minha infancia, ainda gosto e como d+++ tudo isso
bolo.... Tem coisa melhor? tinha mania tambem de toda vez que vinha da escola tomar coca e comer zorro com pipoca pode? misturar o doce e salgado. Pena que aqui nos Estados Unidos nao tem zorro mas, o chocolate, toblerone... hum... como 1 do grande todo final de semana depois eu mesmo me arrependo dai, vou pra esteira e tento queimar tudo.
te amo parabens sempre...
bjus linda amiga