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domingo, julho 27, 2008

MARIA BUENO


VERSO DO CONVITE DE SILMAR ALVES PARA
A SEGUNDA EDIÇÃO DO PARANÁ BUSINESESS COLLECTION
PERÍODO DE 28 DE JULHO A 1º DE AGOSTO DE 2008
(TRANSCRITO NA ÍNTEGRA)


“Maria Bueno, santa canonizada pelo povo curitibano e repudiada pela Igreja, foi assassinada a navalhadas pelo amante ciumento, em 29 de janeiro de 1893. Há 115 anos, a Lua estava em Câncer, signo de sua mãe e o Sol em Aquário, signo dos acidentes, segundo alguns.
Tinha 28 anos e era lavadeira, em uma versão e prostituta, em outra. Viveu uma infância sofrida na cidade de Morretes, onde nasceu logo após a morte da mãe. A pedido dos padres da cidade foi morar com uma família em Campo Largo. (Curitiba em outras versões).

Após a morte do chefe da família, que a recebeu, Maria Bueno, para contribuir com seu sustento, foi lavar roupa para fora, e, a maioria delas, fardamentos militares.

Apaixonada por um conterrâneo sofria ameaças do soldado Diniz, seu ex-amante, o qual enciumado lhe proibiu de fazer o que mais gostava: ir aos bailes para dançar.

Um dia ela o desobedeceu e, como castigo, foi brutalmente assassinada. Segundo seus devotos, Maria Bueno, foi morta ao resistir à tentativa de Diniz de possuí-la a força.

Como para os padres da matriz, Maria Bueno era prostituta, não lhe concederam um sepultamento cristão. Missa? – Nem pensar!

No local do crime (Rua Vicente Machado, conforme historiadores) foi colocada uma cruz de madeira, aonde brotaram belas rosas vermelhas. Iniciam-se, então, relatos de milagres atribuídos à Maria Bueno.

Inicialmente os pedidos, restringiam-se a casos amorosos. Hoje, os mais comuns são de cura. Alguns, principalmente desempregados, asseguram a aparição de uma moça bonita, em horas de aflição, e, que esta, lhes entrega um papel com um endereço de onde encontrar a solução de seus problemas. Inclusive, contam que, em uma dessas aparições, a moça, recomendou levar rosas vermelhas. E, que, em caso de dúvidas da localização do endereço orientou perguntar por Maria Bueno, nas imediações do Cemitério Municipal de Curitiba-PR.

Crendice popular ou não, o fato é que a história de Maria Bueno ainda hoje comove muita gente pela crueldade simbólica e a violência contra a mulher. E, no momento atual, em que a lei “Maria da Penha” foi votada e homologada, o nome Maria Bueno, acorda para a necessidade do respeito mútuo, fé e simplicidade de sentimentos.

Maria Bueno, por Silmar Alves, se torna a partir de agora, a mais pura flor, uma Rosa Intensa, perfumada, profunda e muito feminina que a poetisa pernambucana, Ysolda Cabral, descreve em belos versos.”


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MARIA BUENO
OU APENAS FLOR
De: Ysolda Cabral


Hoje ela é só amor
De lavadeira, prostituta
Dançarina, amante...
Se perpetua
Como Santa Flor...

Maria Bueno,
Por sua história, encanta...
Não só nas passarelas de Curitiba
Aonde aparece tão bela e feminina
Mas nos corações daqueles que nela
Confiam-lhe a esperança e a vida...

Silmar Alves desenha suas curvas
Com delicadeza, bom gosto e elegância
Daqueles que sabem
Como fazer para realçar a beleza
De uma simples mulher
Desde que seja uma guerreira
Com certeza...

A nós, pobres mortais,
O que nos resta dizer
Diante de tanta poesia
Feita de tesoura, agulha e linha
Saída da cabeça brilhante e criativa
Desse maravilhoso estilista?

Obrigada, querido!
Por toda essa sua maestria
Na arte de criar beleza e alegria
Para muitas de nós
Bueno, Bonita ou
Simplesmente Maria.

sexta-feira, julho 25, 2008

PRETENSA POETISA EM DESTAQUE NO PARANÁ




Registro, com grande alegria e me sentindo muito honrada, que:


No período de 28 de julho a 1º de agosto do corrente ano, o renomado estilista SILMAR ALVES, que se destaca pela inspiração na cultura paranaense, apresentará sua coleção durante a segunda Edição do Paraná Business Collection – Feira da moda em Curitiba-PR.


A referida coleção foi inspirada em Maria Bueno - “santa” canonizada pelo povo curitibano - conta Silmar Alves. Diz ainda, o competente estilista, que criou uma flor de rara beleza, em homenagem a sua musa inspiradora, e, esta flor, será descrita através do poema, de minha autoria, abaixo transcrito:


APENAS FLOR
De: Ysolda Cabral


Hoje sou apenas Flor
Uma Flor qualquer
Nascida em qualquer lugar
Não tenho nome
Não tenho cor
Mas tenho beleza
Sou delicada e bem faceira
Meus espinhos são feitos
De goma elástica
Para não machucar
Apenas jogar longe
Quem de mim se aproximar
Meu perfume se espalha
Por todos os lugares
E se você fechar os olhos
Respirar bem fundo
Sentirá minha fragrância
E ficará a mercê dela
Por que hoje sou Flor
Flor que não serve para nada
Só para homenagear
O AMOR.
Logo estarei publicando a biografia da Maria Bueno, constante no verso do convite em tela.
*******************
YSOLDA
IMPOSSIVEL DESCREVER A EMOÇÃO QUE SENTI AO ABRIR SEU BLOG, MUITO OBRIGADO. ESTOU AQUI COM A MINHA EQUIPE DE TRABALHO,TODOS MUITO FELIZES E ANIMADOS...VC É COM CERTEZA A FLOR MAIS SENSIVEL DO JARDIM QUE ME INSPIRA NESTA ESTAÇÃO. DEUS BENÇOE A VC E AOS SEUS QUE SÃO ILUMINADOS POR SUA PRESENÇA COM CERTEZA. SILMAR ALVES
*******************

terça-feira, julho 22, 2008

MEIO TERMO DE OURO




MEIO TERMO DE OURO
De: Ysolda Cabral



Se sou poeira de estrelas,
Está explicado porque não me sinto inteira.
É que sou feita de partículas muito pequenas,
Para me sentir comigo satisfeita...



Mas, se as emoções são movidas por átomos,
Vácuos e pelas leis inalteráveis da natureza;
Por que me deslumbro e me emociono,
Quando penso em você e quando
Vejo o mar em noite de lua cheia?


Filosofia, Ciência ou Religião;
Onde está a explicação, para as coisas do coração?
Como não sou agnóstica e não concordo
Com o pensamento de Demócrito,
Acho mesmo é que sou parte de Adão...


Entretanto, isso não faz de você melhor que eu,
Já dizia o sábio filósofo e apaixonante Platão.
Portanto, cuida de mim como cuido de você ,
Senão, você vai é me perder.
Afinal, procuro seguir o conselho de Aristóteles:
Sou “meio-termo de ouro” e você?


quinta-feira, julho 17, 2008

HOMENAGEM À MINHA FILHA YAUANNA



AVE! 18/07/2008

YAUANNA MINHA VIDA
De: Ysolda Cabral


Finalmente você chega na idade tão sonhada - 18 ANOS!
Tão sonhada porque e para que; posso saber minha filha amada?
- O que será que na sua vida vai mudar agora?
Para mim, não mudará nada.
Afinal aconteça o que acontecer,
Você sempre será minha “princesa encantada”.

Livre você já é desde o dia que saiu da minha barriga
Feia de doer, chupando o dedo, para o meu desespero.
Disseram-me: Ysolda veja como sua filha é linda!
Eu, muito sincera – você sabe – logo disse:
- Linda nada!
- É minha não, foi trocada!

E você no meu colo, ansiosa por meu peito, me olhava e esperava
Que a conhecesse, examinasse bem devagar
E constatasse como você era toda bem certinha e no lugar.
Só então lhe ofereci o leite que Deus havia mando em mim fabricar
Para com muito amor lhe alimentar.

O tempo passou tão rápido que nem vi você crescer.
Sinto falta de sua risada de criança, de seu cheiro de menina.
Sinto falta de trocar a sua fralda e lhe dizer: você está ficando linda!
Sinto falta até de lhe contar as mesmas histórias
Que mamãe mil vezes me contou antes de agradecer a Ele o dia,
Ao me deitar e carinhosamente me cobrir,
Para eu dormir e sonhar só coisas lindas.

Hoje moça feita, centrada, decidida e muito valente,
Sabe ser firme, com suavidade e tranqüilidade
E, quando precisa fazer uma escolha,
É sempre decidida,
Sábia e muito consciente.

Quanto a mim, resta apenas dizer:
Desejo-lhe toda a sorte que possa nesta vida haver
E jamais tema o que tiver de fazer para ser feliz
Para tanto, seja sempre integra e verdadeira,
Procure exercitar a paciência e tenha muita Fé.
Assim, você conseguirá
Tudo o que desta vida quiser.

Feliz Aniversário filha linda!
E que Deus lhe abençoe por tudo que você é.
E , assim, com você abençoada,
Abençoada sou e estou.


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PRESENTE DIVINO
De: Ysolda Cabral

Primeiro senti que outra vida em mim havia
Fiquei em verdadeiro estado de Graça
E muita saúde e força a Deus eu pedia
Mesmo me sentindo muito, muito assustada...

Já não era tão menina
E aquela vida dentro de mim
Era muito preciosa
E haveria de vir, eu queria...

Seu nome e sexo eu sabia
Disso ninguém duvidava
Pois a convicção com que informava
A todos de sua chegada
Realmente Impressionava...

Quando escutei seu coração
Batendo forte que nem um encantado tambor
Pensei: eis aqui, na minha barriga,
O meu grande eterno e insubstituível amor...

Ah! Minha filha,
Muita amada e querida, que emoção
A alegria me invadiu sem pedir licença
Envolveu-me num momento sublime, perfeito e só meu
Momento, aquele que, agora, em forma de poesia,
Passa a ser também seu...


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MINHA ESTRELA


Já fiz diversos poemas para você e em nenhum deles consegui lhe passar aquilo que realmente gostaria. E nem consegui lhe passar, com fidelidade, a descrição do meu amor por você. - O que fazer? É complicado... Busco um jeito de vir cá dentro de mim e fotografar talvez, o meu coração, só pra você ver como ele é repleto de você, mas como seria isso possível? Filmar seria mesmo o ideal, pois você logo perceberia o "tum, tum" repleto de som azul que o meu coração faz quando penso em você.

Eu sei que o amor de mãe é um amor incomensuravelmente belo. Entretanto, o meu, por você, consegue ir mais além. Quero lhe sentir a garota mais feliz do mundo. Gosto de saber que você é minha filha, mas, principalmente, que você é minha melhor amiga, e, mesmo quando me exaspero e grito, você me olha de forma meio perplexa e sem muito me entender e diz meigamente: mamãe amo você.

Hoje, você está completando 18 anos. E o interessante é que às vezes acho você um bebê e em outras ocasiões o bebê sou eu. Quando isso acontece você torna-se uma mãe para mim muito melhor que eu para você. Fico mesmo muito chateada, se você quer saber. Não pode uma coisa dessas acontecer, você não acha? ( Rsrs)

Lembra que sempre andávamos de carro cantando? Pois bem, numa ocasião em que voltávamos para casa, eu, depois de uma tarde de trabalho, e você de uma tarde no Jardim I, do Colégio Atual – você estava com dois anos e poucos meses - eu cantava aquela canção que fiz para ninar você quando estava com dias de nascida, que dizia:

Canto essa canção
Pra ninar nenê com emoção
Hum rum hum rum

Canto essa canção
Pra ninar nenê com emoção
Hum rum hum rum

Lá vem o coelhinho, o macaquinho
O gatinho, o cachorrinho... Atenção
Mas podem voltar
Que leitinho tem mais não

O leite de mamãe
É só de Yauanna
E vem do coração
E vem do coração
Hum rum hum rum ...

Canto essa canção ...

Você bem caladinha, olhando para o céu sem parar. Fiquei a refletir o que você tanto olhava até que não resisti e perguntei:

- O que você tanto olha no céu minha filha?
As estrelas mamãe. Prontamente você me respondeu e continuou olhando.
- E por quê?
Porque queria lhe dar uma de presente.
- E porque não me da, Yauanna?
Ah, mamãe elas ficam voando lá em cima, no céu, e não caem!!!

Ora, eu já tinha duas e maravilhosamente brilhantes, em seu olhar, minha linda!

Feliz aniversário, querida!

segunda-feira, julho 14, 2008

ETERNIDADE DE UM SEGUNDO




ETERNIDADE DE UM SEGUNDO
De: Ysolda Cabral




Hoje estou leve como uma pluma
Triste por estar assim e de nada servir
Pois do contrário voaria para qualquer lugar
Bem longe daqui...


Mas só na sua direção queria ir
Meu vôo seria bem alto para logo chegar
E ao aterrissar num pouso perfeito
Você sentiria a saudade que trago no peito...
E aninhada em seus braços
Esperaria com calma
Você ter certeza
De minha chegada...


E, quando isso ocorresse
Não haveria mais pressa pra nada
Sentaríamos nalgum lugar
Para simplesmente conversar...


Depois caminharíamos de mãos dadas
Na eternidade de nós dois
Num tempo de apenas um segundo
Sem nos importar o depois...


sábado, julho 12, 2008

CORDA PARTIDA




CORDA PARTIDA
De: Ysolda Cabral

Fecho os olhos dos sentidos
E não sinto você comigo
Penso estar noutro espaço
Por não perceber seu traço...

Sempre tão filosófico e matemático
Já nascido com você
Transcende minha compreensão
E fico decidida a dizer NÃO...

Assim o dia cai e a noite vem
Trazendo o desejo de embarcar
No Transporte Poesia também
E ir para muito além...

No acorde do meu violão
Canto uma triste e linda canção
E a voz que escuto não é a minha
Paro e me culpo por sua vinda
E pela corda partida no meu coração...

quinta-feira, julho 10, 2008

CUIDA DE MIM




CUIDA DE MIM
De: Ysolda Cabral



Cuida de mim como cuido de você.
Não é muito difícil, é só querer.
Faça como faço com você,
e assim, logo você vai aprender...

Não sou muito exigente,
só preciso de atenção,
carinho e muito aconchego.
E disso você entende.
E se não; mente!

Quando me achar chata e feia,
como às vezes acho você, não diga!
Minta que estou maravilhosa e bela.
Não custa nada e se trata apenas
de uma insignificante mentira.
Quem liga?

Ajude-me a passar o longo e enfadonho dia,
também a noite, quando ela estiver escura e fria.
Ajude-me com o tempo, esse ingrato deus reticente
que nem se recente de passar e causar
estragos tão irreversíveis na gente.

Ah! Cuida de mim assim:
com paciência e bom humor.
E, se preciso for; me escuta,
mesmo quando não digo coisa com coisa...
É que as idéias me atrapalham,
quando quero falar de AMOR...

terça-feira, julho 08, 2008

A MINHA PRIMEIRA VEZ




A MINHA PRIMEIRA VEZ

De: Ysolda Cabral



Lembranças é bom tê-las quando boas e que nos fazem querer novamente vivê-las...


- Ah, é bom demais da conta!


Acabo de receber um e-mail cujo teor termina mais ou menos assim: “... quando falo com você me lembro do Nordeste, praia, coqueiros, mar azul... Lembranças legais!” Fiquei a refletir sobre a frase, até porque ultimamente não tenho feito outra coisa – é que ando lendo o livro "O Mundo de Sofia” - e fui verificar a cidade natal do remetente; São Paulo-SP. Estava então esclarecido o procedente comentário. Então; quem passou a lembrar fui eu da minha primeira vez - não daquela – (rsrs), mas da minha primeira vez na cidade de São Paulo.


Minha cidade natal- Caruaru - é considerada uma das mais frias de nossa região. Seu frio não é como o de Garanhuns ou Gravatá, contudo faz bastante frio. No inverno temos a oportunidade de nos vestir com belas e pesadas roupas, tomar um delicioso chocolate quente no “velho e fofo sofá” e no aconchego de um frio gostoso, conversar com os amigos, a família; ou, simplesmente só, ficar.


Foi num inverno assim que, recebi um convite de minha amiga de infância Cris Biondi para ir visitar uma amiga em comum, a qual havia recentemente casado e tinha ido fixar residência na referida capital. Cris já conhecia São Paulo, era até muito “intima” de lá. Eu nunca havia saído do Nordeste até então. Fiquei entusiasmadíssima. Entretanto, uma coisa me preocupava: o frio que iríamos encontrar. Cris, debochada e presepeira me falou: se preocupa não Ysolda! Leva as roupas de inverno que tens e vamos embora.


Muito bem, peguei a maior mala que mamãe possuía e nela coloquei todas as minhas roupas de inverno, até as duas maravilhosas calças “Lee”, folgadas e muito confortáveis que havia comprado. Uma bota cano longo, a qual me servia tanto para me aquecer, como para aprender a correr vaquejada na fazenda do meu primo. Para tanto, bastava nelas – botas - colocar as esporas.


Malas prontas e com o coração disparado, viajo para Recife, aonde a minha amiga já me aguardava. Devo esclarecer que, para mim, seria também a primeira vez que entraria num avião. O vôo estava marcado para o final da tarde. Nossa Senhora, que emoção!!! Cris, bastante viajada, morria de medo de voar – até hoje ainda é assim - logo foi pedindo a comissária de bordo um whisky duplo e eu, como sempre, uma coca bem gelada.


A viagem foi perfeita e sem maiores problemas.


Chegamos ao nosso destino por volta das 21:h. No Aeroporto, nos aguardava Anabele e o marido Luciano, nossos amigos recém casados. Cris, aquecida por vários whiskys, desembarcou com todo gás e eu... Bem; eu... Ao sair do avião, de cara percebi que estava em sérios apuros... Os termômetros marcavam, apenas, cinco graus; é brincadeira?! Não conseguia articular palavra de tanto que tremia de frio.


Fomos direto para o apartamento dos nossos amigos. No caminho, a Cris perguntou ao Luciano qual programação ele havia preparado especialmente para mim naquela noite. Ele riu e lhe respondeu: vamos levar Ysolda para jantar em tal restaurante, não lembro o nome. É sério! Fiquei traumatizada. (Rsrs)


Mal chegamos ao apartamento, Luciano foi logo recomendando que não demorássemos em nos arrumar, visto a noite paulistana já se encontrar a “todo vapor”. Naturalmente, sem ter a mínima idéia do que me aguardava e nem para onde ia, perguntei o que deveria vestir. Cris, imediatamente respondeu: se agasalhe bem e vamos embora!


Confesso que não foi fácil tirar a roupa de viagem e entrar no banho, mesmo com banheiro aquecido. Foi o banho mais rápido de minha vida. Em seguida, no quarto, abri minha mala e peguei três meias, três blusas de malha quente, duas calças comprida de malha grossa – tipo esquente – uma das calças “Lee” e um casaco-vestido longo, de veludo marrom. E, claro, minhas queridas e inseparáveis botas de vaquejada cano-longo.


Vesti tudo e ainda coloquei um enorme gorro branco, de pele de coelho, o qual cabia dentro dele não só minha cabeça, com as respectivas orelhas, mas também os meus longos cabelos. No pescoço; um providencial cachecol de lã. Sai do quarto, parecendo um boneco enorme de braços abertos. Havia colocado tanta roupa que não dava para fechar os braços.


O pessoal olhou para mim e controlou a risada. Não dei bolas! – Eu estava bem quentinha e esse era o objetivo.


Depois de bem aquecida, é claro que a fome se pronunciou de maneira avassaladora. Não via à hora de chegar ao tal restaurante. Lá chegando, senti o peso... Casais belíssimos e elegantemente vestidos iam entrando, recepcionados por dois funcionários de Smoking que os levava às suas mesas, previamente reservadas. Olhei-me e pensei: Ysolda, tais fritinha e é frita da sil-v-a-vá messsmo.


Quando entramos no restaurante todo iluminado, também, por luz de velas, uma orquestra de violinos tocava o bolero de Ravel. Eu procurava um jeito de passar despercebida.


Chegamos finalmente em nossa mesa e eu mais que depressa me sentei. Fiquei lá bem quietinha. A fome passou e um calor danado me subiu pelo corpo todo. Eu não poderia tirar o casaco de maneira alguma. Apenas, tirei o cachecol e o “bendito” gorro. - Senti-me um pouco melhor.


O maestro que regia a orquestra de violinos resolveu se solidarizar um pouco comigo – acho – e do bolero de Ravel passou a tocar xote e baião. Comecei a relaxar e me sentir em casa... A essas alturas, tomava meu primeiro cálice de conhaque e não estava mais nem aí para nada.


De repente, a orquestra pára e é anunciado um show de certo humorista, que transcorre regado a risadas educadas – ô cabra sem graça! - E, já no final de sua apresentação, ele resolve contar uma piada que descrevia a reação de pessoas, de diversos países, ao encontrarem dinheiro no chão. A moral da piada estava justamente na reação do brasileiro. Aí, ele se superou: ninguém achou graça alguma e nem por educação! Criou-se um clima meio pesado e, foi aí, que a “engraçadinha” da Cris resolveu dar uma força para o humorista e gritou em alto e em bom som: E A REAÇÃO DO CARUARUENSE, MEU AMIGO?!


Pronto: a minha desgraça estava feita! O restaurante em peso olhou para mim e caiu na risada aplaudindo a Cris!!! Aí, pensei: isso vai ficar assim não. Que coisa!!!


Prontamente me levantei, tirei a capa-vestido, duas blusas, pois a essas alturas suava em bicas e me dirigi ao palco. O humorista parado e calado, não sabia o que fazer. Foi aí que a orquestra começou a tocar “A Feira de Caruaru”, do conterrâneo Onildo Almeida.


Eu caminhava com minhas botas, ao ritmo da música, sem pensar em absolutamente nada e sem saber a que ia – sou dada a essa coisas - e logo me vi no palco, pegando a mão do atordoado humorista, e, comecei a “xaxar” maneiro e bem cadenciado. Ele, recuperado da surpresa, não se fez de rogado e agradecido, xaxou comigo.


- O restaurante veio abaixo!


Cris, satisfeitíssima, resolveu no grito ainda informar: ela também canta! Aí o pessoal: canta, canta, canta... O humorista mais que depressa me entrega o microfone, me dá um beijo agradecido e me deixa sozinha na “ribalta”. Olho para o maestro, me “achando”, e, lhe informo: vou cantar Asa Branca em Ré Maior. É mole?!!!!


- Ah, coisas da juventude!


segunda-feira, julho 07, 2008

MEU FIM




MEU FIM
De: Ysolda Cabral


Hoje estou mais triste que nunca
A tristeza é tão profunda
Que se vinga na minha face
Curva os meus ombros
E me deixa nula...

Nula de anulada mesmo
Desencantada com tudo
E prestes a sair por aí
Sem rumo e sem prumo...

Não gosto de me sentir assim
Até minha hortelã judia de mim
Não me sorrir e nem me envia
Seu cheiro que perfuma a minha alma
Deixando-me calma...

Coisa rara, uma vez que calma
É predicado que não tenho
Sou explosiva que nem estopim
Mas consigo vez ou outra me conter
Para não magoar pessoas que gostam
Verdadeiramente de mim...

Algum louco e sem juízo
Corajoso ou inocente
Pensa que pode me dá jeito
Não sabe ele que se isso acontecer
Será mesmo o meu fim
Afinal, sou Ysolda
Justamente por ser assim!
**************************************************

A deusa Ysolda
Autor desconhecido
( Que pena! )

Hoje consegui um tempo
E me encantei com Respiro Poesia
Não ser daqui e nem de lá
Só pode ser Apolo
Deus da música e da poesia

Quem se entrega
Aos belos e incansáveis sonhos
E vive a sorri, chorar
Cantar, gritar, brigar e amar

Se Apolo não é
Só pode a deusa Ysolda ser

Depois me fascinei com Meu Fim
Ah! Que tristeza profunda
De um desencanto sem vereda
Quem assim pode gostar?

Para a tristeza ir embora
Só com hortelã cheirosa
De rumo perdido voltar

Mas quem é explosiva
E consegue se conter
Pelos seus amores verdadeiros
Sendo poetisa
Não pode a um louco se sujeitar

Pois quem na alma é só poesia
E Apolo não é
Só pode a deusa Ysolda ser
************************************************


domingo, julho 06, 2008

RESPIRO POESIA




RESPIRO POESIA
De: Ysolda Cabral



Escuto agora uma música suave
E, lá fora a chuva cai lavando e levando tudo
Os sons da música e da chuva
Confundem-se em minha mente...

Deixo-me embalar por eles
E me entrego a belos e inalcançáveis sonhos
Fazendo-me não querer adormecer
Só para continuar sonhando
Até outro dia acontecer...

Quem quiser que ache tolice
Eu não ligo, pois não minto
Quando digo que a poesia
É a minha vida, acredite!

Eu sei... Eu sinto!

Não saberia viver sem ela
Pois não poderia sonhar, sorrir, chorar,
Cantar, gritar, brigar e amar
Se não tivesse a poesia para me inspirar
E me fazer acreditar que posso não ser daqui
Entretanto, ainda não sou de Lá.

terça-feira, julho 01, 2008

FLOR DA SAUDADE




FLOR DA SAUDADE
De: Ysolda Cabral


Transbordando de amor e de paixão
Despi-me de todos os tabus
E sob a luz do luar
Para você me expus.

Vestida de juventude
Pura, verdadeira
E em total liberdade
Roguei-lhe o primeiro beijo.

Você pego de surpresa
Repleto de amor
Paralisado de desejo pensou:
Meu Deus! A garota que amo, endoidou.

Vencendo o perplexo
Firme e carinhosamente me enlaça,
Abraça-me forte e me faz sua
Apenas com um beijo a luz da lua.

Beijo intenso e apaixonado
Dado com alma que nos marca
E nos liga na separação de nossas vidas
Com a delicadeza de uma flor
A FLOR DE UMA IMENSA SAUDADE
.

sexta-feira, junho 27, 2008

ILUSTRE VISITA



ILUSTRE VISITA
De: Ysolda Cabral



Hoje a tristeza chegou
Sem avisar e sem pedir licença
Querendo ser recebida
Com honras de chefe de estado
- Tem graça?

Entretanto, como eu previa sua chegada
E sou muito bem educada
Dei-lhe as boas vindas
De maneira elegante e refinada.

E, para valorizar ainda mais sua chegada
Disse-lhe da minha alegria em recebê-la
- Queria mesmo agradar-lhe -
Contudo, ela ficou meio cabreira e cabisbaixa
Senti muita pena da ingrata...

Enfatizei a importância de sua visita
Na vida de qualquer reflexiva criatura
Cheguei até a lhe lembrar variados motivos
Antes de lhe servir uns deliciosos aperitivos...

Mas ela, mal educada, não quis muita conversa
- Achando pouco, creio -
Tentei justificar a minha falta de tempo
Para lhe recepcionar mais a contento...

Ela não quis conversa
E sem, sequer, me dizer até logo
Resolveu ir embora
Na mesma hora.

Ah, coitada!
Nem escutou quando lhe disse:
Ei! Volte sempre QUERIDA.

terça-feira, junho 24, 2008

REALIDADE DA ILUSÃO




REALIDADE DA ILUSÃO
De:Ysolda Cabral


Não discuto religião, política e nem sentimento
Primeiro porque das três questões nada entendo
Refletindo um pouco sobre mim
Chego à conclusão que sou assim:

De religião, acredito em Deus
De política, corro léguas
De sentimentos, não sei nem dos meus
Mesmo eles sendo simples como eu...

Entretanto, uma hora sou de um jeito
Na outra não há quem me dê jeito
Hoje não faço nada que dê bom efeito
Sei que amanhã estarei no leito...

Talvez da morte
Talvez da sorte
Talvez da hipótese
Daquilo que enfim se pode...

E, como o poder é relativo
Deduzo que dele não quero luto
Nem muito menos triunfo
Posto que, com a vida,
Não mais me iludo.

Contudo...
Continuo acreditando
Na realidade da ilusão
Metodicamente articulada
E enganosamente pretendida
Para minha própria SALVAÇÃO...

Você acha que não?

sábado, junho 21, 2008

NOITE DE SÃO JOÃO



Noite de São João
De: Ysolda Cabral

Não tem Natal, nem Carnaval
A festa é a de São João
Comida boa, arrasta-pé
E muita animação

Não precisa muita coisa
Uma sanfona, um triangulo, uma zabumba
Um bom puxador de quadrilha e de forró
Pra se dançar a noite toda

Forró rasgado, pé- de- serra
Dengoso e levado a sério
No compasso e mesmo sem sair do lugar
Não há dança melhor pra se dançar

Noite de São João é noite de sonhos a realizar
E, se da quadrilha participar
Controlar o ciúme para a noite não estragar
E assim amanhecer nos braços do ser amado
Feliz por não ter tido que arengar

Arenga num arrasta-pé não é aconselhável
Substituição no ato é delito perdoado
A não ser que o cabra seja muito metido a macho
E queira tomar satisfação
Aí a peleja é resolvida ligeira e na base do facão

Portanto, desejo a todos
Um animado São João
Com muita cautela e juízo
Para não haver confusão...


quinta-feira, junho 19, 2008

O QUE QUERES DE MIM?



O QUE QUERES DE MIM?
De: Ysolda Cabral



Ando tão sem inspiração!
- Ou não?
Com os sentimentos em confusão
E sem disposição!
- Ou não?
Estou dentro do desconhecido...
- Sei não!
Um rumo antes traçado com mão firme
Muda sem limite e sem precisão
Levando-me por lugares esquisitos...
- Opa, quero não!
O querer é intrincado
E quando perdido num pedaço
Deixa o caminhar manco e pesado
Sem perspectivas de muito seguir
E sem a possibilidade de voltar
- Será mesmo o fim?
Oh, Vida!
- Afinal, o que queres de mim?



domingo, junho 15, 2008

CARA A CARA




CARA A CARA
De: Ysolda Cabral


Estou numa praça de alimentação
Há gente por todo lado
Fazendo muita algazarra
Mas como estou com um livro nas mãos
Não escuto e não vejo nada.

No meio da multidão me sinto só
Leio o livro e reflito se realmente existo
Penso, penso e não encontro nada
O caos que está em mim me arrasa...

O cheiro me deprime e me sufoca
Mistura de comida, perfume e bebida
Não combina com meu apurado olfato
E sinto dificuldade de respirar no ato...

Pergunto-me o que faço ali
E escuto alguém responder
E eu que vou saber?
A doida aqui é você!

Suspendo a leitura
Olho para um lado e para o outro
Procurando quem foi comigo tão afoito
E do outro lado da mesa está a minha cara
A zombar de mim com muito gosto...

Que desgosto!!!

Levanto-me pronta para me encarar
Guardo dentro da bolsa o livro com cuidado
E já de pé me vejo continuar sentada
Fico com muita raiva e me pergunto:
Vai continuar aí parada?

Vou embora sem olhar para trás
Mas sinto que resignada me acompanho
Rio e fico meio tonta ao constatar
Como fui boba em me desafiar!


segunda-feira, junho 09, 2008

FÁCIL SOLUÇÃO




FÁCIL SOLUÇÃO
De: Ysolda Cabral

Não sei se estou em pequenos pedaços ou vazia.
Se estou em pequenos pedaços,
juntar tudo será muito complicado,
pois corro o risco de deixar de ser uma utopia.

E se ela era eu e eu era ela, como viverei sem ela?
Como juntar os pedaços de uma quimera?
Mesmo pegando com todo carinho seus pedacinhos,
quando terminado, estarei longe dos antigos caminhos.

Neste ponto terei que ponderar bastante
de como seguir em frente sem saber o instante.
E se eu resolver ficar?
O Tempo terá que parar!

Como o poderoso Tempo não pára,
tenho que considerar a hipótese de estar vazia.
Então, meu caso será de fácil solução.
Se você quiser saber, eu explico a razão:

Imagine que sou um recipiente,
não importa o tamanho e nem a largura,
estar vazio é o fator preponderante
para caber um conteúdo fascinante.

Ah! Pegarei muita paciência e alegria,
fé sem religião e um pouco de filosofia,
muito entendimento e determinação.
Colocarei pra dentro numa só porção.

Depois vou atrás da poesia,
de versos em perfeita simetria,
compostos para ricas e lindas quadras,
e dispor quando estiver apaixonada.

Ah! Pegarei um pouco de faz de conta,
uma pitadinha de magia,
sem maldade e sem afronta,
para garantir o tino quando ficar tonta.

E assim estarei novamente comigo,
traçando meu próprio destino.
Quem estiver comigo eu ajudo.
E quem não estiver, não me iludo.

Meus dias serão todos lindos,
e se não forem eu os pinto,
pois no recipiente também coloquei:
tela, tinta e um apropriado recinto.

domingo, junho 01, 2008

RUMO CERTO






RUMO CERTO
De: Ysolda Cabral


Estou com destino meio incerto
A estrada a minha frente é convidativa
E o dia está quente, ensolarado e lindo
Eu, indo e indo, no meu incerto destino...

Estou na velocidade permitida
A sensação de controlar o tempo
Encanta-me e fascina
Ele nada dita...

Estou agora a cento e trinta
Chegando a cento e quarenta
Com a mente descansada
Finalmente...

A música é suave
E a paisagem ligeira passa
Passa sem deixar nenhuma marca
Que mereça um olhar mais atento
Do fotógrafo da mente...

A minha frente uma estrada
Num horizonte de sol poente
Convida-me a continuar sempre adiante
Sem olhar o retrovisor consciente...

Mas para ele olho
Desacelero e rapidamente encosto
Num acostamento bonito que só vendo
Respiro fundo o ar puro
Sinto-me dona do mundo
Dou notícias e volto ao rumo...

AO RUMO CERTO!

sábado, maio 31, 2008

EU E ELA




EU E ELA
De: Ysolda Cabral



No escuro da noite
Que começa a clarear
O SILÊNCIO fica cúmplice
Lembrando o da minha meninice
Quando me escondia
Para ninguém me chatear...


As idéias se confundem
Paro até de respirar
Igual quando pensava ser feliz
Só por lhe AMAR...


O TEMPO passou
Como se fosse um amante
Que ama, faz sonhar
E logo vai embora
Deixando a amada
Com sentimento de culpa
Só e a chorar...

Olho o Céu
Não vejo sol e nem vejo a lua
E na rua a SOLIDÃO é profunda
Será que “Ele”
Não vai voltar?

Que amante e esse
O qual vai embora
Deixando sua amada triste
Esperando uma volta
Que nunca acontecerá?


Ah! Que DESATINO tão grande
Faz a ALMA querer morrer
Para nunca mais viver?
Com certeza
Um impiedoso assassino
Disso não tenho dúvida
Esse menino...

Ela é sempre jovem
Não envelhece e não morre
E mesmo numa parceria
Tão desigual
Ela de mim não vai desistir
E eu dela...

JAMAIS!

quinta-feira, maio 29, 2008

BRILHO DE ESTRELA





BRILHO DE ESTRELA
De: Ysolda Cabral


Deus ao criar o homem
A sua Imagem
E semelhança
Não se deu conta
Que a forma usada
Foi a das estrelas...

E se deu
Não se importou
Até achou
Que muito bom ficou...

Daí deixou todos brilharem
A luz de pura magia e beleza
Afinal um bom Pai
Jamais se arrepende
Do benefício,
Que ao filho faz...

Muitos compreenderam
A grandeza do presente recebido
E com muita humildade
Retribuem a Graça
Brilhando no firmamento da Vida...

Já outros ignoram e desprezam
O maravilhoso e valioso presente
Fazendo de suas vidas
Uma vidinha mais ou menos
Triste e muito deprimente...

Por isso, caros amigos,
Vamos orar com muita fé
Por toda “Estrela”
Que não sabe de Sua Luz
E passa a vida pensando
Ser mera avestruz...




quarta-feira, maio 28, 2008

TRANSPORTE POESIA




TRANSPORTE POESIA
De: Ysolda Cabral

Viajo no Transporte Poesia
Todos os dias
Viagens curtas, longas, alegres, tristes
Ruins, boas e até mesmo enfadonhas...

Em dias de sol
Em dias de chuva
Em dias cheios ou vazios
Sempre nele estou
Confesso até que em demasia...

No Transporte Poesia
Não há poltrona
Bilhete reservado
Destino determinado
Parada regulamentada
Não tem hora para sair
Muito menos pra voltar...

Sua velocidade é controlada
Pelo amor daqueles que amam viajar
Num transporte diferente
Imprevisível e irregular...

O condutor tem que ser habilitado
Para o transporte conduzir
Não precisa muita maestria
Basta não ter lógica e nem razão
A habilidade fica restrita as coisas do coração...

E o passageiro precisa ser
Consciente do risco que vai correr
Quando um transporte desses escolher
Posto que, como todo transporte
Muito risco pode haver
O menor de todos eles:

É sua parada perder.


segunda-feira, maio 26, 2008

QUE FIO É ESSE?




QUE FIO É ESSE?
De: Ysolda Cabral


De volta do “Mundo da Lua”
Piso em solo firme
Achando que só pode ser
O Planeta Terra...

Sinto-me trôpega
Estado muito comum
Em astronauta
De outra época...

Dispo-me da roupa de viagem
Procuro um traje a rigor
Para encarar
A grandiosa festa...

A cautela me avisa:
Vá com calma, essa menina
Acabas de chegar
Convém primeiro descansar...

Sem dispor de tempo para perder
Não escuto o sábio conselho
E me apresso
Querendo contra o tempo correr...

Olho para um lado
E também para o outro
Nada se mexe, nem de leve
Será que voltei a “ESTACA ZERO”?

Despida em terra incerta
Não sentindo fome, sede e nem frio
Cabeça confusa e tonta
Constato assustada
Que; estou no “FIO”...

Do FIM ou do COMEÇO?


domingo, maio 25, 2008

NO MUNDO DA LUA



NO MUNDO DA LUA
De: Ysolda Cabral



Senti minha hortelã muito triste e solitária
Sem ar, sem brilho e sem quase nada
Folhas mortas pendentes
Outras há pouco nascidas e já sem vida...

Seu verde meio cinza
De poeira e falta d’agua lhe deixaram cansada
E, foi difícil sobreviver ao abandono de sua dona
Que andava com a cabeça no "Mundo a Lua"
Sem chão e quase nua...

Oh! Mundo doce enganador
Mágico e deslumbrante
Fascinante e arrasador...
E todos os "antes" vividos
Transpareceram ávidos ...

No semblante da coitada suplicante
Que termina na mais profunda dor...
A dor do engano
Do desencanto
Do trágico cômico
Dilacerado no peito
Deixando-o desfeito...

Hortelã e sua dona
Agonizantes
Tristes
Solidárias
Separadas
Apaziguadas
Num jardim
Sem adubo
Sem cor...

O que fazer
Meu senhor?

Adubar o jardim
Esperar a chuva vir
Quando tudo há de florir?

Sabemos que a vida se renova
Num vai e vem às vezes sem volta
Independente da hora
Podendo ser AGORA...

sábado, maio 24, 2008

ALMA DE POETA



ALMA DE POETA
De: Ysolda Cabral



Alma de poeta
Não é uma alma qualquer
É uma alma que sofre
Mesmo quando ama
E quando amada ela é.


Amigo poeta
Nem sei o que lhe dizer
Pois minha alma também sofre
Por não entender
Que agonia é essa
Que tanto faz doer...

E não entendendo nada
Com vontade e sem razão, cria regras,
Abdicando do desejo sem vacilação
Para viver de efêmeras quimeras
Mesmo que não tivesse corpo
Onde batesse um coração.


Ah! Meu amigo poeta
Que alma é essa que não sabe
Ter integridade e harmonia
Se, na sua loucura ou sabedoria,
Tudo está relacionado
Ao amor legítimo que sente?!

Quem, em sã consciência,
Uma alma dessas almejaria?
Um louco qualquer
Um vagabundo
Em qual mundo?
E que mundo uma alma assim
Condenaria?


quinta-feira, maio 22, 2008

SOU SOL





SOU SOL
De: Ysolda Cabral

Já fui dia
Já fui noite
Já fui tempo
Já fui até o vento...

Nunca igual
É fato consumado
É real
Não tem jeito...

Fui flor
Fui chuva
Sou de Lua

Hoje sou Sol
Sol que ilumina
Aquece sem queimar
Enxuga lágrimas e lamentos
Mostra caminho perdido na poeira
Que eu mesma não vejo...

- Almejo
Almejar não é proibido
Nem tem que ser cumprido
Pois não é palavra dada
de rei ou de rainha
Também não estou falando
De histórias de Carochinha...

E não sendo uma quimera
Quem me dera nunca decepcionar
E nem parar de iluminar
Qualquer destino
Mesmo que seja de um menino velho
Ou de um velho menino ...

Dou realce
Às cores, aos mares
Alívio às dores
Torno tudo mais bonito
Mesmo sendo sozinho...

E como sou Sol
Com alma de poeta
Que mesmo amando
E amada sendo
Vive sofrendo pra valer
E nada ninguém pode fazer

Vou lhe dizer:

Sou e estou Sol
Só por um segundo
Amanhã serei
Um triste moribundo
O qual ficará para sempre mudo...

OU NÃO?!


segunda-feira, maio 19, 2008

NOVAMENTE ASSIM,ASSIM




NOVAMENTE ASSIM, ASSIM...
De: Ysolda Cabral


Ontem fui Flor...
Hoje sou Chuva
Não forte
Pois não quero matar
Desabrigar, devastar, destruir...
Quero renovar
Colorir a plantação
Seja de flores, de frutos
Enfim, do que estiver
Pelo ar e pelo chão
Quero renovar as águas do riacho,
Do rio, do mar e de onde mais precisar
Sou Chuva que trás frio e aconchego
Que convida para um chocolate quente
Um macio cobertor, num fofo e velho sofá...
Um bom livro para ler
- O Mundo de Sofia, O Profeta, Mergulho na Paz,
Mutação, Sidarta, A Insustentável Leveza do Ser,
ou, Um Cordel Encantado – Quem vai lá saber?!
Chuva que sirva para aprender alguma coisa
Antes de me tornar dia ou noite
Ou simplesmente nada ser
Sou Chuva hoje, até não mais poder...
Pois sou e estou só
Esperança e Poesia
Na alma, na razão
E no sentido de ser e de estar
Para poder assimilar o existir...
Quem sabe assim a Vida volte para mim?
É que hoje, especialmente hoje,
Estou, novamente
Assim, assim...

sábado, maio 17, 2008

APENAS FLOR




APENAS FLOR
De: Ysolda Cabral


Hoje sou apenas Flor
Uma Flor qualquer
Nascida em qualquer lugar
Não tenho nome
Não tenho cor
Mas tenho beleza
Sou delicada e bem faceira
Meus espinhos são feitos
De goma elástica
Para não machucar
Apenas jogar longe
Quem de mim se aproximar
Meu perfume se espalha
Por todos os lugares
E se você fechar os olhos,
Respirar bem fundo
Sentirá minha fragrância
E ficará a mercê dela
Por que hoje sou Flor
Flor que não serve para nada
Só para homenagear
O AMOR.



quarta-feira, maio 14, 2008

MENTE SÃ




MENTE SÃ
De: Ysolda Cabral


Com o olhar atravessando a imagem
E um sorriso que não afasta mal olhado
Vou buscando um jeito de prosseguir
Mesmo sabendo que o caminho não é fácil...


Nele está tudo silencioso e parado
Nem minha música preferida
Escuto tocar
Resolvo parar também
E deixar a vida andar ...


O que será que há?
Não sei se estou dormindo ou acordada
Ou será que estou em transe de mágica
Efeito do pesadelo do qual acabo de chegar?


Tudo está hipnoticamente estático
Menos o meu pensamento
Que não pára de atormentar
O que restará quando tudo isto passar?


Um novo dia se aproxima
Trazendo chuva ou sol forte
A esperança voltará
Ou trará novamente a morte?


De qualquer sorte
Vou correndo para o mar
De água fria ou quente
Entrarei nele e só sairei
Quando tiver sã novamente...

domingo, maio 11, 2008

EU E O SOLDADINHO





EU E O SOLDADINHO
De: Ysolda Cabral




Um dia muito triste tive
Esforcei-me para que fosse um dia qualquer
Até toquei o meu violão e cantei uma canção
Muito suavemente para acalmar meu coração...


Como a música é sempre mágica e faz milagre
Confiei-lhe todas as minhas emoções
E fiquei foi muito decepcionada
Pois não aconteceu absolutamente nada...


A tristeza aumentou
O violão desafinou
Minha voz sumiu
E eu fiquei a olhar o vazio...
- Que frio!!!!

De repente, um Soldadinho
Pousa na minha perna
Com suas asas pequenas e belas
E sinto seu carinho...

Logo vem um beija-flor
Pára, olha para mim e para ele
Como se quisesse dizer
O que fazes com minha flor?


Não obtendo resposta
Vai embora
Do mesmo jeito que chegou...

Fiquei ali a refletir
Eu e o meu pequeno
E frágil companheiro
Sobre o amor verdadeiro...


Como ele nem se mexia
Fiquei em agonia
Precisava me levantar
E do canto não saia...


Não queria perder a sua companhia
E fiquei um logo tempo a esperar
Pelo o quê, eu não sabia
Creio que só queria
Na tarde do meu dia
Um pouquinho de alegria...



sábado, maio 10, 2008

JUÍZO FINAL




JUÍZO FINAL
De: Ysolda Cabral



Sou teimosa por natureza
Faz parte da mistura que resultou
Nesta pessoa aqui...
Que é uma beleza!!!
E quando for “medida e pesada”
No Juízo final,
A teimosia será o peso principal.

E, se, depois de julgada,
O veredicto não sair a meu favor
Ah! Vou, com ou sem consentimento,
Fazer uma réplica
Com veemente protesto.
Afinal, está no meu direito!
E, com todo o potencial,
Do meu peso principal,
Farei tudo do meu jeito!

Enlouquecerei qualquer tribunal
Derrubarei qualquer tese, argumento e prova
Que me condene
E com certeza mudarei
A sentença no final...

Pois depois de tudo isso,
Quem vai me querer por perto?
Mesmo que este perto seja no Céu ou no Inferno
Vão é me mandar de volta ligeirinho pra Terra
Aí, sim! Serei apenas, TEIMOSIA ...

- QUE ALEGRIA!!!


quinta-feira, maio 08, 2008

TEMPO DOBRADO




TEMPO DOBRADO
De: Ysolda Cabral


Quando em devaneio você se perde
Fica difícil ao caminho retornar
Não se preocupe e nem se desespere
Aproveite e se entregue
Isto é normal...Acontece!

A realidade às vezes é tão dura
O que custa você se perder um pouco
Mesmo que esse pouco seja meio louco?
Entretanto, é prudente considerar
Se a quimera vale a pena se entregar...

A entrega às vezes lhe sucumbe
Deixa-lhe tão dependente
Que você perde o rumo e o prumo
Bom mesmo é não sonhar
E viver cada momento como único...

Único e eterno
Vivido ternamente
No seu espaço cético
Fazendo seu infinito
Deixar de ser relativo.

Assim você se basta
E tudo que lhe rodeia é místico
E a beleza das coisas
Torna-se sua maior aliada
Deixando tudo de antes, para depois
Modificado por um tempo lindo
Que foi vivido e que passa a ser dois.


terça-feira, maio 06, 2008

ENTARDECEU




ENTARDECEU
De: Ysolda Cabral

Quem disse que na vida não há morte?
E quem garante que na morte não há vida?
A primeira é fácil de saber
Já na outra, quem vai querer?

Ressuscitar da morte na vida
Já é uma constante
E muito interessante
Já na morte...
Creio que só Jesus!
Se houve outro
Vá, me conte!

Sei a história de Lázaro
Entretanto foi obra do Cristo
E não mérito do distinto
Logo, não conta.

Viemos de onde?
Da terra
Do céu
Do mar...

Alguma razão nos trouxe
Para aqui estar
Mesmo que por pouco
E, isso é muito louco...

E se eu não fosse eu
Seria qualquer Um?
E este Um saberia que sou Eu?

Acho que estou divagando
Ou será que estou delirando?
Sinto que não sou mais eu
É que entardeceu
Afinal o que aconteceu ?

sábado, maio 03, 2008

MERGULHO EM VOCÊ




MERGULHO EM VOCÊ
De: Ysolda Cabral


Tenho você aos meus pés
E você é quem me domina
E me fascina ...
E me tem de maneira absoluta
E definitiva...

A impressão que tenho
É que estou a lhe olhar
Até quando você quiser
E deixar...

Sei que somos ligados
De alguma forma perfeita
Talvez no encanto ou no mistério
De nossas profundezas
Dentro ou fora do planisfério...

Não sei...

Sei que, quando perto de você estou
Algo de mágico acontece
Minha alma, como se saísse de mim,
Fica a flutuar sobre você
Sem medo algum de cair...

Sabendo como estou segura
Sinto nossas energias serem únicas
Mando embora toda a amargura
E me encho de amor e de ternura

Sem medo ou vacilação
Mergulho fundo em você
Deixo-me possuir
De corpo, alma e coração...

Quando saio de você
Estou pronta, novamente,
Para a vida conduzir
Sem muito reclamar
Ou ter que colorir.



sexta-feira, maio 02, 2008

IMUNIZADA





IMUNIZADA
De: Ysolda Cabral

Vou parar de esperar
Por uma coisa que jamais virá
Cansei de sonhar e só ter pesadelos
Que serviram para me deixar só,
Com medos...

Agora está decidido
Não vou mais pretender
O futuro nunca me pertenceu
Não vou dar à mínima
Nem para o meu mais profundo EU

Cansei de me confundir
Iludir, pensar e cogitar
Que algo realmente grande
Haveria de vir

Assimilarei coisas reais
E quem achar ruim
Saia de perto de mim
Porém, sem sorrir...

Pois falo de coisa séria
Coisas que vêem de dentro
Que estão no meu coração
E ninguém tem noção
De como elas são...

Não ache isso ou àquilo
Agora quem acha sou EU
Um basta, darei
E não mais sofrerei
É que hoje
Finalmente me imunizei.