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sexta-feira, junho 27, 2008

ILUSTRE VISITA



ILUSTRE VISITA
De: Ysolda Cabral



Hoje a tristeza chegou
Sem avisar e sem pedir licença
Querendo ser recebida
Com honras de chefe de estado
- Tem graça?

Entretanto, como eu previa sua chegada
E sou muito bem educada
Dei-lhe as boas vindas
De maneira elegante e refinada.

E, para valorizar ainda mais sua chegada
Disse-lhe da minha alegria em recebê-la
- Queria mesmo agradar-lhe -
Contudo, ela ficou meio cabreira e cabisbaixa
Senti muita pena da ingrata...

Enfatizei a importância de sua visita
Na vida de qualquer reflexiva criatura
Cheguei até a lhe lembrar variados motivos
Antes de lhe servir uns deliciosos aperitivos...

Mas ela, mal educada, não quis muita conversa
- Achando pouco, creio -
Tentei justificar a minha falta de tempo
Para lhe recepcionar mais a contento...

Ela não quis conversa
E sem, sequer, me dizer até logo
Resolveu ir embora
Na mesma hora.

Ah, coitada!
Nem escutou quando lhe disse:
Ei! Volte sempre QUERIDA.

terça-feira, junho 24, 2008

REALIDADE DA ILUSÃO




REALIDADE DA ILUSÃO
De:Ysolda Cabral


Não discuto religião, política e nem sentimento
Primeiro porque das três questões nada entendo
Refletindo um pouco sobre mim
Chego à conclusão que sou assim:

De religião, acredito em Deus
De política, corro léguas
De sentimentos, não sei nem dos meus
Mesmo eles sendo simples como eu...

Entretanto, uma hora sou de um jeito
Na outra não há quem me dê jeito
Hoje não faço nada que dê bom efeito
Sei que amanhã estarei no leito...

Talvez da morte
Talvez da sorte
Talvez da hipótese
Daquilo que enfim se pode...

E, como o poder é relativo
Deduzo que dele não quero luto
Nem muito menos triunfo
Posto que, com a vida,
Não mais me iludo.

Contudo...
Continuo acreditando
Na realidade da ilusão
Metodicamente articulada
E enganosamente pretendida
Para minha própria SALVAÇÃO...

Você acha que não?

sábado, junho 21, 2008

NOITE DE SÃO JOÃO



Noite de São João
De: Ysolda Cabral

Não tem Natal, nem Carnaval
A festa é a de São João
Comida boa, arrasta-pé
E muita animação

Não precisa muita coisa
Uma sanfona, um triangulo, uma zabumba
Um bom puxador de quadrilha e de forró
Pra se dançar a noite toda

Forró rasgado, pé- de- serra
Dengoso e levado a sério
No compasso e mesmo sem sair do lugar
Não há dança melhor pra se dançar

Noite de São João é noite de sonhos a realizar
E, se da quadrilha participar
Controlar o ciúme para a noite não estragar
E assim amanhecer nos braços do ser amado
Feliz por não ter tido que arengar

Arenga num arrasta-pé não é aconselhável
Substituição no ato é delito perdoado
A não ser que o cabra seja muito metido a macho
E queira tomar satisfação
Aí a peleja é resolvida ligeira e na base do facão

Portanto, desejo a todos
Um animado São João
Com muita cautela e juízo
Para não haver confusão...


quinta-feira, junho 19, 2008

O QUE QUERES DE MIM?



O QUE QUERES DE MIM?
De: Ysolda Cabral



Ando tão sem inspiração!
- Ou não?
Com os sentimentos em confusão
E sem disposição!
- Ou não?
Estou dentro do desconhecido...
- Sei não!
Um rumo antes traçado com mão firme
Muda sem limite e sem precisão
Levando-me por lugares esquisitos...
- Opa, quero não!
O querer é intrincado
E quando perdido num pedaço
Deixa o caminhar manco e pesado
Sem perspectivas de muito seguir
E sem a possibilidade de voltar
- Será mesmo o fim?
Oh, Vida!
- Afinal, o que queres de mim?



domingo, junho 15, 2008

CARA A CARA




CARA A CARA
De: Ysolda Cabral


Estou numa praça de alimentação
Há gente por todo lado
Fazendo muita algazarra
Mas como estou com um livro nas mãos
Não escuto e não vejo nada.

No meio da multidão me sinto só
Leio o livro e reflito se realmente existo
Penso, penso e não encontro nada
O caos que está em mim me arrasa...

O cheiro me deprime e me sufoca
Mistura de comida, perfume e bebida
Não combina com meu apurado olfato
E sinto dificuldade de respirar no ato...

Pergunto-me o que faço ali
E escuto alguém responder
E eu que vou saber?
A doida aqui é você!

Suspendo a leitura
Olho para um lado e para o outro
Procurando quem foi comigo tão afoito
E do outro lado da mesa está a minha cara
A zombar de mim com muito gosto...

Que desgosto!!!

Levanto-me pronta para me encarar
Guardo dentro da bolsa o livro com cuidado
E já de pé me vejo continuar sentada
Fico com muita raiva e me pergunto:
Vai continuar aí parada?

Vou embora sem olhar para trás
Mas sinto que resignada me acompanho
Rio e fico meio tonta ao constatar
Como fui boba em me desafiar!


segunda-feira, junho 09, 2008

FÁCIL SOLUÇÃO




FÁCIL SOLUÇÃO
De: Ysolda Cabral

Não sei se estou em pequenos pedaços ou vazia.
Se estou em pequenos pedaços,
juntar tudo será muito complicado,
pois corro o risco de deixar de ser uma utopia.

E se ela era eu e eu era ela, como viverei sem ela?
Como juntar os pedaços de uma quimera?
Mesmo pegando com todo carinho seus pedacinhos,
quando terminado, estarei longe dos antigos caminhos.

Neste ponto terei que ponderar bastante
de como seguir em frente sem saber o instante.
E se eu resolver ficar?
O Tempo terá que parar!

Como o poderoso Tempo não pára,
tenho que considerar a hipótese de estar vazia.
Então, meu caso será de fácil solução.
Se você quiser saber, eu explico a razão:

Imagine que sou um recipiente,
não importa o tamanho e nem a largura,
estar vazio é o fator preponderante
para caber um conteúdo fascinante.

Ah! Pegarei muita paciência e alegria,
fé sem religião e um pouco de filosofia,
muito entendimento e determinação.
Colocarei pra dentro numa só porção.

Depois vou atrás da poesia,
de versos em perfeita simetria,
compostos para ricas e lindas quadras,
e dispor quando estiver apaixonada.

Ah! Pegarei um pouco de faz de conta,
uma pitadinha de magia,
sem maldade e sem afronta,
para garantir o tino quando ficar tonta.

E assim estarei novamente comigo,
traçando meu próprio destino.
Quem estiver comigo eu ajudo.
E quem não estiver, não me iludo.

Meus dias serão todos lindos,
e se não forem eu os pinto,
pois no recipiente também coloquei:
tela, tinta e um apropriado recinto.

domingo, junho 01, 2008

RUMO CERTO






RUMO CERTO
De: Ysolda Cabral


Estou com destino meio incerto
A estrada a minha frente é convidativa
E o dia está quente, ensolarado e lindo
Eu, indo e indo, no meu incerto destino...

Estou na velocidade permitida
A sensação de controlar o tempo
Encanta-me e fascina
Ele nada dita...

Estou agora a cento e trinta
Chegando a cento e quarenta
Com a mente descansada
Finalmente...

A música é suave
E a paisagem ligeira passa
Passa sem deixar nenhuma marca
Que mereça um olhar mais atento
Do fotógrafo da mente...

A minha frente uma estrada
Num horizonte de sol poente
Convida-me a continuar sempre adiante
Sem olhar o retrovisor consciente...

Mas para ele olho
Desacelero e rapidamente encosto
Num acostamento bonito que só vendo
Respiro fundo o ar puro
Sinto-me dona do mundo
Dou notícias e volto ao rumo...

AO RUMO CERTO!

sábado, maio 31, 2008

EU E ELA




EU E ELA
De: Ysolda Cabral



No escuro da noite
Que começa a clarear
O SILÊNCIO fica cúmplice
Lembrando o da minha meninice
Quando me escondia
Para ninguém me chatear...


As idéias se confundem
Paro até de respirar
Igual quando pensava ser feliz
Só por lhe AMAR...


O TEMPO passou
Como se fosse um amante
Que ama, faz sonhar
E logo vai embora
Deixando a amada
Com sentimento de culpa
Só e a chorar...

Olho o Céu
Não vejo sol e nem vejo a lua
E na rua a SOLIDÃO é profunda
Será que “Ele”
Não vai voltar?

Que amante e esse
O qual vai embora
Deixando sua amada triste
Esperando uma volta
Que nunca acontecerá?


Ah! Que DESATINO tão grande
Faz a ALMA querer morrer
Para nunca mais viver?
Com certeza
Um impiedoso assassino
Disso não tenho dúvida
Esse menino...

Ela é sempre jovem
Não envelhece e não morre
E mesmo numa parceria
Tão desigual
Ela de mim não vai desistir
E eu dela...

JAMAIS!

quinta-feira, maio 29, 2008

BRILHO DE ESTRELA





BRILHO DE ESTRELA
De: Ysolda Cabral


Deus ao criar o homem
A sua Imagem
E semelhança
Não se deu conta
Que a forma usada
Foi a das estrelas...

E se deu
Não se importou
Até achou
Que muito bom ficou...

Daí deixou todos brilharem
A luz de pura magia e beleza
Afinal um bom Pai
Jamais se arrepende
Do benefício,
Que ao filho faz...

Muitos compreenderam
A grandeza do presente recebido
E com muita humildade
Retribuem a Graça
Brilhando no firmamento da Vida...

Já outros ignoram e desprezam
O maravilhoso e valioso presente
Fazendo de suas vidas
Uma vidinha mais ou menos
Triste e muito deprimente...

Por isso, caros amigos,
Vamos orar com muita fé
Por toda “Estrela”
Que não sabe de Sua Luz
E passa a vida pensando
Ser mera avestruz...




quarta-feira, maio 28, 2008

TRANSPORTE POESIA




TRANSPORTE POESIA
De: Ysolda Cabral

Viajo no Transporte Poesia
Todos os dias
Viagens curtas, longas, alegres, tristes
Ruins, boas e até mesmo enfadonhas...

Em dias de sol
Em dias de chuva
Em dias cheios ou vazios
Sempre nele estou
Confesso até que em demasia...

No Transporte Poesia
Não há poltrona
Bilhete reservado
Destino determinado
Parada regulamentada
Não tem hora para sair
Muito menos pra voltar...

Sua velocidade é controlada
Pelo amor daqueles que amam viajar
Num transporte diferente
Imprevisível e irregular...

O condutor tem que ser habilitado
Para o transporte conduzir
Não precisa muita maestria
Basta não ter lógica e nem razão
A habilidade fica restrita as coisas do coração...

E o passageiro precisa ser
Consciente do risco que vai correr
Quando um transporte desses escolher
Posto que, como todo transporte
Muito risco pode haver
O menor de todos eles:

É sua parada perder.


segunda-feira, maio 26, 2008

QUE FIO É ESSE?




QUE FIO É ESSE?
De: Ysolda Cabral


De volta do “Mundo da Lua”
Piso em solo firme
Achando que só pode ser
O Planeta Terra...

Sinto-me trôpega
Estado muito comum
Em astronauta
De outra época...

Dispo-me da roupa de viagem
Procuro um traje a rigor
Para encarar
A grandiosa festa...

A cautela me avisa:
Vá com calma, essa menina
Acabas de chegar
Convém primeiro descansar...

Sem dispor de tempo para perder
Não escuto o sábio conselho
E me apresso
Querendo contra o tempo correr...

Olho para um lado
E também para o outro
Nada se mexe, nem de leve
Será que voltei a “ESTACA ZERO”?

Despida em terra incerta
Não sentindo fome, sede e nem frio
Cabeça confusa e tonta
Constato assustada
Que; estou no “FIO”...

Do FIM ou do COMEÇO?


domingo, maio 25, 2008

NO MUNDO DA LUA



NO MUNDO DA LUA
De: Ysolda Cabral



Senti minha hortelã muito triste e solitária
Sem ar, sem brilho e sem quase nada
Folhas mortas pendentes
Outras há pouco nascidas e já sem vida...

Seu verde meio cinza
De poeira e falta d’agua lhe deixaram cansada
E, foi difícil sobreviver ao abandono de sua dona
Que andava com a cabeça no "Mundo a Lua"
Sem chão e quase nua...

Oh! Mundo doce enganador
Mágico e deslumbrante
Fascinante e arrasador...
E todos os "antes" vividos
Transpareceram ávidos ...

No semblante da coitada suplicante
Que termina na mais profunda dor...
A dor do engano
Do desencanto
Do trágico cômico
Dilacerado no peito
Deixando-o desfeito...

Hortelã e sua dona
Agonizantes
Tristes
Solidárias
Separadas
Apaziguadas
Num jardim
Sem adubo
Sem cor...

O que fazer
Meu senhor?

Adubar o jardim
Esperar a chuva vir
Quando tudo há de florir?

Sabemos que a vida se renova
Num vai e vem às vezes sem volta
Independente da hora
Podendo ser AGORA...

sábado, maio 24, 2008

ALMA DE POETA



ALMA DE POETA
De: Ysolda Cabral



Alma de poeta
Não é uma alma qualquer
É uma alma que sofre
Mesmo quando ama
E quando amada ela é.


Amigo poeta
Nem sei o que lhe dizer
Pois minha alma também sofre
Por não entender
Que agonia é essa
Que tanto faz doer...

E não entendendo nada
Com vontade e sem razão, cria regras,
Abdicando do desejo sem vacilação
Para viver de efêmeras quimeras
Mesmo que não tivesse corpo
Onde batesse um coração.


Ah! Meu amigo poeta
Que alma é essa que não sabe
Ter integridade e harmonia
Se, na sua loucura ou sabedoria,
Tudo está relacionado
Ao amor legítimo que sente?!

Quem, em sã consciência,
Uma alma dessas almejaria?
Um louco qualquer
Um vagabundo
Em qual mundo?
E que mundo uma alma assim
Condenaria?


quinta-feira, maio 22, 2008

SOU SOL





SOU SOL
De: Ysolda Cabral

Já fui dia
Já fui noite
Já fui tempo
Já fui até o vento...

Nunca igual
É fato consumado
É real
Não tem jeito...

Fui flor
Fui chuva
Sou de Lua

Hoje sou Sol
Sol que ilumina
Aquece sem queimar
Enxuga lágrimas e lamentos
Mostra caminho perdido na poeira
Que eu mesma não vejo...

- Almejo
Almejar não é proibido
Nem tem que ser cumprido
Pois não é palavra dada
de rei ou de rainha
Também não estou falando
De histórias de Carochinha...

E não sendo uma quimera
Quem me dera nunca decepcionar
E nem parar de iluminar
Qualquer destino
Mesmo que seja de um menino velho
Ou de um velho menino ...

Dou realce
Às cores, aos mares
Alívio às dores
Torno tudo mais bonito
Mesmo sendo sozinho...

E como sou Sol
Com alma de poeta
Que mesmo amando
E amada sendo
Vive sofrendo pra valer
E nada ninguém pode fazer

Vou lhe dizer:

Sou e estou Sol
Só por um segundo
Amanhã serei
Um triste moribundo
O qual ficará para sempre mudo...

OU NÃO?!


segunda-feira, maio 19, 2008

NOVAMENTE ASSIM,ASSIM




NOVAMENTE ASSIM, ASSIM...
De: Ysolda Cabral


Ontem fui Flor...
Hoje sou Chuva
Não forte
Pois não quero matar
Desabrigar, devastar, destruir...
Quero renovar
Colorir a plantação
Seja de flores, de frutos
Enfim, do que estiver
Pelo ar e pelo chão
Quero renovar as águas do riacho,
Do rio, do mar e de onde mais precisar
Sou Chuva que trás frio e aconchego
Que convida para um chocolate quente
Um macio cobertor, num fofo e velho sofá...
Um bom livro para ler
- O Mundo de Sofia, O Profeta, Mergulho na Paz,
Mutação, Sidarta, A Insustentável Leveza do Ser,
ou, Um Cordel Encantado – Quem vai lá saber?!
Chuva que sirva para aprender alguma coisa
Antes de me tornar dia ou noite
Ou simplesmente nada ser
Sou Chuva hoje, até não mais poder...
Pois sou e estou só
Esperança e Poesia
Na alma, na razão
E no sentido de ser e de estar
Para poder assimilar o existir...
Quem sabe assim a Vida volte para mim?
É que hoje, especialmente hoje,
Estou, novamente
Assim, assim...

sábado, maio 17, 2008

APENAS FLOR




APENAS FLOR
De: Ysolda Cabral


Hoje sou apenas Flor
Uma Flor qualquer
Nascida em qualquer lugar
Não tenho nome
Não tenho cor
Mas tenho beleza
Sou delicada e bem faceira
Meus espinhos são feitos
De goma elástica
Para não machucar
Apenas jogar longe
Quem de mim se aproximar
Meu perfume se espalha
Por todos os lugares
E se você fechar os olhos,
Respirar bem fundo
Sentirá minha fragrância
E ficará a mercê dela
Por que hoje sou Flor
Flor que não serve para nada
Só para homenagear
O AMOR.



quarta-feira, maio 14, 2008

MENTE SÃ




MENTE SÃ
De: Ysolda Cabral


Com o olhar atravessando a imagem
E um sorriso que não afasta mal olhado
Vou buscando um jeito de prosseguir
Mesmo sabendo que o caminho não é fácil...


Nele está tudo silencioso e parado
Nem minha música preferida
Escuto tocar
Resolvo parar também
E deixar a vida andar ...


O que será que há?
Não sei se estou dormindo ou acordada
Ou será que estou em transe de mágica
Efeito do pesadelo do qual acabo de chegar?


Tudo está hipnoticamente estático
Menos o meu pensamento
Que não pára de atormentar
O que restará quando tudo isto passar?


Um novo dia se aproxima
Trazendo chuva ou sol forte
A esperança voltará
Ou trará novamente a morte?


De qualquer sorte
Vou correndo para o mar
De água fria ou quente
Entrarei nele e só sairei
Quando tiver sã novamente...

domingo, maio 11, 2008

EU E O SOLDADINHO





EU E O SOLDADINHO
De: Ysolda Cabral




Um dia muito triste tive
Esforcei-me para que fosse um dia qualquer
Até toquei o meu violão e cantei uma canção
Muito suavemente para acalmar meu coração...


Como a música é sempre mágica e faz milagre
Confiei-lhe todas as minhas emoções
E fiquei foi muito decepcionada
Pois não aconteceu absolutamente nada...


A tristeza aumentou
O violão desafinou
Minha voz sumiu
E eu fiquei a olhar o vazio...
- Que frio!!!!

De repente, um Soldadinho
Pousa na minha perna
Com suas asas pequenas e belas
E sinto seu carinho...

Logo vem um beija-flor
Pára, olha para mim e para ele
Como se quisesse dizer
O que fazes com minha flor?


Não obtendo resposta
Vai embora
Do mesmo jeito que chegou...

Fiquei ali a refletir
Eu e o meu pequeno
E frágil companheiro
Sobre o amor verdadeiro...


Como ele nem se mexia
Fiquei em agonia
Precisava me levantar
E do canto não saia...


Não queria perder a sua companhia
E fiquei um logo tempo a esperar
Pelo o quê, eu não sabia
Creio que só queria
Na tarde do meu dia
Um pouquinho de alegria...



sábado, maio 10, 2008

JUÍZO FINAL




JUÍZO FINAL
De: Ysolda Cabral



Sou teimosa por natureza
Faz parte da mistura que resultou
Nesta pessoa aqui...
Que é uma beleza!!!
E quando for “medida e pesada”
No Juízo final,
A teimosia será o peso principal.

E, se, depois de julgada,
O veredicto não sair a meu favor
Ah! Vou, com ou sem consentimento,
Fazer uma réplica
Com veemente protesto.
Afinal, está no meu direito!
E, com todo o potencial,
Do meu peso principal,
Farei tudo do meu jeito!

Enlouquecerei qualquer tribunal
Derrubarei qualquer tese, argumento e prova
Que me condene
E com certeza mudarei
A sentença no final...

Pois depois de tudo isso,
Quem vai me querer por perto?
Mesmo que este perto seja no Céu ou no Inferno
Vão é me mandar de volta ligeirinho pra Terra
Aí, sim! Serei apenas, TEIMOSIA ...

- QUE ALEGRIA!!!


quinta-feira, maio 08, 2008

TEMPO DOBRADO




TEMPO DOBRADO
De: Ysolda Cabral


Quando em devaneio você se perde
Fica difícil ao caminho retornar
Não se preocupe e nem se desespere
Aproveite e se entregue
Isto é normal...Acontece!

A realidade às vezes é tão dura
O que custa você se perder um pouco
Mesmo que esse pouco seja meio louco?
Entretanto, é prudente considerar
Se a quimera vale a pena se entregar...

A entrega às vezes lhe sucumbe
Deixa-lhe tão dependente
Que você perde o rumo e o prumo
Bom mesmo é não sonhar
E viver cada momento como único...

Único e eterno
Vivido ternamente
No seu espaço cético
Fazendo seu infinito
Deixar de ser relativo.

Assim você se basta
E tudo que lhe rodeia é místico
E a beleza das coisas
Torna-se sua maior aliada
Deixando tudo de antes, para depois
Modificado por um tempo lindo
Que foi vivido e que passa a ser dois.


terça-feira, maio 06, 2008

ENTARDECEU




ENTARDECEU
De: Ysolda Cabral

Quem disse que na vida não há morte?
E quem garante que na morte não há vida?
A primeira é fácil de saber
Já na outra, quem vai querer?

Ressuscitar da morte na vida
Já é uma constante
E muito interessante
Já na morte...
Creio que só Jesus!
Se houve outro
Vá, me conte!

Sei a história de Lázaro
Entretanto foi obra do Cristo
E não mérito do distinto
Logo, não conta.

Viemos de onde?
Da terra
Do céu
Do mar...

Alguma razão nos trouxe
Para aqui estar
Mesmo que por pouco
E, isso é muito louco...

E se eu não fosse eu
Seria qualquer Um?
E este Um saberia que sou Eu?

Acho que estou divagando
Ou será que estou delirando?
Sinto que não sou mais eu
É que entardeceu
Afinal o que aconteceu ?

sábado, maio 03, 2008

MERGULHO EM VOCÊ




MERGULHO EM VOCÊ
De: Ysolda Cabral


Tenho você aos meus pés
E você é quem me domina
E me fascina ...
E me tem de maneira absoluta
E definitiva...

A impressão que tenho
É que estou a lhe olhar
Até quando você quiser
E deixar...

Sei que somos ligados
De alguma forma perfeita
Talvez no encanto ou no mistério
De nossas profundezas
Dentro ou fora do planisfério...

Não sei...

Sei que, quando perto de você estou
Algo de mágico acontece
Minha alma, como se saísse de mim,
Fica a flutuar sobre você
Sem medo algum de cair...

Sabendo como estou segura
Sinto nossas energias serem únicas
Mando embora toda a amargura
E me encho de amor e de ternura

Sem medo ou vacilação
Mergulho fundo em você
Deixo-me possuir
De corpo, alma e coração...

Quando saio de você
Estou pronta, novamente,
Para a vida conduzir
Sem muito reclamar
Ou ter que colorir.



sexta-feira, maio 02, 2008

IMUNIZADA





IMUNIZADA
De: Ysolda Cabral

Vou parar de esperar
Por uma coisa que jamais virá
Cansei de sonhar e só ter pesadelos
Que serviram para me deixar só,
Com medos...

Agora está decidido
Não vou mais pretender
O futuro nunca me pertenceu
Não vou dar à mínima
Nem para o meu mais profundo EU

Cansei de me confundir
Iludir, pensar e cogitar
Que algo realmente grande
Haveria de vir

Assimilarei coisas reais
E quem achar ruim
Saia de perto de mim
Porém, sem sorrir...

Pois falo de coisa séria
Coisas que vêem de dentro
Que estão no meu coração
E ninguém tem noção
De como elas são...

Não ache isso ou àquilo
Agora quem acha sou EU
Um basta, darei
E não mais sofrerei
É que hoje
Finalmente me imunizei.

quarta-feira, abril 30, 2008

TUDO DIFERENTE





TUDO DIFERENTE
De: Ysolda Cabral


Queria compor
Uma canção diferente
Uma canção que tivesse
Acordes surpreendentes
E quando alguém escutasse
Se sentisse leve, feliz
E em completo êxtase

Que toda tristeza desaparecesse
E uma paz interior tomasse conta
De forma que o abandono
Fosse tanto que lhe permitisse
Esquecer todos os lamentos
E os irremediáveis desencontros


E se quisesse
Ficar apenas quieto
Pois que ficasse
E se quisesse dançar
Pois que dançasse
E se quisesse gritar de euforia
Emoção em comunhão
Com a música e com a vida...
Pois que assim o fizesse...


Quanto à letra
Para esta música pretendida
Não precisaria ser
Muito eloqüente
E nem de português erudito
Nunca visto...

Bastaria que de maneira simples
E direta sobre o amor falasse...
Assim, todos compreenderiam
Que a vida tratada com amor
Torna tudo mais bonito
Diferente e muito encantador.


segunda-feira, abril 28, 2008

VIDA REGADA



VIDA REGADA
De: Ysolda Cabral


Chove muito neste momento
A chuva sempre me deixa aconchegada
Repousada e em paz comigo mesma
De alma fresca, viçosa, bela e bem abrandada...

Sinto que a vida
Foi regada, na medida exata
Para que eu continue a caminhada
Muito lúcida e amparada
Naquilo que existe de melhor
Em minha casa...

Sei que vou...
E estou indo
Para algum lugar
Que não está aqui
E nem em canto algum
Talvez num quadro
Que será ainda pintado?

Quem sabe...

Um dia há de chegar
E não serei mais assim
Serei luz, treva
Flor ou pássaro
A voar por aí?

Voarei dia, noite ou madrugada
Em tempo bom ou ruim?
Sentirei o cheiro da terra
Quando molhada?
Ai, o que será de mim?


sábado, abril 26, 2008

SAUDADES





SAUDADES
De: Ysolda Cabral


Hoje meu coração
Está doendo de saudades
Não sei exatamente de quem
Do quê e nem de quando...

Só sei que,
Com certeza, é de ontem
Que passou
E nem percebi
Apenas chorei e sorri...

Hoje choro
O meu pranto
Calada, triste e só
Até não sei quando
Sei que,
Este momento
É medonho...

Entretanto,
Amanhã será outro dia
E quem sabe
Não voltarei a sorrir
A cantar, a amar
E a viver outra vez?

Talvez...
Alguém diz
Pois uma saudade dessas
Não passa
Por mais que ande o tempo
Isto realmente condiz?

Se não condiz
Que o deus Tempo
Ande rápido
Ande logo
E leve de mim esta dor
Pois ela é mesmo um horror...


quinta-feira, abril 24, 2008

MORRO NÃO




MORRO NÃO
De: Ysolda Cabral


Sou boba
Sou louca
Sou séria
Sou toda Ysolda Cabral
E isto é o que interessa.

Nunca igual
Se fosse seria outra!!!

Minha fôrma
Jogaram fora
Não havia outro jeito
E agora?

É a vida!
Alguém grita.
Eu respondo: sou VIDA!

Mesmo que numa bela tela de cores fortes
Tenha sido anunciada a minha morte...
Não com muita antecipação e nem por intuição
Mas, com indução de ser colocada num belo e vistoso caixão,
Rodeada de belas flores, frescas e perfumadas...
Ah, que profética visão!

Porém...
Se minha poesia é verdadeira
E tem a minha alma,
Que sempre foi só emoção,
Como haverá separação?

Posso de fato ir e vou
Sem contemplação
E sem Prorrogação...

Entretanto, minha poesia fica.
Ah, ela fica sim!
E com o melhor de mim.
Quem irá garantir
Que, morrerei enfim?


terça-feira, abril 22, 2008

O QUE TENHO DE MELHOR





O QUE TENHO DE MELHOR
De: Ysoldac Cabral


Hoje é meu aniversário
Não estou triste e nem alegre
Estou conformada
Afinal é dia de festa
Na certa.

Vou me arrumar nos mínimos detalhes
Colocar o meu perfume preferido
Sentir-me-ei bem bonita
E se não me olhar no espelho
A idéia estará garantida.

Por não querer este risco correr
Melhor nem pensar
Chegar perto do espelho
Ele não irá me enganar e nem me esconder.


Entretanto, posso me surpreender
E gostar muito daquilo que vier a ver
Afinal, o que tenho de melhor
O espelho não vai mostrar
E nem muito menos dizer...

O que tenho de melhor
Eu vou contar aqui e agora
Não vou me fazer de rogada
É só esperar pra saber...

O que tenho de melhor...
Espere,
Estou pensando,
Não atrapalhe,
Calma,
Calma!!!
- Que coisa!!!
O que tenho de melhor?!!!
Vou contar: O QUE SERÁ?!!!


domingo, abril 20, 2008

REBELDE POR CAPRICHO



REBELDE POR CAPRICHO
De: Ysolda Cabral


Estou com a sensibilidade à flor da pele
Sempre que estou assim fico muito vulnerável
Tudo me afeta de maneira muito intensa
Querendo resolver todos os problemas e se não consigo
Fico profundamente triste comigo.

Mas é uma tristeza lúcida
Que trás clareza e entendimento
Para o meu espírito por vezes desiludido
Rebelde por puro capricho
Querendo negar que a vida é boa
- Como sou tola!

Tolice também é coisa válida
Mesmo que nos leve por caminhos tortuosos
Sem muitas perspectivas
Sempre nos salva do castigo
Quando quebramos literalmente a cara
E isto é verdade.

De uma coisa tenho certeza
Hoje vou tentar sorrir sempre
Mesmo que este sempre seja só agora
E se logo mais eu chorar
Não vou me importar
Afinal sorrindo e chorando
É assim que a vida vou levando.






quinta-feira, abril 17, 2008

SEI QUE SOU



SEI QUE SOU
De: Ysolda Cabral


Se eu fosse escultora
Não queria trabalhar com argila
Nem com nenhuma matéria prima
Que não fosse colhida
De dentro de minha alma
Quando ela está sentida.


Se eu pintasse um quadro
Queria que sua tinta escorresse
Para que os meus melhores sentimentos
Nele não ficasse e assim
Pelo mundo se espalhasse.


Se eu fosse um pássaro
Jamais voaria baixo
A não ser quando tivesse fome
Então mergulharia num vôo rasante
Para aplacar, inclusive, minha sede
Que chega a ser dissonante.


Ah! Se eu fosse o Sol
Estaria sempre entre o Nascer
E o seu Pôr...
Sem me opor a nenhum estado
Que ele quisesse permanecer.


E se eu fosse a Lua
Ficaria sempre a disposição
Dos poetas e dos enamorados
Para que esses me dedicassem
Sempre lindas homenagens.


Mas, como nada disso sou
E nem mesmo sei quem sou
Vou continuar pensando ser
Apenas Ysolda.

quarta-feira, abril 16, 2008

ENCANTADO LABIRINTO




ENCANTADO LABIRINTO
De: Ysolda Cabral


De qualquer maneira
Vou registrando meus momentos
Os bons e os ruins
Tentando encontrar
Uma definição entre eles...

Assim vou vivendo minha vida
Que, com certeza,
Não é uma vida mais ou menos.

Vida cheia de altos e baixos
Pequenas e insignificantes realizações
Grandes decepções
Enormes tristezas e pouca alegria
Muito sofrimento e nostalgia
Contudo, muita fé na agonia.

A lembrança
Já um tanto cansada
De sonhar coisas impossíveis
Ah, ingrata!
Recorre sem pudor ao Redentor
Com todo amor e fervor.

A resposta vem
O difícil é entender e perceber
O que ela quer dizer
E, quando percebemos
À hora já passou
E outra agonia se instalou...

Parece até brincadeira de criança
Tipo: esconde-esconde
Pega-pega
Bem-me-quer
Mal-me-quer...

Às vezes fico a pensar
Se existe algum lugar
Pra gente ser feliz de verdade
Será que a felicidade depende da sorte?

Quando chego neste ponto
Paro de tentar encontrar a porta de saída
Deste lindo e encantado labirinto
Que é a vida.

domingo, abril 13, 2008

MAU PRESSÁGIO


MAU PRESSÁGIO
De: Ysolda Cabral


Sinto uma coisa assim
Parecida com mau presságio
Pois um silêncio falso me sonda
Abraça-me e me deixa tristonha.

O que será que está por vir?
Mais um ente querido se vai?
Trazendo infinita tristeza, saudade
E logo num domingo de tarde?!

Domingo já é um dia ruim
É final de semana que chega ao fim
Início de semana chegando assim
O que será de mim?

Estou com vontade de dar o fora
Ir para um lugar bem longe daqui
Sem perspectiva de voltar
- É sério!
Talvez fosse melhor ir embora...

Ninguém mais teria notícias minhas
E de ninguém mais me lembraria
Mas, assim feliz eu não seria
Ai! Que dor medonha
Sinto bem aqui!

quinta-feira, abril 10, 2008

LIBERDADE DE ESCOLHA





LIBERDADE DE ESCOLHA
De: Ysolda Cabral


A partir de agora
Com toda minha lucidez insana
Declaro que não irei mais sofrer
Pois nenhum sonho mais vou ter.

Sonhar é bom
Contudo engana
E de enganos já basta!

Assim não vou me surpreender
Tudo virá com tranqüilidade
Se eu não me abalar
Com nenhuma verdade
Que ainda possa haver.

O tempo passou
Isto é incontestável
Porém nada acrescentou
Apenas destruiu
Todos os lugares que andou.
E isso não bastou?

Pois se a chama do amor
Não existe como os poetas cantam
A dor também não existirá
Para sentimentos que não acontecem
Ou, não avançam...

Amor é sonho, fantasia
E quando você pensa que o tem
Ele sorrateiramente vai embora
Deixando um vazio de saudade
Muita agonia no - E agora?!

Então todas as honras
À liberdade de escolha
E eu escolho não mais sofrer
Pois de amor, se nunca vivi,
Não será dele que vou morrer.

Quem vai lá saber...

terça-feira, abril 08, 2008

SOB RAIOS





SOB RAIOS
De: Ysolda Cabral

Você se olha no espelho
Encara-se com relativa tranqüilidade
Entretanto, você não se reconhece
E isto é a pura realidade.

Realidade desencontrada
Daquilo que você vê
E que não confere
Com aquilo que você sente
O que fazer?

Logo constatamos
Que o mais importante
É àquilo que, diante do espelho,
Estamos vendo
Assim e muito de repente...

Como, contra fatos
Não há argumentos,
É muito ruim ter que admitir
Que o que queremos,
Sonhamos, fantasiamos,
Já não mais podemos.

Foi embora com o tempo
Senhor absoluto
De todos nós, tolos entes,
Aqui, neste planeta, existentes.

Se em outros planetas
Houver vida e lá não existir
O ingrato e perverso tempo
Vou ficar muito chateada
De ter vindo parar neste tormento.

Merecia ser consultada
E uma escolha eu faria
Se, contudo, lhe soubesse
Por aqui, com certeza,
Outro lugar não iria me servir.

Mesmo que me jogassem
No sul e você no norte
Mesmo assim minha escolha
Seria mesmo para este planeta vir.

Desde que, tivesse a certeza
De nos encontrar em algum lugar
Sob raios de sol ou de luar
De trovões ou de relâmpagos...
Mesmo assim eu não iria me importar
Viria mesmo para cá.

domingo, abril 06, 2008

NOITE CALMA





NOITE CALMA
De: Ysolda Cabral


Uma noite calma e tranqüila tive.
Foi como se um Anjo segurasse minha mão,
Cuidando de mim com muito carinho.
Senti-me querida, amada
E muito protegida.

Que grande emoção!
Entretanto, em dado momento,
Ocorreu-me a possibilidade
De estar em outra galáxia...

Acordei, assustada!
Olhei ao meu redor
E não vi nada!
Apenas senti que,
Estava acompanhada.

Novamente, coloquei, suavemente a cabeça
Em meu travesseiro de marcela
E voltei a sonhar
O sonho que antes sonhava...
Sonhava com um amanhecer,
Belo e repleto de raios de sol,
Sobre mim...
E não é que,
Amanheceu assim!


quinta-feira, abril 03, 2008

A CANÇÃO QUE NÃO FIZ




A CANÇÃO QUE NÃO FIZ
De: Ysolda Cabral



Pensei em fazer uma canção...
Uma canção de amor, talvez.
Peguei uma folha de papel,
Um lápis e o meu violão,
Com toda minha avidez.

Comecei a dedilhar com carinho...
De quem sente muita saudade!
Solfejando baixinho,
Uma nova e bela canção,
Com toda minha verdade.

O papel esperando sua vez...
O lápis pronto para rabiscar...
Percebi desesperada,
O quanto iria decepcionar!

Os sentimentos se atropelando,
Num vai e vem constante...
Entre o antes e o agora.

Triste constato que,
Assim, o que virá,
Chegará sem demora,
Só para atormentar.

Resolvi então parar.
Quem sabe se não engano
Aquilo que virá?
Decisão tomada,
O som suavemente vai embora...

Dedos sem calos, frios e doídos,
Na minha mão...
Pesando toneladas;
Senti!
Então pensei:
Será que morri?!
Sei não...
Será?!
Talvez...

domingo, março 30, 2008

ESPERANÇA


ESPERANÇA
De: Ysolda Cabral


O dia está feio e muito triste.
Chove uma chuva chata e insistente,
Que não serve para nada!
Só para me fazer sentir,
Como se tivesse sido abandonada.

Um abandono mesmo pela sorte
E nunca pretendido,
Obriga-me a lembrar que a vida,
Não é só realização e alegria.
É também feita de muita tristeza e m
elancolia.

Entretanto,
A esperança inunda meu coração...
Afinal, amanhã é outro dia!
E assim, repleto de esperança e emoção,
Bate no peito um Tum-Tum com muita maestria.

Disso ele entende bem!
Bate forte, bate fraco,
Bate até mais ou menos, também.
Só não pode é parar de bater,
Pois agora não é hora disso acontecer.

terça-feira, março 25, 2008

É PRECISO PROTEÇÃO







É PRECISO PROTEÇÃO
De: Ysolda Cabral

Queria hoje compor uma canção
Perfeita em rimas, conteúdo e beleza.
Que pudesse cantar com alegria e emoção
E assim afastar toda a minha tristeza.

Sou naturalmente alegre e bem faceira
Quando a tristeza bate é por motivo nobre
Ninguém pense ser besteira
E se há quem pensa assim
É por que é muito pobre.

Pobre de alma e coração
Pobreza da pior espécie
Pra ela tem jeito não
É justa maldição...

Maldição mínima de um século
Que acompanha a dita cuja (alma)
Por caminhos tortuosos e sem nexo
A deixando, cada dia, mais feia e suja.

Não há reza que conserte
Deus nos guarde sempre dela
Que fique bem longe da gente
E que vá parar mesmo é no inferno.

- A vida é surpeendente, inesperada e bela!!!




sábado, março 22, 2008

MEU PAI É ASSIM





Meu pai é assim


Papai é uma pessoa de personalidade excepcional, altamente correto, honesto, integro e autêntico em todas as suas atitudes. Está sempre de muito bom humor e sua fé em Deus é inabalável. Se bem que, agora está com medo de morrer. Disse não saber o que vai “topar do lado de lá" e por isso prefere ficar por aqui mais uns 150 anos.


- Seu pai, meu avô, Firmino, queria chegar aos 700.

Inteligente e muito teimoso também. Quando cisma de fazer algo faz e faz muitíssimo bem feito. Só para se ter uma idéia, uma ocasião ele foi buscar um terno que havia mandado fazer pelo melhor alfaiate de Caruaru.
Voltou chateado porque o terno não havia ficado como ele queria (sempre foi muito vaidoso e soube se cuidar).

Mamãe disse-lhe para parar de bobagem que nele nada ficava feio (papai é lindo até hoje, aos 77 anos). Bom, não havia jeito dele gostar do terno e ficou a reclamar dizendo que, se fosse fazer, faria melhor. Mamãe duvidou uma vez que, ele nunca havia pego numa tesoura, agulha e linha na vida.

Papai não teve dúvidas, imediatamente, comprou o tecido e fez um terno. A casa ficou de ponta cabeça. Mamãe só faltou enlouquecer e o proibiu de pegar numa tesoura para o resto da vida.

- Mas, ele fez!

É muito espirituoso e ainda hoje disputamos quem é o melhor naquilo que nos propomos fazer. Muito carinhoso, e, quando nos abraça ficamos sem ar do aperto tão grande.

Já mamãe era “arisca”! Brincávamos muito com eles dizendo que se dependêssemos da participação dela para nascer, ainda estávamos por vir. Ela só fazia rir, ficava corada e dizia para pararmos com a brincadeira. Era carinhosa com todos os filhos e muito mimada por todos nós. Contudo, minha irmã caçula, Inára, a estragava de tanta manha.

Que saudades de você mamãe!

A casa ainda tem o seu perfume e para todos os lados que olhamos, lá está você!

E por falar em mamãe, Inára, pediu para ele orar por ela todas as noites. Ele, lhe disse que não, pois em lugar algum na Bíblia falava que a pessoa precisasse de oração depois de ter morrido.

- Eu posso...?!

Mandou foi ampliar várias fotografias dela e outras dos dois e deu para cada filho. Outras,espalhou pela casa.

A bisneta, Ylana, de 03 meses, que voltou para o Rio esta semana, ele a chama de “boboquinha”. Hoje perguntou a Yauanna, minha filha de 17 anos, se ela era uma “patricinha”. Yauanna ficou indignada e disse: ora vovô, não sou patricinha! Sou igual a você: vaidosa. Ele deu uma risada gostosa e disse ter sido só para provocar. Papai é terrível!

Outra dele: estávamos almoçando e eu contando para minhas irmãs as peripécias que apronto no Orkut e ele só escutando. Então, Inára, me perguntou se eu tinha visto seu comentário no blogger, relativo à poesia “Contrição” (ela curte muito meu blogger).

Papai olhou para mim e falou: eu não suporto poesia, prefiro minhas crônicas.

– Ele escreve diariamente, e, fora as crônicas já publicadas nos jornais de Caruaru e Diário de Pernambuco, contabiliza mais de 10.000 trabalhos. Todos, escritos em cadernos enormes de 400 folhas. Em cada folha duas crônicas, uma na frente e outra no verso. Fiz tudo para ele usar o computador mas, ele diz que o “calepino” é melhor.

Respondi-lhe na horinha e bem na cara dele: escuta aqui Alírio, sabe por que você não gosta de poesia? – Porque sou melhor que você. Ele engasgou de tanto rir.

Fez várias canções, belíssimas, para mamãe. Abaixo, trechinhos de algumas que gosto muito:

Por ocasião de uma briga boba:

...Sofrer assim não pode ser
Viver assim melhor morrer
O meu pobre coração
Já não quer desilusão

Se já sofri
Se já chorei
Foi por você meu grande amor
O meu viver é só enfim
Querer você só para mim

Sim, sim, sim
Não, não, não
Bate assim o meu coração

Sim, sim, sim
Não, não, não
Pra você esta minha canção

Por ocasião de uma viagem de mamãe, sem ele:

...Esta é a canção que lhe fiz
Tudo foi emoção que senti
Quando vi você partir
E logo sumir me deixando só

Quero você aqui
Quero você assim
Quero você pra mim...

Um dia, sua sobrinha, Yolanda, lhe perguntou como ele compunha. Ele pegou o violão e lhe disse é assim:

Vou dizer pra você
Toda minha paixão
Vou dizer pra você
Toda minha emoção

Se você entender
Será muito pra mim
O destino que fez
Eu amar outra vez
Você me quis

Aí deu um nó na rima, ele apelou:

Vai ser muito bacana
Você só para mim
E depois
E depois

Aí empancou...

E depois hum rum rum
E depois hum rum rum..

Fez várias canções para nós seus filhos e também para os netos. Só não fez ainda para a Boboquinha.

Ele conta que, uma ocasião, quando ainda noivo de mamãe, discutiram e terminaram. Creio que ciúmes (mamãe era linda também) e ele morria de ciúmes dela.

Terminado o noivado, mamãe foi passar uns dias no engenho da família, lá pelos lados de Bonito. Quando ele soube, enlouqueceu!


Foi imediatamente a procura dela. Chegando na cidade de Bonito, pegou um cavalo na fazendo de seu padrinho, João Caramuru, e, galopou até onde mamãe estava.

No final da tarde e já feita as pazes, ele montou no cavalo e voltou para Bonito.

- Só pensava em mamãe...

De repente, já noite, percebeu que galopava, galopava léguas e nunca chegava.

- Havia se perdido! Entrou em pânico...

Foi quando encontrou um camponês e lhe perguntou o caminho de volta para Bonito. O camponês lhe respondeu: você está sobre ele!

- Solte as rédeas do cavalo que ele lhe levará.

Assim foi seu retorno. Aos cuidados do cavalo e na cabeça: mamãe.

Ô viagem boa, num foi meu pai?!


Amo você.


Linda Páscoa papai.

PS. Na foto ele e mamãe quando noivos.

Mamãe faleceu, infelizmente, no dia 14/01/2008.

sexta-feira, março 21, 2008

CONTRIÇÃO




CONTRIÇÃO
De: Ysolda Cabral


Semana Santa
Santa Semana
Abençoada e tanta!

Aproveito para por a “casa” em ordem
Cada coisa em seu devido lugar
Uma dúvida: que espaço irá me guardar?

Sou "estourada" pra danar
Temperamento medonho de ruim
Sorte que passa logo
Mas causa enormes estragos.

Enfim...

Aproveito esta época,
Costume que trago desde menina,
Para me obrigar a pensar e repensar
E só vêm coisas assim:

Um lamento... Um ai...
Por fatos que já se foram
E outros que hão de vir
E que, talvez, não devessem chegar

Sempre há algo a aprender
Não tenho nada que valha a pena ensinar
Preciso é voltar a escutar
A voz do Vento
Quem sabe assim
Não venha a me salvar...?!




quarta-feira, março 19, 2008

PÁSCOA




PÁSCOA


Que neste período, próprio para reflexão, aconteça algo realmente grande que faça a humanidade parar de vendar os olhos para as coisas belas e verdadeiras que AINDA existem e tentem salvá-las.

Uma Páscoa de olhos abertos e boca fechada para não atrapalhar a contemplação e a oração.

Ysolda Cabral

terça-feira, março 18, 2008

COMO UM AÇOITE


COMO UM AÇOITE
De: Ysolda Cabral

Meia noite
Meio dia
Meia vida
Meio sem saída

Saída sem jeito
Efetivamente com efeito
De partida
De despedida
Que deixa saudade
De morte

Cheiro da noite
Cheiro de frio
Que esfria
Que arrepia
Que não sossega
Que deixa só o vazio

Vazio repleto de esperança
Para uma mudança
Que virá ao nascer do dia
Ou ao meio dia
Ou ao cair da noite
Como um açoite
Para acontecer
Se houver a sorte.

segunda-feira, março 17, 2008

SAÍMOS JUNTOS




SAÍMOS JUNTOS
De: Ysolda Cabral

Hoje fui examinar meu coração.
Colocaram-me numa mesa
Braços erguidos e presos.
No peito, esquerdo, muitos fios
Num lugar bastante frio.

Um tubo branco e preto
A passear sobre meu tronco e cabeça.
Comecei a pensar qual cor iria encarar,
Pois qualquer escolha seria puro preconceito.
Resolvi fechar os olhos e comecei a sonhar.

Quando comecei a me sentir
Dentro do meu próprio coração,
Aconchegada e quente...
Tiraram-me da mesa, abruptamente.
Eu, totalmente atordoada,
Mandaram imediatamente:

Caminhe!
Lento... Rápido... Correndo...
Fizeram uma veia de acesso,
Para levar marcadores líquidos até ele,
Meu massacrado coração.
Fiquei a pensar:
Será que vamos escapar,
De toda essa enorme confusão?

Ele feito louco batendo
A me perguntar:
Por que estamos aqui,
Se juntos nos completamos, nos bastamos
E nos entendemos?!
E se eu resolver parar?
Eles não irão evitar!!

Vamos embora antes que eles nos matem!
Temos muito pra fazer, pra saber,
Pra contar, pra cantar e pra viver...
Mas, enfim:
Vamos sair juntos daqui?



quinta-feira, março 13, 2008

NOCAUTE NA TRISTEZA





Nocaute na Tristeza
De: Ysolda Cabral


Hoje a tristeza me bateu
Sem dó ou compaixão.
Ela é muito achegada a isso.
É sádica e traiçoeira
E eu fiquei sem ação...

Ela chega sem a gente convidar.
Instala-se de maneira sorrateira,
Tomando conta da gente,
Machucando pra valer,
Sem se preocupar,
Se vamos agüentar.

Ah, mais eu agüento,
Agüento sim!
E vou logo avisando:
Pode bater a vontade,
Pois logo vem a revanche
E de um sôco só,
Jogo você na lona,
Apenas num piscar!

Sou alegria,
Não sou agonia,
Sou da harmonia
E sei que posso
Assim lhe derrotar.

Portanto, vá embora!
Aqui não há lugar,
Para você ficar.
Vá bater em outra porta.
Numa porta que,
Bata-lhe na cara à porta
E você caia morta
Para nunca mais
A ninguém atacar
.

segunda-feira, março 10, 2008

SILÊNCIO FATAL




SILÊNCIO FATAL
De: Ysolda Cabral

No meio do silêncio,
Há música...
Audível apenas aos meus ouvidos.
Deixo-me envolver suavemente.
Ela me acalma, me seduz
E me tem totalmente.


Neste momento somos
Completa união em sublime sintonia,
Formada de muita emoção e magia.
Com ela, eu e meu pensamento,
Num ritmo sagrado e quase santo,
Daquilo que é puro encantamento.


E assim estamos
Nos entregando totalmente.
O mundo lá fora não existe.
Ele está aqui e agora,
Neste exato momento.


Eu, de tão contente,
Não o quero deixar ir.
Quero que fique para sempre aqui.
Porém, como tudo tem o seu final,
A música termina
E o silêncio se torna fatal...