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quinta-feira, abril 17, 2008

SEI QUE SOU



SEI QUE SOU
De: Ysolda Cabral


Se eu fosse escultora
Não queria trabalhar com argila
Nem com nenhuma matéria prima
Que não fosse colhida
De dentro de minha alma
Quando ela está sentida.


Se eu pintasse um quadro
Queria que sua tinta escorresse
Para que os meus melhores sentimentos
Nele não ficasse e assim
Pelo mundo se espalhasse.


Se eu fosse um pássaro
Jamais voaria baixo
A não ser quando tivesse fome
Então mergulharia num vôo rasante
Para aplacar, inclusive, minha sede
Que chega a ser dissonante.


Ah! Se eu fosse o Sol
Estaria sempre entre o Nascer
E o seu Pôr...
Sem me opor a nenhum estado
Que ele quisesse permanecer.


E se eu fosse a Lua
Ficaria sempre a disposição
Dos poetas e dos enamorados
Para que esses me dedicassem
Sempre lindas homenagens.


Mas, como nada disso sou
E nem mesmo sei quem sou
Vou continuar pensando ser
Apenas Ysolda.

quarta-feira, abril 16, 2008

ENCANTADO LABIRINTO




ENCANTADO LABIRINTO
De: Ysolda Cabral


De qualquer maneira
Vou registrando meus momentos
Os bons e os ruins
Tentando encontrar
Uma definição entre eles...

Assim vou vivendo minha vida
Que, com certeza,
Não é uma vida mais ou menos.

Vida cheia de altos e baixos
Pequenas e insignificantes realizações
Grandes decepções
Enormes tristezas e pouca alegria
Muito sofrimento e nostalgia
Contudo, muita fé na agonia.

A lembrança
Já um tanto cansada
De sonhar coisas impossíveis
Ah, ingrata!
Recorre sem pudor ao Redentor
Com todo amor e fervor.

A resposta vem
O difícil é entender e perceber
O que ela quer dizer
E, quando percebemos
À hora já passou
E outra agonia se instalou...

Parece até brincadeira de criança
Tipo: esconde-esconde
Pega-pega
Bem-me-quer
Mal-me-quer...

Às vezes fico a pensar
Se existe algum lugar
Pra gente ser feliz de verdade
Será que a felicidade depende da sorte?

Quando chego neste ponto
Paro de tentar encontrar a porta de saída
Deste lindo e encantado labirinto
Que é a vida.

domingo, abril 13, 2008

MAU PRESSÁGIO


MAU PRESSÁGIO
De: Ysolda Cabral


Sinto uma coisa assim
Parecida com mau presságio
Pois um silêncio falso me sonda
Abraça-me e me deixa tristonha.

O que será que está por vir?
Mais um ente querido se vai?
Trazendo infinita tristeza, saudade
E logo num domingo de tarde?!

Domingo já é um dia ruim
É final de semana que chega ao fim
Início de semana chegando assim
O que será de mim?

Estou com vontade de dar o fora
Ir para um lugar bem longe daqui
Sem perspectiva de voltar
- É sério!
Talvez fosse melhor ir embora...

Ninguém mais teria notícias minhas
E de ninguém mais me lembraria
Mas, assim feliz eu não seria
Ai! Que dor medonha
Sinto bem aqui!

quinta-feira, abril 10, 2008

LIBERDADE DE ESCOLHA





LIBERDADE DE ESCOLHA
De: Ysolda Cabral


A partir de agora
Com toda minha lucidez insana
Declaro que não irei mais sofrer
Pois nenhum sonho mais vou ter.

Sonhar é bom
Contudo engana
E de enganos já basta!

Assim não vou me surpreender
Tudo virá com tranqüilidade
Se eu não me abalar
Com nenhuma verdade
Que ainda possa haver.

O tempo passou
Isto é incontestável
Porém nada acrescentou
Apenas destruiu
Todos os lugares que andou.
E isso não bastou?

Pois se a chama do amor
Não existe como os poetas cantam
A dor também não existirá
Para sentimentos que não acontecem
Ou, não avançam...

Amor é sonho, fantasia
E quando você pensa que o tem
Ele sorrateiramente vai embora
Deixando um vazio de saudade
Muita agonia no - E agora?!

Então todas as honras
À liberdade de escolha
E eu escolho não mais sofrer
Pois de amor, se nunca vivi,
Não será dele que vou morrer.

Quem vai lá saber...

terça-feira, abril 08, 2008

SOB RAIOS





SOB RAIOS
De: Ysolda Cabral

Você se olha no espelho
Encara-se com relativa tranqüilidade
Entretanto, você não se reconhece
E isto é a pura realidade.

Realidade desencontrada
Daquilo que você vê
E que não confere
Com aquilo que você sente
O que fazer?

Logo constatamos
Que o mais importante
É àquilo que, diante do espelho,
Estamos vendo
Assim e muito de repente...

Como, contra fatos
Não há argumentos,
É muito ruim ter que admitir
Que o que queremos,
Sonhamos, fantasiamos,
Já não mais podemos.

Foi embora com o tempo
Senhor absoluto
De todos nós, tolos entes,
Aqui, neste planeta, existentes.

Se em outros planetas
Houver vida e lá não existir
O ingrato e perverso tempo
Vou ficar muito chateada
De ter vindo parar neste tormento.

Merecia ser consultada
E uma escolha eu faria
Se, contudo, lhe soubesse
Por aqui, com certeza,
Outro lugar não iria me servir.

Mesmo que me jogassem
No sul e você no norte
Mesmo assim minha escolha
Seria mesmo para este planeta vir.

Desde que, tivesse a certeza
De nos encontrar em algum lugar
Sob raios de sol ou de luar
De trovões ou de relâmpagos...
Mesmo assim eu não iria me importar
Viria mesmo para cá.

domingo, abril 06, 2008

NOITE CALMA





NOITE CALMA
De: Ysolda Cabral


Uma noite calma e tranqüila tive.
Foi como se um Anjo segurasse minha mão,
Cuidando de mim com muito carinho.
Senti-me querida, amada
E muito protegida.

Que grande emoção!
Entretanto, em dado momento,
Ocorreu-me a possibilidade
De estar em outra galáxia...

Acordei, assustada!
Olhei ao meu redor
E não vi nada!
Apenas senti que,
Estava acompanhada.

Novamente, coloquei, suavemente a cabeça
Em meu travesseiro de marcela
E voltei a sonhar
O sonho que antes sonhava...
Sonhava com um amanhecer,
Belo e repleto de raios de sol,
Sobre mim...
E não é que,
Amanheceu assim!


quinta-feira, abril 03, 2008

A CANÇÃO QUE NÃO FIZ




A CANÇÃO QUE NÃO FIZ
De: Ysolda Cabral



Pensei em fazer uma canção...
Uma canção de amor, talvez.
Peguei uma folha de papel,
Um lápis e o meu violão,
Com toda minha avidez.

Comecei a dedilhar com carinho...
De quem sente muita saudade!
Solfejando baixinho,
Uma nova e bela canção,
Com toda minha verdade.

O papel esperando sua vez...
O lápis pronto para rabiscar...
Percebi desesperada,
O quanto iria decepcionar!

Os sentimentos se atropelando,
Num vai e vem constante...
Entre o antes e o agora.

Triste constato que,
Assim, o que virá,
Chegará sem demora,
Só para atormentar.

Resolvi então parar.
Quem sabe se não engano
Aquilo que virá?
Decisão tomada,
O som suavemente vai embora...

Dedos sem calos, frios e doídos,
Na minha mão...
Pesando toneladas;
Senti!
Então pensei:
Será que morri?!
Sei não...
Será?!
Talvez...

domingo, março 30, 2008

ESPERANÇA


ESPERANÇA
De: Ysolda Cabral


O dia está feio e muito triste.
Chove uma chuva chata e insistente,
Que não serve para nada!
Só para me fazer sentir,
Como se tivesse sido abandonada.

Um abandono mesmo pela sorte
E nunca pretendido,
Obriga-me a lembrar que a vida,
Não é só realização e alegria.
É também feita de muita tristeza e m
elancolia.

Entretanto,
A esperança inunda meu coração...
Afinal, amanhã é outro dia!
E assim, repleto de esperança e emoção,
Bate no peito um Tum-Tum com muita maestria.

Disso ele entende bem!
Bate forte, bate fraco,
Bate até mais ou menos, também.
Só não pode é parar de bater,
Pois agora não é hora disso acontecer.

terça-feira, março 25, 2008

É PRECISO PROTEÇÃO







É PRECISO PROTEÇÃO
De: Ysolda Cabral

Queria hoje compor uma canção
Perfeita em rimas, conteúdo e beleza.
Que pudesse cantar com alegria e emoção
E assim afastar toda a minha tristeza.

Sou naturalmente alegre e bem faceira
Quando a tristeza bate é por motivo nobre
Ninguém pense ser besteira
E se há quem pensa assim
É por que é muito pobre.

Pobre de alma e coração
Pobreza da pior espécie
Pra ela tem jeito não
É justa maldição...

Maldição mínima de um século
Que acompanha a dita cuja (alma)
Por caminhos tortuosos e sem nexo
A deixando, cada dia, mais feia e suja.

Não há reza que conserte
Deus nos guarde sempre dela
Que fique bem longe da gente
E que vá parar mesmo é no inferno.

- A vida é surpeendente, inesperada e bela!!!




sábado, março 22, 2008

MEU PAI É ASSIM





Meu pai é assim


Papai é uma pessoa de personalidade excepcional, altamente correto, honesto, integro e autêntico em todas as suas atitudes. Está sempre de muito bom humor e sua fé em Deus é inabalável. Se bem que, agora está com medo de morrer. Disse não saber o que vai “topar do lado de lá" e por isso prefere ficar por aqui mais uns 150 anos.


- Seu pai, meu avô, Firmino, queria chegar aos 700.

Inteligente e muito teimoso também. Quando cisma de fazer algo faz e faz muitíssimo bem feito. Só para se ter uma idéia, uma ocasião ele foi buscar um terno que havia mandado fazer pelo melhor alfaiate de Caruaru.
Voltou chateado porque o terno não havia ficado como ele queria (sempre foi muito vaidoso e soube se cuidar).

Mamãe disse-lhe para parar de bobagem que nele nada ficava feio (papai é lindo até hoje, aos 77 anos). Bom, não havia jeito dele gostar do terno e ficou a reclamar dizendo que, se fosse fazer, faria melhor. Mamãe duvidou uma vez que, ele nunca havia pego numa tesoura, agulha e linha na vida.

Papai não teve dúvidas, imediatamente, comprou o tecido e fez um terno. A casa ficou de ponta cabeça. Mamãe só faltou enlouquecer e o proibiu de pegar numa tesoura para o resto da vida.

- Mas, ele fez!

É muito espirituoso e ainda hoje disputamos quem é o melhor naquilo que nos propomos fazer. Muito carinhoso, e, quando nos abraça ficamos sem ar do aperto tão grande.

Já mamãe era “arisca”! Brincávamos muito com eles dizendo que se dependêssemos da participação dela para nascer, ainda estávamos por vir. Ela só fazia rir, ficava corada e dizia para pararmos com a brincadeira. Era carinhosa com todos os filhos e muito mimada por todos nós. Contudo, minha irmã caçula, Inára, a estragava de tanta manha.

Que saudades de você mamãe!

A casa ainda tem o seu perfume e para todos os lados que olhamos, lá está você!

E por falar em mamãe, Inára, pediu para ele orar por ela todas as noites. Ele, lhe disse que não, pois em lugar algum na Bíblia falava que a pessoa precisasse de oração depois de ter morrido.

- Eu posso...?!

Mandou foi ampliar várias fotografias dela e outras dos dois e deu para cada filho. Outras,espalhou pela casa.

A bisneta, Ylana, de 03 meses, que voltou para o Rio esta semana, ele a chama de “boboquinha”. Hoje perguntou a Yauanna, minha filha de 17 anos, se ela era uma “patricinha”. Yauanna ficou indignada e disse: ora vovô, não sou patricinha! Sou igual a você: vaidosa. Ele deu uma risada gostosa e disse ter sido só para provocar. Papai é terrível!

Outra dele: estávamos almoçando e eu contando para minhas irmãs as peripécias que apronto no Orkut e ele só escutando. Então, Inára, me perguntou se eu tinha visto seu comentário no blogger, relativo à poesia “Contrição” (ela curte muito meu blogger).

Papai olhou para mim e falou: eu não suporto poesia, prefiro minhas crônicas.

– Ele escreve diariamente, e, fora as crônicas já publicadas nos jornais de Caruaru e Diário de Pernambuco, contabiliza mais de 10.000 trabalhos. Todos, escritos em cadernos enormes de 400 folhas. Em cada folha duas crônicas, uma na frente e outra no verso. Fiz tudo para ele usar o computador mas, ele diz que o “calepino” é melhor.

Respondi-lhe na horinha e bem na cara dele: escuta aqui Alírio, sabe por que você não gosta de poesia? – Porque sou melhor que você. Ele engasgou de tanto rir.

Fez várias canções, belíssimas, para mamãe. Abaixo, trechinhos de algumas que gosto muito:

Por ocasião de uma briga boba:

...Sofrer assim não pode ser
Viver assim melhor morrer
O meu pobre coração
Já não quer desilusão

Se já sofri
Se já chorei
Foi por você meu grande amor
O meu viver é só enfim
Querer você só para mim

Sim, sim, sim
Não, não, não
Bate assim o meu coração

Sim, sim, sim
Não, não, não
Pra você esta minha canção

Por ocasião de uma viagem de mamãe, sem ele:

...Esta é a canção que lhe fiz
Tudo foi emoção que senti
Quando vi você partir
E logo sumir me deixando só

Quero você aqui
Quero você assim
Quero você pra mim...

Um dia, sua sobrinha, Yolanda, lhe perguntou como ele compunha. Ele pegou o violão e lhe disse é assim:

Vou dizer pra você
Toda minha paixão
Vou dizer pra você
Toda minha emoção

Se você entender
Será muito pra mim
O destino que fez
Eu amar outra vez
Você me quis

Aí deu um nó na rima, ele apelou:

Vai ser muito bacana
Você só para mim
E depois
E depois

Aí empancou...

E depois hum rum rum
E depois hum rum rum..

Fez várias canções para nós seus filhos e também para os netos. Só não fez ainda para a Boboquinha.

Ele conta que, uma ocasião, quando ainda noivo de mamãe, discutiram e terminaram. Creio que ciúmes (mamãe era linda também) e ele morria de ciúmes dela.

Terminado o noivado, mamãe foi passar uns dias no engenho da família, lá pelos lados de Bonito. Quando ele soube, enlouqueceu!


Foi imediatamente a procura dela. Chegando na cidade de Bonito, pegou um cavalo na fazendo de seu padrinho, João Caramuru, e, galopou até onde mamãe estava.

No final da tarde e já feita as pazes, ele montou no cavalo e voltou para Bonito.

- Só pensava em mamãe...

De repente, já noite, percebeu que galopava, galopava léguas e nunca chegava.

- Havia se perdido! Entrou em pânico...

Foi quando encontrou um camponês e lhe perguntou o caminho de volta para Bonito. O camponês lhe respondeu: você está sobre ele!

- Solte as rédeas do cavalo que ele lhe levará.

Assim foi seu retorno. Aos cuidados do cavalo e na cabeça: mamãe.

Ô viagem boa, num foi meu pai?!


Amo você.


Linda Páscoa papai.

PS. Na foto ele e mamãe quando noivos.

Mamãe faleceu, infelizmente, no dia 14/01/2008.

sexta-feira, março 21, 2008

CONTRIÇÃO




CONTRIÇÃO
De: Ysolda Cabral


Semana Santa
Santa Semana
Abençoada e tanta!

Aproveito para por a “casa” em ordem
Cada coisa em seu devido lugar
Uma dúvida: que espaço irá me guardar?

Sou "estourada" pra danar
Temperamento medonho de ruim
Sorte que passa logo
Mas causa enormes estragos.

Enfim...

Aproveito esta época,
Costume que trago desde menina,
Para me obrigar a pensar e repensar
E só vêm coisas assim:

Um lamento... Um ai...
Por fatos que já se foram
E outros que hão de vir
E que, talvez, não devessem chegar

Sempre há algo a aprender
Não tenho nada que valha a pena ensinar
Preciso é voltar a escutar
A voz do Vento
Quem sabe assim
Não venha a me salvar...?!




quarta-feira, março 19, 2008

PÁSCOA




PÁSCOA


Que neste período, próprio para reflexão, aconteça algo realmente grande que faça a humanidade parar de vendar os olhos para as coisas belas e verdadeiras que AINDA existem e tentem salvá-las.

Uma Páscoa de olhos abertos e boca fechada para não atrapalhar a contemplação e a oração.

Ysolda Cabral

terça-feira, março 18, 2008

COMO UM AÇOITE


COMO UM AÇOITE
De: Ysolda Cabral

Meia noite
Meio dia
Meia vida
Meio sem saída

Saída sem jeito
Efetivamente com efeito
De partida
De despedida
Que deixa saudade
De morte

Cheiro da noite
Cheiro de frio
Que esfria
Que arrepia
Que não sossega
Que deixa só o vazio

Vazio repleto de esperança
Para uma mudança
Que virá ao nascer do dia
Ou ao meio dia
Ou ao cair da noite
Como um açoite
Para acontecer
Se houver a sorte.

segunda-feira, março 17, 2008

SAÍMOS JUNTOS




SAÍMOS JUNTOS
De: Ysolda Cabral

Hoje fui examinar meu coração.
Colocaram-me numa mesa
Braços erguidos e presos.
No peito, esquerdo, muitos fios
Num lugar bastante frio.

Um tubo branco e preto
A passear sobre meu tronco e cabeça.
Comecei a pensar qual cor iria encarar,
Pois qualquer escolha seria puro preconceito.
Resolvi fechar os olhos e comecei a sonhar.

Quando comecei a me sentir
Dentro do meu próprio coração,
Aconchegada e quente...
Tiraram-me da mesa, abruptamente.
Eu, totalmente atordoada,
Mandaram imediatamente:

Caminhe!
Lento... Rápido... Correndo...
Fizeram uma veia de acesso,
Para levar marcadores líquidos até ele,
Meu massacrado coração.
Fiquei a pensar:
Será que vamos escapar,
De toda essa enorme confusão?

Ele feito louco batendo
A me perguntar:
Por que estamos aqui,
Se juntos nos completamos, nos bastamos
E nos entendemos?!
E se eu resolver parar?
Eles não irão evitar!!

Vamos embora antes que eles nos matem!
Temos muito pra fazer, pra saber,
Pra contar, pra cantar e pra viver...
Mas, enfim:
Vamos sair juntos daqui?



quinta-feira, março 13, 2008

NOCAUTE NA TRISTEZA





Nocaute na Tristeza
De: Ysolda Cabral


Hoje a tristeza me bateu
Sem dó ou compaixão.
Ela é muito achegada a isso.
É sádica e traiçoeira
E eu fiquei sem ação...

Ela chega sem a gente convidar.
Instala-se de maneira sorrateira,
Tomando conta da gente,
Machucando pra valer,
Sem se preocupar,
Se vamos agüentar.

Ah, mais eu agüento,
Agüento sim!
E vou logo avisando:
Pode bater a vontade,
Pois logo vem a revanche
E de um sôco só,
Jogo você na lona,
Apenas num piscar!

Sou alegria,
Não sou agonia,
Sou da harmonia
E sei que posso
Assim lhe derrotar.

Portanto, vá embora!
Aqui não há lugar,
Para você ficar.
Vá bater em outra porta.
Numa porta que,
Bata-lhe na cara à porta
E você caia morta
Para nunca mais
A ninguém atacar
.

segunda-feira, março 10, 2008

SILÊNCIO FATAL




SILÊNCIO FATAL
De: Ysolda Cabral

No meio do silêncio,
Há música...
Audível apenas aos meus ouvidos.
Deixo-me envolver suavemente.
Ela me acalma, me seduz
E me tem totalmente.


Neste momento somos
Completa união em sublime sintonia,
Formada de muita emoção e magia.
Com ela, eu e meu pensamento,
Num ritmo sagrado e quase santo,
Daquilo que é puro encantamento.


E assim estamos
Nos entregando totalmente.
O mundo lá fora não existe.
Ele está aqui e agora,
Neste exato momento.


Eu, de tão contente,
Não o quero deixar ir.
Quero que fique para sempre aqui.
Porém, como tudo tem o seu final,
A música termina
E o silêncio se torna fatal...





sábado, março 08, 2008

JEITO DE SER



JEITO DE SER
De:Ysolda Cabral

O que tenho?
Tenho a mim
O que sou?
Sou pouca coisa ou quase nada
Para onde vou?
Para onde a vida me levar

O que sei?
Sei sorrir e sei chorar
Sei brincar e sei sonhar
Sei perder, sem compreender
Sei perdoar e ainda confiar
Sei magoar, sem saber
E talvez ainda não saiba amar

Se canto?
Canto o meu canto
Do meu canto
Para não incomodar
Pode ser alto ou baixo
Afinado ou desafinado
Mas é assim o meu jeito de cantar

Do que mais gosto?
Gosto do silêncio
Ele me ensina a calar
Coisas que eu não posso contar
Para não me fazer sofrer
E novamente chorar...




sexta-feira, março 07, 2008

O GRANDE ENCONTRO


O GRANDE ENCONTRO
De: Ysolda Cabral


Quando o meu humor está
"Assim... Assim..."
Se o deixo ficar,
Ele acaba comigo.
Então, não consinto!
Mando-lhe bem rápido
Para longe de mim.

Não tenho cultura,
Não sou intelectual,
Não sou fenomenal...
Penso até que nem sou real!
Nesses momentos olho para mim,
Através do meu cérebro
E percebo que ele é muito sério.

Fico assustada e lhe digo:
Fica na tua e deixa que meu coração me cuida.
Aí sinto o coração acelerar,
Como se quisesse dizer: não começa a abusar
Estou ficando velho para te carregar...

Será que meu coração enlouqueceu,
Ou eu estou a sonhar?
Ele não me carrega.
Eu que vivo a lhe carregar!
Sem muito cuidado, é verdade.
Mas, agüento os seus trancos,
Os seus encantos e desencantos
Sem muito reclamar.

Tudo está ficando meio virado
Meu coração se acabando,
Eu não me achando,
O cérebro triste a reclamar,
Recusa-se a funcionar.
O que acontecerá quando os três
Resolverem se encontrar?


sábado, março 01, 2008

NO ESPAÇO SIDERAL


NO ESPAÇO SIDERAL
De: Ysolda Cabral

Bum!!!!!
E assim mandei tudo de mim para o espaço.
Será que lá haverá lugar para algum pedaço ficar?
E se tudo voltar?
Poderá cair em qualquer lugar
Espalhado, desencontrado, arrebentado...

Gravidade e atração fatalmente se encontrarão
E todos os pedaços se juntarão.

Formarão uma nova pessoa, coisa, ou algo inexplicável?
Não sei não...
Talvez o coração lá encontrasse algum lugar para tranqüilo repousar
Mesmo que seu bater não precisasse acontecer...
Mas o que viesse de volta,
Como poderia viver?

Então que ficasse por lá as lembranças tristes,
Os projetos nunca realizados,
Os lamentos e todos os ais nunca gritados.
O sofrimento que nos faz morrer um pouco a cada momento
Se diluísse em total esquecimento no primeiro buraco negro que encontrasse.

Que a alegria, com muita força e energia, voltasse.
A esperança, trazendo um novo e lindo dia.
Que a fala não fosse apenas para ser ouvida,
Lida e sim sentida em toda sua força e plenitude.
E, quando alguém lhe dissesse: amo você
Fosse realmente verdade e
possível de acontecer
Com toda pureza e totalmente lhe completasse.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

CUIDADOS DE HORTELÃ




CUIDADOS DE HORTELÃ
De: Ysolda Cabral

Continuando no meu estado de graça...
Ou indolência... Ou indiferença...
Ou encanto... Ou desencanto...
Ou seja lá o que “for”...

Dormi pouco esta noite.
Acordei ao nascer do dia
Sentindo o aroma da minha hortelã
Mandando-me delicadamente um recado
Bem claro que dizia: você foi dormir
E nem me regou menina!!!

Escutava os passarinhos,
Começando a cantar.
Coisa rara por aqui,
Mas ainda acontece
Pode acreditar!

Com minha linda
E paciente hortelã a me esperar,
Cobrindo-me com seu cheiro,
Pedindo-me água e carinho...
E, apesar de tudo isso,
Não conseguia reagir e levantar.

Fiquei a pensar por que, ela,
A minha hortelã, insistia...
Não percebia que nenhuma coragem eu tinha?!
Compreendi então que, naquele momento,
Ela de mim nada queria!

Era ela que estava a me regar,
Com muito amor, paciência e carinho.
Preparando-me para mais um dia
Começar a viver e enfrentar.

Por isso ela é só minha!
Não serve pra mais nada.
Ninguém se atreva nela tocar!
Ela me rega e me cuida...
Para que, assim...
Eu possa de todos cuidar.

sábado, fevereiro 23, 2008

ESTADO DE GRAÇA





ESTADO DE GRAÇA
De: Ysolda Cabral


Hoje me sinto totalmente
Absolvida de pecados
Como um bebê que foi batizado
Na mais pura água
De um rio abençoado

A paciência é quase santa
Que não se altera e nem se engana
Mesmo que sobre a minha cabeça
Caiam mil lanças

Não vou me alterar com nada
Meu estado hoje é de total compreensão
Do meu mais profundo eu imaginário
Poderia, sem remorso, receber a Comunhão
Com muita alegria, serenidade e satisfação

Não assimilo coisas ruins
É que hoje, especialmente hoje,
Estou em estado de contemplação
Em perfeita harmonia comigo mesma
E assim a vida faz todo sentido
Mesmo sem sonho, fantasia ou ilusão

Hoje, especialmente hoje,
Estou livre de pensamentos negativos
De sentimentos menores
Imunizada de gente infeliz
Que só faz sofrer e se lamentar
Sem ao menos ter uma Cruz
Para carregar

Consigo até ficar bonita
Em meu estado de graça
E assim vou para lugares
Tão lindos e calmos
Como se fosse uma Garça
Que em pouso
Serena descansa
Para mais uma vez voar ...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

SAIR DE MIM




SAIR DE MIM
De: Ysolda Cabral

Hoje preciso que alguém fale comigo
Coisas que eu possa, ou não, entender...
Todavia, que sejam faladas com carinho
Para que eu possa adormecer.

Pode ser um murmurar,
Sem nenhuma opinião ou parecer,
Que me deixe entre o sonho e a realidade
Para assim, poder absorver
Toda essência do viver.

Hoje estou como se já fora...
Por fora mostra o agora.
O agora que é preciso sair
E depressa ir embora,
Pois nada é fora de hora...

Pode ser até bobeira minha
Entretanto, ando me sentindo
Quase como se morrer...
Viver assim é danado de ruim.
A minha volta uma multidão
A falar... A gritar... A sorrir...
E até mesmo a cantar...
Escuto e nada entendo,
Que tormento!!
Tento me reanimar
E nada acontece realmente.
Quero sair, nem que seja de mim...
Velejar, passear, flutuar...
Como pássaro ou gente.
Sentir o cheiro do amanhecer,
Em plena luz do luar,
Só, e a sonhar.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

TRISTE SINA




TRISTE SINA
DE: YSOLDA CABRAL

Sempre procurei parecer contente...
Feliz... Despreocupada...
Otimista e corajosa
Desde que me entendo por gente.

Porém, sempre soube o significado
Dessa representação:
Esconder a tristeza profunda
Que me inunda desde
Antes de minha concepção.
Lutei com todas as forças
Para me livrar dessa aflição.
Sem me preocupar com o entardecer...
O qual, um dia viria me abater.

Em conseqüência e por constatação,
Cheguei à conclusão que,
Nasci com uma sina muito triste:
A de amar a Vida da maneira muito simples
E, Ela, nem aí pra mim!


Meu amor...
Nunca foi paixão, excitação...
Sempre foi de puro sentimento,
Beleza e contemplação.



A recíproca nunca foi verdadeira.
Ela nunca foi assim por mim.
Impiedosa e poderosa,
Faz de mim uma cabeça de criança,
Um verdadeiro Querubim!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

IGUAL A NÓS




IGUAL A NÓS
DE: YSOLDA CABRAL

Somos lobas,
Somos bobas,
Somos nós:
Eu você e todas vós!

Achamos sempre muita força
Para lutar por qualquer coisa,
Que venha contra nós.

Mesmo que a dor
Seja muito forte e profunda,
Nada nos faz correr
De uma boa luta...

E nem nos amedronta,
Pois somos a Obra
Mais que Perfeita de Deus.
Não duvide, cara amiga:
Somos mesmo a perfeição!

Em noite de lua cheia,
Ou não,
Cantando os versos mais eloqüentes,
Em lugares frios ou quentes,
Somos o despertar da esperança...

Pois temos o privilégio,
Dado por Ele,
De fazer mais gente
Para sonhar igual a nós.

sábado, fevereiro 09, 2008

SEM DIREÇÃO


Sem Direção
De: Ysolda Cabral



Mais triste e cansada
Do que eu ninguém está.
Amigos lhes digo:o cansaço é tanto
Que o desencanto toma conta de mim
Por todos os cantos...

Faz-me não querer em nada pensar...
Pois o contrário, seria um senão
Em outro lugar perdido,
Fatalmente igual e esquecido...
Como um trapo qualquer a vagar,
Sem luar e sem direção...

Como hoje,
Está triste meu coração!
Preso dentro de mim,
Sem me prestar a menor atenção...
Não me contentando com isso,
Reclamo!
E, ele, me diz NÃO.


quinta-feira, fevereiro 07, 2008

EU E O MAR



EU E O MAR
De: Ysolda Cabral



Comparo-me às vezes ao mar...
Não na beleza
Não na grandeza
Não na riqueza
Nem muito menos na traição

Comparo-me às vezes ao mar...
Na calmaria
Na tempestade
Na força e energia que transmite
Nos mistérios inexplicáveis
Nos segredos indecifráveis
Nas surpresas inesperadas
Que gosto de ter e de proporcionar

Comparo-me às vezes ao mar...
Na sua cor sublime e indefinida
Por vezes azul escuro de revolta
Por vezes verde de mal-estar
Por vezes transparente e transbordante de ternura
Quando todas as cores se confundem
Tornando o sentimento único
Legítimo e muitas vezes nulo

Nulo para não enganar
Nulo para não confundir
Nulo para não fazer sonhar
Nulo para não vir à tona
Pois não pode acontecer
Nem muito menos retornar
Só mesmo a onda do mar...


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

OMBRO AMIGO




OMBRO AMIGO
De: Ysolda Cabral


Hoje a alegria chegou
Perto da minha porta.
Não a deixei entrar!
Não era hora...

Mesmo que eu deixasse,
Não se instalaria
De forma confortável.
Uma vez que, minha casa,
Está desarrumada,
E, eu, nada sociável...

É que, hoje, não estou pra brincadeira...
E, se, alguém, falar alguma coisa
Vou achar que é tudo asneira.
Porém, não vou me incomodar,
Se, me tacharem de louca,
Pois isso é besteira.

Loucura é um estado relativo.
Tanta gente pensa que não é...
E, todos, de louco têm um pouco.
Desde criança ouço,
O povo assim dizer.

E, quando o povo diz,
Ninguém duvide...
Pois o contrário,
Sempre é o mais provável...
É que, hoje, estou vulnerável,
Precisando de um ombro amigo
Que me console e me diga:
Que nada está perdido.

domingo, fevereiro 03, 2008

SEI NADAR




SEI NADAR
De: Ysolda Cabral


Se o que escrevo é poesia,
Caí em desgraça!
Já não sei compor
Coisa alguma que tenha sentido
E que me traga de volta
A inspiração necessária,
Para mandar minha tristeza embora...

Tristeza instalada
Em cima do cansaço e da revolta,
Torna-se crônica e incurável.
Não há o que fazer ou lamentar...

Bato na testa, porta da minha cabeça (acho)
E, pergunto: tem alguém aí para me socorrer,
Compreender e me fazer parar de sofrer?

Resolvo me entregar ao mar...
Ele faz meu corpo suavemente flutuar...
Encaro o céu,
Azul de encantar,
E tento descobrir
Se algo há mesmo por lá...

De repente uma onda enorme vem
E me joga, com toda sua força e revolta,
Pra fora do mar...
Sentindo a terra minhas costas arranhar,
Lembro que é preciso, sem demora, levantar...
Mesmo assim continuo lá,
Atordoada, desamparada e sem pensar...

Logo o sol aquece e seca meu corpo,
Passando a queimar...
Então, me levanto, e, de teimosa,
Retorno ao mar...
Afinal, sei nadar!


sexta-feira, janeiro 25, 2008

APENAS CORAÇÃO



APENAS CORAÇÃO
De: Ysolda Cabral


Começo a entender a vida de forma diferente.
Julgar é mesmo uma grande asneira,
Pois ninguém sabe o que há no coração
Nem do mais achegado amigo,
Mesmo que ele seja,
Muito bonito e sorridente.

Pode ser que haja muita alegria e inocência...
Um coração puro de verdade,
Dentro de um peito ardendo de desejo
Para viver uma vida plena...
Assim: como se a vida fosse feita
De uma só existência.

O coração pode ser ...
Branco, preto, velho, moço,
Ou mais ou menos...
Todos têm um coração batendo
Dentro do peito.
Resta saber do quê ele é feito
Para se saber se tem algum jeito.

Nem sempre jeito se pode dar...
Mas, se o coração for bom de fato,
Valente e muito guerreiro...
Pode ele próprio encontrar um jeito
De continuar seu tum... tum...
Mesmo que na terra,
A sete, ou quatro palmos de chão,
Esteja sepultado o seu peito.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

ATÉ BREVE MAMÃE




MARIA DILÇA LIRA CABRAL
* 19/08/1933 + 1
4/01/2008

Nosso Rouxinol se calou,
Às 18:h25, da última 2ª feira.
Na hora choveu...
Ela adorava a chuva.
Calou-se aos poucos e bem suavemente.
Mesmo com muita dor e sofrimento,
Não se lamentou nem por um momento.

Seu canto não será mais ouvido.
Contudo, em nossa lembrança,
Jamais será esquecido...
Nem seu canto,
Nem seus sábios ensinamentos.

Com o olhar nos dizia
Tudo o que queria,
O que sentia,
E até nos repreendia.
Não precisávamos falar nada para ela
Pois ela sabia tudo da gente.
Enganar-lhe?
Seria impossível!

De beleza genuína e sempre natural.
Seu perfume era bom demais de cheirar,
Lembrava o perfume
Da mais bela e perfumada rosa,
Do mais perfeito roseiral.

E mesmo em seu leito de morte,
Aonde parecia apenas dormir e sonhar ...
Seu perfume chegou a atrair todos os pássaros do local
Que dele queriam sentir e também desfrutar.

Nosso Rouxinol...
Era a mãe mais perfeita,
A mãe mais querida,
A mãe mais bonita,
A mãe mais amiga,
A mãe mais compreensiva,
A mãe mais paciente,
A mãe preferida...
De nós, seus filhos,
Yara, Ysolda, Íris, Ilo e Inára...

Que hoje choram de saudade.
Mas, no coração, de cada um de nós,
O alívio da certeza de que, AGORA,
Ela está completamente em PAZ.

Até breve mamãe.
********************************************************
Missa de sétimo dia : Igreja da Pracinha de Boa Viagem
Dia: 22.01.2008 ( 3a. feira )
Hora: 19:00

domingo, janeiro 06, 2008

NUM SÓ ATO




NUM SÓ ATO
De: Ysolda Cabral

Sem a arte de escrever em verso
Para compor uma perfeita poesia,
É impossível escrever quatorze versos
Para compor um soneto.
Mesmo assim registro meus momentos
Mesmo que lhe pareça sem nexo.

Assim, vou vivendo minha vida
Que, com certeza,
Não é uma vida mais ou menos.
É tão cheia de altos e baixos
Que me deixa atordoada
Fazendo-me crer ser uma farsa
Sem nenhuma demagogia.

Com algumas e insignificantes realizações,
Com muitos desenganos e decepções,
Mais tristeza que alegria,
Muito sofrimento e nostalgia...
Duvidando, até da fé...
Continuo com esperança no novo dia.

A lembrança;
Já um tanto cansada
De não lutar por nada,
É ingrata!

Saio para não pensar
E vou até o mar.
Sinto cheiro de xixi,
Perfume barato, cerveja
E muito bêbedo safado,
Sem nenhuma classe ou poesia,
Cantando garotas fáceis e tolas.
- Que loucas!

Resolvo voltar para casa.
Deparo-me, no semáforo,
Com meninos famintos e drogados.
Morro de medo!
E me envergonho do fato,
De acelerar o passo,
Para não vê tanta miséria...
Num só ato.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

DESPEDIDA DO ORKUT





Queridos amigos Orkutianos,


Acabei de excluir minha conta do Orkut. Tentei enviar uma mensagem de despedida para todos vocês. Infelizmente, não consegui. O tempo que passamos juntos foi muito bom e jamais vou esquecer. Entretanto, o fato de ter saído do referido site não significa que perderemos o contato. Os verdadeiros e sinceros amigos saberão como entrar em contato comigo.

Deixo, por aqui, um carinhoso abraço de agradecimento, para cada um de vocês, meus quase 350 amigos os quais, me enviaram mais de trinta e quatro mil recados. Estes, ficarão guardados no meu coração e na minha memória para todo o sempre.

Minha página no Orkut foi linda demais para ser esquecida. Nela, não havia maldade e nem interesse de ordem alguma. Apenas amizade pura e simples. Recebia belos e sábios textos, poesias maravilhosas que me inspiravam a escrever “combinações frasais”, pensando ser poesia.

Foi um tempo magnífico e, como tudo um dia chega ao fim, hoje, me despeço de todos vocês com tristeza e muita saudade.

Ysolda Cabral

segunda-feira, dezembro 24, 2007

MINHA MENSAGEM DE NATAL



Minha mensagem de Natal


Queria neste Natal que todas as pessoas se presenteassem entre si com sentimento verdadeiro, sem hipocrisia, sem maldade, sem violência, sem artimanha, sem traição e sem julgamento... Queria que, neste Natal, todos tivessem “o pão, o vinho, o azeite e o sal” sobre a mesa e que eles permanecessem de forma a eliminar a fome, a miséria e a ignorância nos quatro cantos do mundo de uma só vez... Queria que, neste Natal, houvesse um efeito arrasador sobre todas as coisas ruins, para todo o sempre... Queria que a partir deste Natal, todos ficassem livres de dores, de rancores, de vaidades inúteis, tolas e que, o amor e o respeito, por tudo o que tem vida, passasse a existir de fato e se tornasse nitidamente real.
Feliz Natal !

Ysolda de Lira Cabral Albuquerque

terça-feira, dezembro 18, 2007

FLOR DE CACTO




FLOR DE CACTO
DE: YSOLDA CABRAL


Hoje não vou chorar
E nem de coisa alguma
Vou reclamar.

Hoje estarei irreconhecível...
Mandarei toda tristeza embora.
Vou é passear
E esquecer completamente,
Tudo que for sofrível
Frio ou quente.

Hoje será um dia diferente.
Não serei nem gente!
Ser gente é muito chato
E de gente chata,
Eu não mais agüento!

Serei qualquer coisa:
Um pássaro?
- Não!
Serei uma flor de cacto!
E, se tocar em mim,
Disparo com o vento.
Neste momento, então;
Serei pássaro!

Que ninguém tente
Entender, argüir,
Pedir, sorrir,
Fugir ou fingir...
Afinal, eu hoje,
Não estou nem aí!

domingo, dezembro 16, 2007

VOU INDO




VOU INDO
DE: YSOLDA CABRAL


O frio invade o ambiente
Envolvendo tudo
Que nem dele pertence.

A atmosfera é pesada,
A respiração fica forçada,
Insistente e lenta.

Se sente...

A esperança se esvaindo,
A fé, se ainda há, indo...
Busca-se, com esforço,
Sua volta,
Mesmo com revolta.

E, sem quase pensamento,
Reza-se uma ladinha triste,
Arrastada e bem remota
Que, não afasta o agouro,
O qual, sem piedade, nos sufoca.

Escutar o vazio...
É meio louco,
Meio bobo,
Meio partido de destino.
Até parece infindo.

E é assim que vou indo...
Para mais um Natal,
Desconfiando que, talvez,
Tudo isto seja imortal.

Portanto, para você:
Um Feliz Natal!!!!

sábado, dezembro 08, 2007

FAÇO NÃO



FAÇO NÃO
De: Ysolda Cabral



Hoje a tristeza e a alegria
Esbarrou em mim
Sem dó nem compaixão
Encararam-se frente a frente
Sem me deixar opção

Fiquei entre as duas
Equilibrando-me bravamente
Para não piorar
A inusitada situação
Uma chorava
A outra não

Eu no meio das duas
Sentindo uma enorme afobação
Esforçava-me para sair
Daquela tremenda confusão

Quando senti chegar à esperança
E como num passe de mágica
Acalmou meu desvairado coração

Que louca sou
Por me deixar envolver
Por fortes e contraditórias emoções
Entretanto elas acontecem
A minha total revelia
E acho até covardia
Querer bani-las do meu dia-a-dia
Isto eu não faço não!




sábado, dezembro 01, 2007

LÁGRIMA NO CHÃO




LÁGRIMA NO CHÃO
De: Ysolda Cabral

Quando uma simples pisadela,
Na unha do dedo do pé,
Deixa-te caído no chão,
Chorando que nem criança,
A coisa é mesmo séria
E tem função.

O que fazer então?
Ter unhas de felino
Não diminuirá a dor ,
Que não vem da alma
E, sim de uma vida,
Sem muita consideração...

Absorção:
Não é a solução.
Gelo no dedo do pé
E grito de solidão...
Não passa a dor,
Vez que ela
Não vem do dedo
E sim do coração.

O tempo pára
E a dor só aumenta.
Contudo logo vem o alívio.
Você se levanta
E não lamenta,
Nem por um segundo,
As lágrimas que lavaram
Seu meticuloso chão.

Sem contemplação,
Você segue no mesmo caminho,
Sem muito sonhar com o destino,
Que quando se apresenta,
É sempre numa perigosa
E traiçoeira contramão.

quarta-feira, novembro 14, 2007

ESPETACULAR E NOBRE


ESPETACULAR E NOBRE
DE: Ysolda Cabral


Mais uma etapa cumprida
Com determinação e garra.
Garra tão própria dela,
Que ontem era apenas menina.
Agora é toda quase completa...

Completa como se eterna...
E é terna na terra que é dela.
Pisando firme e sempre reta,
Assim: há de ser sempre ela.

Ela, ontem menina,
Que hoje termina uma etapa,
Regada de flores,
Perfume, alegria, música e cores,
Só para comemorar a nova era.

Era bem definida,
Que ao ser percorrida,
Tornar-se-á indefinida,
Trazendo mais desafio,
Seu ingrediente preferido,
Para poder ser vencido por ela.

Parabéns minha linda,
Por todos os obstáculos
Até agora conquistados.
Desejo-lhe sorte
E que seja sempre forte,
Para vencer os novos desafios
Assim: toda espetacular e nobre.

PS. Hoje Colação de Grau do Ensino Médio - Colégio Motivo



quarta-feira, novembro 07, 2007

SEM FINAL




SEM FINAL
De: Ysolda Cabral

Meu amigo vou contar:
Continuo acreditando.
- Caso contrário,
Iria desmoronar...
Como sou dura na queda,
Posso mil vezes cair
E, com certeza,
Volto a caminhar...

Caminhar por verdejantes pastos,
Saboreando o sabor de viver e de estar...
Neste mundo meio louco,
Porém cheio de magia,
Poesia, angustia e alegria,
Que me leva sempre à mesma certeza,
De querer nele ficar...

Sou como a hortelã de minha jardineira:
Reproduzo-me a cada dia.
Seja através do sorriso de minha filha,
O qual me faz querer e desejar,
Dias melhores e mais bonitos
Sem tanto pelejar...

Pelejando daqui...
E pelejando dali:
Vivo mesmo a achar
Que viver é muito bom,
Um presente Divinal.
Do qual aproveito todos os sinais,
Esperando, com tranqüilidade,
E, sem nenhuma pressa,
O inevitável Sem Final.




domingo, setembro 23, 2007

HORA DE REGAR








HORA DE REGAR
De: Ysolda Cabral




Hoje a tarde estava quente e ensolarada,
Deixando minha hortelã meio sonolenta
E sem vontade de perfumar.
Eu me deixei por ela contagiar
E resolvi cair na cama,
Para dormir sem sonhar...

De repente o tempo pára.
Tudo fica quieto e estático.
Som algum se faz ouvir.
A vontade de dormir vence facilmente.
E me leva pra lugares,
Nunca imaginados por mim.

Queria apenas dormir...
Lugar algum queria ir!
Senti vontade de voltar,
Mas algo não me deixava vir...

Tentei acordar;
- Não conseguia!
Tentei gritar;
- Não podia!
Tentei chorar;
- A lágrima não caia!

De repente...
O vento soprou,
Minha hortelã reagiu
E me acordou
Envolvendo-me,
Com seu suave perfume,
Como se assim falasse:
Hei, dorminhoca,
Acorda que a noite chegou!

domingo, setembro 16, 2007

PARCO IMAGINÁRIO



PARCO IMAGINÁRIO
De: Ysolda Cabral


Você pode achar que lembrar
É viver do passado
Para se lamentar
E encontrar desculpas
Para não lutar...

Talvez você tenha até razão
Em nesta façanha acreditar.
Entretanto, muitas vezes,
As lembranças levam você
A se entender ou a se encontrar.

Reencontrar-se não é fácil,
Mesmo quando o encontro
É ajustado e marcado.
Mesmo assim algo pode falhar...

E quando a falha acontece
Você sofre calado, sozinho,
Violentado, sofrido
E completamente aniquilado.

Tenta juntar os pedaços,
Que não são mais encontrados.
Então você se sente morrer
Num canto qualquer,
Do seu parco imaginário.


sexta-feira, setembro 14, 2007

FRAGMENTOS DE LEMBRANÇAS




FRAGMENTOS DE LEMBRANÇAS
De: Ysolda Cabral


Pequenos fragmentos de lembranças
Em frações de segundos
Consegue nos levar no tempo
E nos trazer de volta
Sem mágoa
Porém no peito
Uma tristeza imensa ...


Pequenos fragmentos de lembranças
Deixa-nos sonolentos
Quase sem movimento
Sem depósito de mantimento
Para reserva do alimento
Que a alma precisa para ocupar
O seu espaço do agora ...


Agora que já passou da hora
Que dissimulada engana
E as pequenas faltas
Deixa-nos aniquilados
Sofridos e amargurados
Com vontade de sermos
Qualquer coisa
Menos o que somos agora...

quarta-feira, agosto 29, 2007

INCOERÊNCIA











Poesia composta aos 23 ( acabei de encontrar o original com a data de 19/03/1977 )







INCOERÊNCIA
De: Ysolda Cabral

O ídolo cai,
O homem aparece,
O poeta se impõe.
Alegria, euforia, tristeza...

Surpresa,
Impacto,
Curiosidade,
Felicidade!
Remorso,
Ou decepção?

Sentimento de culpa...

Vontade de ficar perto,
De não estar,
De estar longe,
De não ficar...
De conter a fera,
De não conter...
De não contar,
Para não mostrar...
Vontade de viver,
Viver o quê e pra quê?

Sentir, sonhar, flutuar...
Pés no chão cansados,
Sofridos, magoados;
Má interpretação,
Simulação,
Saudades,
Insanidade,
Ou inspiração?

Solidão...

Descoberta,
Constatação,
Descrença é a justificação?

Medo da quietação
Respiração parada
Coração disparado
Mentes e corpos,
Inflamados e acelerados;
Representação?

Carência...

Uma lágrima apenas...
Tudo desaparece,
A calma se faz...
Silêncio!
Esquecimento,
Indiferença é PAZ?






PS - Por dentro não mudei e isto é incoerente.



sábado, agosto 25, 2007

AMOR DE SOBRA


AMOR DE SOBRA
De: Ysolda Cabral

Hoje as asas do meu coração
Foram irremediavelmente quebradas.
Não poderei mais voar...
Também não poderei mais cair...
Também não poderei mais chorar...
Talvez... Louca que sou,
Poderei ainda sorrir.
Sorrir de sorriso puro,
Como puro é meu coração
Mesmo quebrado, dilacerado,
Triste e inconformado
Com os desencontros de encantos
Que a vida promete,
Mas não dá.
Paro e penso: se meu coração tem asas quebradas;
Porém minha cabeça está louca para voar
O que me impede de ir rumo a algum lugar
Onde minha tristeza será curada,
Minha alegria restaurada
E as asas do meu coração
Quem sabe...
Não venham a cicatrizar?
Alguém pode pensar: é mal de amor...
- Não é isto não Senhor!
Amor tenho de sobra para dar.
A questão é que,
Hoje poucos querem saber
De amizade sincera,
Sentimento verdadeiro
E Fé.

domingo, agosto 19, 2007

ELA É UM ROUXINOL

DILÇA E ALÍRIO CABRAL
NOSSOS PAIS QUANDO NAMORADOS




ELA É UM ROUXINOL
De: Ysolda Cabral


Hoje é um dia especial
E muito cheio de alegria.
Não cabe tristeza, dor, agonia...
Saudade e nem melancolia.

Hoje só lembranças bonitas.
E se houver saudades...
Serão de coisas boas
E muito fáceis de recordar;
Revivendo cada uma delas...

Terraço de casa em festa...
Violão... Bandolim...
Muita conversa em prosa,
Rimas ricas e engraçadas
E em tudo só beleza e harmonia.

E através do raro,
E belo canto de nossa Rouxinol
Que, nos acaricia
E ainda cuida de nós,
Suas crias,
Geradas na semente de sua sabedoria.
Somos todos uma só energia.

Quando lhe digo:
Você é minha mãe preferida.
Você fica toda faceira!
Sua face serena e bela sorrir,
E com jeito, ainda de menina,
Olha para mim e pergunta:
E você tem outra mãe, minha filha?!

Parabéns, mamãe, pelo seu aniversário,
Que Deus nos conceda a graça de tê-la
Por muitos anos mais.
E, quando apagar a velinha do bolo,
Feche os olhos e peça a Ele:
Outros tantos mais!

Amamos você do fundo do coração.
Seus,
Inára, Íris, Ilo, Ysolda e Yara ( filhos )
Ytana, Humberto,Yrama e Yauanna ( netos )
Ylana ( bisneta chegando)
Ângela ( nora ) Ângela Arruda ( sempre amiga )
Benjamin Cavalcanti, Humberto Siqueira ( Genros)
Rodrigo Fernandes ( pai de Ylana )

PS. Papai, ainda compondo para você belas canções de amor, diz:
Dilça, vamos caminhar juntos e de mãos dadas sempre.


quinta-feira, agosto 16, 2007

ENFERMARIA E SONHOS





Enfermaria e Sonhos
De: Ysolda Cabral


Cá estou novamente,
Não no mesmo lugar,
Mas na mesma situação...
De agonia, de ironia,
E de espera,
Daquilo que é muito
Ruim esperar.

Escuto pranto,
Risos e muitas falas...
E nas paredes falsas,
Muitos toques.
Entre eles o silêncio,
Tentando se fazer notar.

É preciso que ele aconteça,
Para se refletir e melhorar.
E assim a esperança,
De tudo que se sabe,
Impossível alcançar,
Talvez só por um instante,
Venha a nos socorrer e aliviar...

Do meu canto,
Inconfortável e franco,
Tento me encostar
Nos meus sonhos,
Cada vez mais raros
E difíceis de sonhar.


domingo, agosto 05, 2007

SEM COMPARAÇÃO


Sem Comparação
De: Ysolda Cabral


Gosto de tudo que é belo
E em tudo há seu toque
Não compare
Apenas sinta
A verdade

Feche os olhos
Bem suavemente
E não lamente nunca
O que sente

A música é sublime
O amor não reprime
A saudade não mente
E você que agüente

Agüente até não mais puder
Logo algo acontecerá
E você perceberá
Aonde você está
E com certeza entenderá
Todo o porquê

Não tema
Não ceda
Não venha a entontecer
Tentando-se enganar
Pois isto jamais acontecerá

Irei até o fim
Pensando ser assim
Que a vida não é só isto
Que vivemos
Que vemos
Que sentimos
É muito mais,
Enfim.


sábado, julho 28, 2007

COR QUE O VELUDO NÃO TEM



Cor que o veludo não tem
De: Ysolda Cabral


A tarde está silenciosa e fria.
Chove e minha jardineira de hortelã,
Verde, bonita e cheirosa,
Adora.

Olho para ela daqui,
Sinto que ela me olha de lá.
E me faz um carinho,
Mandando-me um cheiro gostoso,
Misturado de terra, chuva e do mar.

Seu verde é da cor da esperança.
Suas folhas aveludadas,
Lembram-me quando em criança,
Vestia-me do mais lindo veludo,
Fosse ele de qualquer cor.
Só não podia ter cor de lembrança.

Lembrar às vezes é até bom...
Coisas boas, leves, engraçadas e soltas.
Só não gosto de lembrar,
De coisas tristes.
Pois é perda de tempo
Que nos fazem sofrer a toa.

Lá fora continua chovendo.
Os cheiros se misturam,
A cor do dia também.
Meu coração chora...
E se continuar assim,
Vou é parar muito além...

Portanto mando agora,
A tristeza embora,
Para bem longe de mim.
Fui feita de alegria,
De amor e harmonia...
Não agüento mais,
Nenhuma agonia.
Só assim, ficarei bem.